ideias em série

nada é mais livre que uma ideia

Mundos tão reais como o nosso

Estive recentemente numa conferência onde ouvi John Seely Brown (antigo “chief scientist” da Xerox Corporation) argumentar sobre a importância que os jogos podem ter para o desenvolvimento das capacidades das pessoas na gestão de tarefas complexas e do trabalho em grupo. Ele usou o World of Warcraft como exemplo da forma como os jogos online podem ajudar a desenvolver essas competências. Bem... Eu próprio jogo WoW e gasto (talvez) tempo demais a seguir feeds RSS e de Twitter, mas a forma como estamos a começar a “respirar” tecnologia deixa-me um sentimento desconfortável. Um mundo no qual seja impossível distinguir o real do virtual parece estar ao nosso alcance. Até a ligação directa do cérebro a máquinas está mais avançada do que se imaginaria possível. Estarão a aproximar-se os pesadelos do The Matrix ou do eXistenZ ou sou eu que tenho visto ficção científica a mais? Veja este vídeo. Deixou-me a pensar...

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Como peças de dominó...

Na sexta-feira à noite pudemos assistir a um momento único de fusão de meios de comunicação e difusão viral. Os Contemporâneos (que estão a ganhar pontos e a aproveitar o momento menos inspirado dos Gatos) tiveram um rasgo de criatividade com uma paródia às músicas de solidariedade natalícias. “Salvem os ricos”: humor corrosivo, bons convidados, boas imitações e um tema actual. Poucos minutos depois, o vídeo estava no YouTube, com direito a links no Twitter, muitos posts em blogs e destaque na homepage do site do Bloco de Esquerda. Hoje, na última página do Público, apareceu a cereja em cima do bolo com a crónica de Rui Tavares. Num par de dias, os Contemporâneos e o seu sketch chegaram praticamente a toda a gente. Se é dos poucos que ainda não o viu, vale a pena vê-lo aqui enquanto nos conseguimos rir com a crise:



Mas a história será assim tão simples como os cartazes do Bloco espalhados por Lisboa nos querem fazer crer? O dinheiro dos nossos impostos está mesmo a servir para “salvar os milionários”? Ou seja, seria preferível ter deixado que os bancos em dificuldades fossem à falência?

A nossa economia respira através do sistema bancário e este vive da confiança. No instante em que metade dos depositantes quisessem levantar o dinheiro das suas contas, todos os bancos, sem excepção, entravam em ruptura e a maior parte das pessoas perderia o seu dinheiro. Todos os agentes financeiros dependem uns dos outros porque quando a confiança se rompe é todo o sistema que se desmorona... Sem depósitos, os bancos não têm dinheiro para emprestar, sem esse dinheiro não há consumo nem investimento, as bolsas afundam-se, as empresas e as famílias não compram. Sem consumo as empresas fecham e despedem os trabalhadores, reforçando o efeito num ciclo vicioso. Foi assim que aconteceu nos anos 30 e é assim que uma crise abstracta da alta finança se torna num problema para nós todos. É isso que o governo devia deixar acontecer?

Outro facto que fica esquecido é que, por enquanto, o dinheiro dos nossos impostos não foi para lado nenhum. Se tivesse ido, o défice orçamental de 2008 tinha disparado em vez de se manter nos 2,2% do PIB. Até agora, o que o Estado deu foram avais e garantias, ou seja, o Estado assumiu que, se os bancos não puderem pagar uns aos outros, o Estado paga. Mesmo a indemnização pela nacionalização do BPN depende da responsabilidade de quem o geria. Só num cenário catastrófico é que o Estado terá que transformar garantias em dinheiro e, mesmo assim, fica com direito aos activos dos incumpridores, como o edifício do BPP que serve de garantia real ao aval do Tesouro. O que esta intervenção dá aos bancos é confiança, não é dinheiro...

Claro que esta é uma ocasião fabulosa para a boa inspiração humorística e para o mau oportunismo político. Também é uma boa altura para não ficarmos satisfeitos com uma análise superficial do que está a acontecer. Este vídeo que encontrei no blog de um amigo não nos deixa a rir mas explica muito bem o problema. Agora só temos que esperar que aquilo que os governos por esse mundo fora estão a fazer seja suficiente para não cairmos todos como peças de dominó...

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Complexidade e "Governo 2.0"

(Artigo publicado originalmente aqui)

Um tema em destaque esta manhã na conferência Cisco Public Services Summit, em Estocolmo, foi a forma como o mundo se está a tornar “mais complexo” e como está a mudar de forma imprevisível. Mas o que essas afirmação significam realmente, para além de querem dizer que já não é possível fazer de conta que se controla?

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Durante o almoço, uma pessoa ao meu lado contava como há 10 anos ninguém acreditaria se ele previsse que, hoje, a sua filha de 6 anos fosse capaz de lhe ditar um endereço web, pedindo-lhe para aceder a um site para vestir a sua boneca online. Isso quer dizer, continuou ele, que podemos imaginar qualquer coisa sobre o que vai acontecer dentro de 10 anos porque ninguém faz a menor ideia do que realmente acontecerá.

Isso é complexidade: a noção de que a “ordem” (um padrão) pode resultar da interação em vez de ter origem num plano deliberado. Os termos que usamos para descrever o mundo em mudança em que vivemos (a web 2.0, a ligação permanente, a globalização, etc.) são padrões que emergiram da interacção de milhões de pessoas que criaram em conjunto o seu (e o nosso) futuro através das suas acções e decisões.

Levar a sério a complexidade chama a nossa atenção para a forma como somos interdependentes uns dos outros neste processo de criar em conjunto o futuro. Por um lado, essa ideia tem uma conotação positiva: todos têm uma voz no processo. Mas, por outro lado, esta noção também suscita a ansiedade de não estar “a controlar”.

É difícil para qualquer gestor, no sector público ou privado, reconhecer que ele ou ela não está a controlar o que acontece na sua organização quando, no fim do dia, continua a ser responsável pelos resultados. Acredito que esta tensão, este paradoxo, de ser responsável sem poder controlar, é o que torna mais difícil enfrentar em pleno este mundo complexo, interdependente e ligado.

A própria democracia torna-se profundamente imprevisível, ao evoluir do modelo tradicional em que os cidadãos só têm voz através do voto de 4 em 4 anos para um novo modelo de resposta e interacção constante. Esse é território desconhecido, no qual o que é novo pode surgir mas sem que ninguém controle as consequências dessa novidade. As nossas instituições estão preparadas para esta mudança? A verdade dura é que, preparadas ou não, essa mudança já está a acontecer. A escolha é entre liderar a mudança ou ser vencido por ela...
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Os seguidores improváveis de Obama

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Não foi certamente por acaso que Jerónimo de Sousa repetiu várias vezes este fim de semana a expressão "sim, é possível" no congresso do PCP. Também não é por acaso que Pedro Passos Coelho está a usar na sua plataforma Construir Ideias as mesmas ferramentas de comunidade web que a campanha de Obama usou (incluindo até o Twitter).

Mas o contributo de Obama para a reinvenção da política não se reduz a expressões mobilizadoras nem a ferramentas online. Penso que o mais importante do caminho que o levou à Casa Branca é a simplicidade e autenticidade do que diz, rompendo com a retórica herdada do parlamentarismo do Século XIX. Foi com esse discurso novo que lhe deu a vitória ao conquistar o entusiasmo e o votos dos “nativos digitais”, jovens adultos informados e habitados a distinguir entre informação verdadeira e tretas.

Pode não ter sido o momento mais importante da campanha, mas vale a pena ver o email que reproduzo abaixo. Foi enviado pela campanha de Obama a todos os que estavam registados no seu site a 25 de Setembro. Em 145 palavras, conseguiu explicar porque era crucial manter o debate com McCain apesar da crise financeira. Frases curtas, simples, directas e com verdade. Essa é lição mais importante que se pode aprender com Obama.

From: info@barackobama.com
Subject: VIDEO: Barack's latest remarks about the economy

This morning Barack called John McCain to suggest a joint statement of principles that would help Congress resolve the immediate financial crisis.

Then John McCain went on television and said he was suspending his campaign and that Friday's presidential debate should be postponed.

Barack spoke about the crisis and took questions from reporters a few hours ago.

He also made it clear that -- with only 40 days left for the American people to decide who will be responsible for leading our economic future -- it is more important than ever that the scheduled debate takes place.

Please take a minute to watch the video of Barack's press conference and share it with your friends:

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http://my.barackobama.com/latestremarks

This is an important time, and we have to keep this campaign focused on the crucial issues.

Thank you,

David

David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

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Choque de Gerações

(Artigo publicado hoje no Diário Económico)

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Esta geração de “nativos digitais” já está nas nossas empresas e organizações, a tentar encaixar-se num jogo que lhe é estranho. Tal como a geração anterior ia beber um café ou buscar um copo de água para falar com os colegas, esta geração tentar actualizar o seu estado no Facebook ou no Hi5. Mas, em vez de o conseguir fazer com naturalidade, descobre que a administração de redes da sua empresa decidiu bloquear o acesso a esses sites, tal como ao YouTube e a muitos outros recursos que assim lhe ficam vedados. Com a desculpa da produtividade, do tráfego de dados e da largura de banda (como se esta não duplicasse a cada 12 meses), a decisão até parece aparentemente razoável. Mas será mesmo? Ler o artigo completo...
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Pios fractais

As teorias da complexidade fascinam-me desde que andava na escola secundária. Para além da beleza da geometria fractal, o que me cativou na complexidade foi a noção de que algo de radicalmente novo pode emergir das interacções normais do dia-a-dia. Acredito que a web está a facilitar a interacção humana de uma forma que torna cada vez mais óbvios os processos de aparecimento de padrões emergentes.

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Um exemplo: o Twitter, que já mencionei no último artigo. Na base, é um serviço muito simples para criar “microblogues”: cada um de nós tem 140 caracteres para responder à questão “o que estás a fazer?”. Parece simples, não é? Mas a seguir escolhemos quem seguimos (como se subscrevêssemos um feed RSS) e as pessoas que seguimos, se nos conhecerem, podem passar a seguir-nos também. Vendo a quem as pessoas que seguimos respondem, descobrimos mais pessoas que queremos seguir e, em pouco tempo, surge espontaneamente um grupo de gente que fala entre si, uma comunidade emergente. Então, empresas de software e políticos (Barack Obama, por exemplo) começam a usá-lo para estabelecer uma ligação directa com os seus utilizadores e votantes. Utilizando a plataforma aberta do Twitter, programadores começam a fazer (e a vender) programas para tornar mais fácil a sua utilização e ligação a outros serviços. A utilização cresce e o Twitter ganha cada vez mais seguidores enquanto novos padrões continuam a emergir, sem um plano prévio ou uma intenção clara.

É isto que a “web 2.0” significa realmente para mim. Depois de acabar de ler o último livro do Don Tapscott (Grown Up Digital), acredito que está a acontecer alguma coisa realmente significativa: uma nova geração de pessoas (dos 20 aos 30 e tal) estão a usar a tecnologia de uma forma diferente porque se libertaram: a tecnologia para eles é como o ar, não lhe dão demasiada atenção mas utilizam-na com toda a naturalidade!

Actualização - Depois de publicar este artigo, descobri algumas opiniões interessantes sobre o Twitter:
Porque é que o Tim O'Reilly gosta do Twitter
Uma lista de ferramentas para explorar o Twitter, pelo Diogo Vasconcelos
O Twitter como ferramenta de governo electrónico
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Software à la carte

Uma das coisas que mais me impressiona em torno do sistema operativo da Apple, o Mac OS X, é a quantidade e qualidade do software produzido em open source ou por pequenas empresas que depois vendem os seus programas por qualquer coisa entre 10 e 50 dólares.

A última “pequena maravilha” que descobri foi o EventBox, um programinha que faz uma coisa muito simples: junta no mesmo programa e interface as redes e grupos sociais em que participamos. Assim, podemos agregar a actividade do Twitter, do Flickr e do Facebook (entre outros) e ainda juntar tudo o que tenha feed RSS.

Uma curiosidade do processo é que a equipa que está a desenvolver o projecto usa o Twitter para manter os clientes a par do que está a fazer. Mais do que isso, usam o Twitter para interagir e ouvir os clientes. Assim, resolver bugs, explicar problemas e decidir que novas funcionalidades vão ser desenvolvidas torna-se num processo interactivo que podemos acompanhar ao vivo. É o verdadeiro software à la carte!

EventBox
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Não percebemos assim tanto como pensamos...

As viagens de avião são uma oportunidade única para lermos ou vermos as coisas que estavam guardadas para “quando houvesse tempo”. Ontem, enquanto voava para Bruxelas para mais uma reunião, dividi o meu tempo entre o último livro do Don Tapscott (vai sair um comentário em breve, quando acabar) e algumas “TED talks” que tinha seleccionado para ver.

Foi no meio dessas talks que parei no relato fascinante de Jonathan Drori sobre a diferença entre o que pensamos que sabemos e o que sabemos realmente. Drori defende que a forma como muitos conceitos são ensinados acaba por prejudicar a nossa compreensão do mundo. Polémico? Claro que sim, mas ele começa logo por nos fazer quatro perguntas:

- Onde vão as árvores buscar a matéria de que a madeira é feita?
- É possível acender uma lâmpada só com uma pilha e um fio?
- Porque é que o Verão é mais quente que o Inverno?
- Consegue desenhar um diagrama do Sistema Solar com as órbitas dos planetas?

Veja as respostas no vídeo. Talvez fique surpreendido...



PS: E vejam o anúncio da Nokia no fim! Faz lembrar o “Epic2015”...
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A mudança acontece...

Como a crise descansa ao fim-de-semana e as inundações do dia já passaram, esta é uma boa altura de partilhar um vídeo que me apresentaram ontem mas que já anda por aí desde Fevereiro do ano passado. A mudança acontece, e às vezes é bom ganharmos uma perspectiva das coisas...

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Que podemos aprender com esta crise?

(Artigo publicado hoje no Diário Económico)

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Há várias semanas que a crise financeira ocupa as primeiras páginas dos jornais e tem lugar cativo no alinhamento da informação televisiva. Ninguém tem hoje dúvidas do seu profundo impacto económico, social e político. Mas há uma questão central que tem passado ao lado da maior parte das análises: que aprendemos nós realmente com esta crise? Ler o artigo completo...
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Geração Magalhães

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Normalmente, evitaria escrever aqui sobre temas em que estou envolvido profissionalmente. Neste caso, não posso resistir. Desde que o Magalhães foi lançado no fim de Julho, já se escreveram muitos disparates sobre o assunto, mas ontem atingiu-se o pico. Depois de ver as respostas contra a maré do Marco, do Pedro e do Paulo Querido, sinto-me na obrigação de partlhar a minha parte da história.

Há dois anos, Portugal estava claramente dividido ao meio no acesso a computadores e Internet: metade das famílias tinham computador e banda larga, mas a outra metade estava excluída. Foi essa a razão que levou o Governo a avançar com o e-escola porque era claro que o mercado, só por si, não estava a conseguir quebrar essa barreira. Mas não foi fácil desenvolver o e-escola... Durante seis meses foi preciso ultrapassar dúvidas legítimas, montar uma logística complexa e ganhar o entusiasmo de operadores móveis, de fornecedores de hardware e software e das instituições públicas envolvidas em três ministérios diferentes.

Um ano depois, o sucesso do e-escola (já estão mais de 250.000 portáteis entregues a professores, alunos e adultos em formação) demonstrou que Portugal era um parceiro de confiança para iniciativas com esta ambição. Foi isso que criou a oportunidade para o Magalhães e o e-escolinha aparecerem. A Intel, que foi um dos parceiros do e-escola, ofereceu a sua plataforma Classmate como base para atingir o público mais novo. É preciso explicar que o Classmate da Intel não é um modelo de computador, é uma plataforma base sobre a qual os fabricantes podem construir o seu produto, com a sua marca. É por isso que não se encontram “Classmates” à venda, mas sim portáteis 2go e, agora, Magalhães.

Ao longo de meses, definiram-se requisitos para criar o Magalhães, com especificações próprias e, mais importante, garantindo que seria fabricado em Portugal. Não é indiferente importar um produto fabricado na China (como o OLPC) ou criar condições para um consórcio de empresas portuguesas fabricar a máquina cá, incorporando cada vez mais componentes fabricados também em Portugal. É por isso que em vez de se criar uma “simples” fábrica OEM, o Magalhães permitiu que fosse instalado em Portugal o primeiro ODM na Europa. Com o Magalhães, para além da concretização de um programa útil ao país, ganha-se escala para se poder exportar, como o exemplo da venda à Venezuela comprova.

O Magalhães vale mais do que a polémica estéril sobre se era “português”, se era o primeiro ou se tinha os filtros de conteúdo activos - não há programa que substitua o “controlo parental” dos próprios pais! O Magalhães vale pelo brilho que vi ontem nos olhos das crianças que o receberam em Mafra e vale pela oportunidade de acreditarmos e construirmos algo novo em vez de continuarmos a fazer a “autópsia” do que falhou. Vale sobretudo porque coloca o computador e a Internet ao alcance de todas as crianças, e não apenas daqueles que podem pagar os preços de mercado.

Com o e-escola e o e-escolinha, todos os alunos entre os 6 e os 18 anos passaram a ter ao seu alcance um computador com ligação. Estamos a falar, incluindo professores, de 1 milhão e meio de portugueses, cerca de 15% da população. Não há memória de um investimento desta ordem nem há nenhum País que tenha feito nada parecido. É por isso que o que está em causa é investir na nova geração de portugueses para lhes dar as oportunidades que faltaram às anteriores. Penso que foi por essa razão que o Leonel Moura lhes chamou no início de Agosto, numa crónica no Jornal de Negócios, “Geração Magalhães”.

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Saber olhar

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Reparei há pouco, graças a um artigo do Pedro Mexia no Público, que Henri Cartier-Bresson teria feito ontem 100 anos se ainda fosse vivo. Esse artigo não está disponível online, mas este está, tal como incontáveis imagens e biografias repetidas. Não quero acrescentar mais uma...

Para mim, Bresson é simplesmente uma razão muito forte para gostar de fotografia. Não pela sua mestria técnica nem pela sua famosa Leica mas sim pelo contrário, pela simplicidade de reduzir a fotografia à arte de saber olhar e escolher o instante que dá vida a uma imagem parada. E saber olhar é apenas escolher o que se inclui e se exclui da imagem, é encontrar a perspectiva e o ponto de observação que melhor contam a história. Tudo o resto são detalhes técnicos. Indispensáveis, mas claramente secundários.

Qualquer fotógrafo se perde com facilidade na vertigem do equipamento: mais megapíxeis, um zoom mais “potente”, uma objectiva mais “luminosa”... Mas qualquer câmara é apenas uma extensão do olhar, como escreveu Cartier-Bresson há mais de 50 anos. Quanto mais natural for essa extensão, digo eu, maior será a sua capacidade de ver. E basta folhear as páginas de “Um silêncio interior: os retratos de Henri Cartier-Bresson” para se perceber que não há nada mais natural do que a forma como aquele homem olhava...
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O novo "efeito borboleta"

O “efeito borboleta” é um dos aspectos mais célebres da teoria do caos e expressa a ideia de que o bater de asas de uma borboleta sobre Tóquio pode provocar uma tempestade em Nova Iorque. O termo surgiu do trabalho de Edward Lorenz e mostra como pequenas causas podem ter grandes e imprevisíveis efeitos o que, se quisermos simplicar, o que de mais importante temos a aprender com a teoria do caos. Lembro-me disto a propósito de um link que segui esta manhã e que me levou ao “girl effect”, uma espécie de “efeito borboleta” aplicado ao futuro da humanidade... Que efeito pode ter o destino de uma rapariga? Veja em The Girl Effect.

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Paris Hilton responde a McCain

É a notícia do dia, o que quer dizer que estamos mesmo na época dos disparates. Para atacar a popularidade do Barack Obama, McCain disse que ele era só mais uma celebridade como a Britney Spears ou a Paris Hilton... Pois é, não foi simpático. Mas a resposta que recebeu é ‘totally hot’. Se isto não é “política 2.0” onde é que ela está? Happy

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E não é que ainda há quem seja directo?

Encontrei ontem nos blogs muitos comentários ao email interno que o Steve Jobs enviou a todos os colaboradores da Apple a admitir que o lançamento do seu novo serviço online MobileMe correu mal. Já se sabia que correu mesmo mal, mas o que este email tem de especial é que prova que é possível fazer comunicação interna numa grande empresa sendo directo e claro. Em vez de um texto longo e elaborado, Jobs limitou-se a admitir que falhou em 246 palavras (não fui eu que contei), identificando o que não correu bem e o que decidiu fazer em relação ao assunto. Parece simples não é?

Aqui está o texto integral do mail:

mobileme
Team,

The launch of MobileMe was not our finest hour. There are several things we could have done better:

– MobileMe was simply not up to Apple’s standards – it clearly needed more time and testing.

– Rather than launch MobileMe as a monolithic service, we could have launched over-the-air syncing with iPhone to begin with, followed by the web applications one by one – Mail first, followed 30 days later (if things went well with Mail) by Calendar, then 30 days later by Contacts.

– It was a mistake to launch MobileMe at the same time as iPhone 3G, iPhone 2.0 software and the App Store. We all had more than enough to do, and MobileMe could have been delayed without consequence.

We are taking many steps to learn from this experience so that we can grow MobileMe into a service that our customers will love. One step that I can share with you today is that the MobileMe team will now report to Eddy Cue, who will lead all of our internet services – iTunes, the App Store and, starting today, MobileMe. Eddy’s new title will be Vice President, Internet Services and he will now report directly to me.

The MobileMe launch clearly demonstrates that we have more to learn about Internet services. And learn we will. The vision of MobileMe is both exciting and ambitious, and we will press on to make it a service we are all proud of by the end of this year.

Steve

(E sim, este post significa que voltei a escrever...)
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Recuperar o microfone!

Descobri no blog de um amigo um vídeo e depois outro de um apoiante do Barak Obama que me deu a sensação de estar a ver uma transmissão em directo do futuro... Não é só a capacidade de expressão e o conhecimento que passam no primeiro vídeo, é a consciência que ele demonstra da sua própria capacidade de "não estar a dormir" e de poder "recuperar o microfone", ter uma palavra a dizer no seu destino e no do mundo. Ele chama-se Derek, é imigrante naturalizado nos EUA, e diz com uma clareza lapidar que não precisa de esperar pela MTV ou pela CNN para ser ouvido. E tem razão! Apesar de muitos políticos ainda não terem percebido, o tempo dos mass media acabou e vão aparecer cada vez mais "Dereks" capazes de se fazer ouvir. É essa a beleza da "web 2.0"...

Aqui está o segundo vídeo e o que mais me impressionou:



Este é o primeiro vídeo, aquele que surpreendeu toda a gente:



E pronto... Com apoiantes destes, não há forma de resistir ao entusiasmo por Barak Obama, com tudo o que ele representa de esperança para o futuro da humanidade. Esperança que a política pode ser maior do que os lobbies e os interesses instalados, que a política pode dar voz quando há muita gente que tem a mesma coisa a dizer. Essas primárias ele já ganhou. Espero que não perca as outras na secretaria...
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O admirável novo "wiki-mundo"

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Qual é o impacto na economia e nos modelos de negócios das novas formas de colaboração que a Internet tornou possíveis? É essa a questão essencial que Tapscott e Williams procuram responder, relacionando o funcionamento da economia com o desenvolvimento da blogosfera e dos sites wikis, o peso crescente do acesso móvel à Internet e o surgimento de cada vez mais comunidades activas virtuais. O livro leva tão a sério a sua própria mensagem que termina com um convite ao leitores para participarem na sua conclusão no site www.wikinomics.com.Ler o artigo completo...
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A crise financeira está finalmente explicada!

Num dia como hoje, é preciso manter noção da realidade. Afinal que crise é esta? O humor britânico explica... Primeiro, descreve melhor do que qualquer economista o que é realmente a volatilidade dos mercados e a crise do crédito "sub-prime" nos Estados Unidos. Depois das gargalhadas, deixa-nos a pensar com a clareza cortante da última frase... "Não somos nós quem vai sofrer mas sim o seu fundo de pensões!"

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