ideias em série

nada é mais livre que uma ideia

política 2.0

BlogConf 2.0: Francisco Louçã

blogconf150
Pouco mais de uma semana a seguir à primeira BlogConf, o Bloco de Esquerda organizou uma evento similar, colocando Francisco Louçã face a face com um grupo de bloggers. Gostei de ver a naturalidade com que usaram a designação “BlogConf” e a hashtag do Twitter #BlogConf e a lista de participantes foi bastante plural, embora o processo de inscrições (email e mensagem directa no Twitter) não tenha sido tão cristalino como a wiki usada na primeira BlogConf.

O que se comprovou nesta segunda BlogConf é que o tipo de comunicação política é completamente diferente neste formato. Tal como José Sócrates, também Francisco Louçã aproveitou para falar de forma menos crispada e mais natural. A mensagem é que não surpreendeu, por exemplo, quando Louçã confirmou que não se conta com o Bloco para soluções de governo à esquerda. É uma informação importante, sobretudo para as pessoas (conheço várias) que hesitam entre o voto no PS ou no Bloco nas eleições de 27 de Setembro.

Fico muito curioso para ver se Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas ou Jerónimo de Sousa também se mostram disponíveis para uma iniciativa semelhante. É um risco fugir aos interlocutores habituais e responder, em directo, a perguntas inesperadas. Mas quem evita esse risco acaba por revelar a sua insegurança...

Os vídeos foram publicados pelo site do Bloco, mas deixo-os também aqui, na continuação do artigo, com janelas um pouco maiores.Ler o artigo completo...
|

BlogConf 1.0: José Sócrates

blogconf150
Realizou-se ontem a BlogConf, uma iniciativa do Paulo Querido com a minha colaboração e do Jorge Seguro Sanches, que colocou o José Sócrates face a face com outros 20 bloggers, que tiveram toda a liberdade para lhe colocar perguntas e para discutir com ele os mais variados temas durante mais de três horas. O convite foi lançado à blogosfera na sexta-feira e os interessados inscreveram-se no site wiki criado para suportar a iniciativa. Quem esteve presente foi quem primeiro se inscreveu e a lista de participantes impressiona pela pluralidade de opiniões, da esquerda até à direita.

19878712
É a primeira vez que um candidato a primeiro ministro se coloca perante bloggers desta forma. Só por isso, já valeu a pena. As regras do jogo estão a mudar. Para além do exemplo mais óbvio dos blogues, o YouTube, o Twitter ou mesmo o Facebook estão a mudar a forma como temos acesso à informação e como cada um de nós se pode tornar num agente activo dessa mesma comunicação. É natural que os políticos não ignorem isso e só têm a ganhar se o reconhecerem depressa.

Esta mudança também aumenta o grau exigência. Se se olhar para a imprensa escrita, para as reportagens televisivas de ontem à noite ou para alguns blogues, parece que a notícia não é a novidade mas sim a transmissão ao vivo ter falhado... Pois falhou, a lei de Murphy parece gostar mais de atacar coisas novas. Da próxima vez correrá melhor. Contudo, e tal como foi prometido ontem, os vídeos foram colocados online esta manhã pelo site do movimento de campanha de José Sócrates, o Socrates2009.pt. Deixo-os aqui (na continuação do artigo), por ordem, para ser mais fácil percorrer esta maratona de três horas e meia. Ler o artigo completo...
|

As lições da campanha de Obama

14848645
A campanha Obama foi pioneira na utilização dos meios online num contexto político. Não é exagerado dizer que esses meios desempenharam um papel fundamental na eleição de Barack Obama como 44.º Presidente dos Estados Unidos. Basta lembrar que o seu site angariou 500 milhões de dólares, serviu para organizar mais de 100.000 eventos presenciais e deu origem a 20.000 grupos locais.

Ben Self (@bself), sócio fundador da Blue State Digital, esteve em Lisboa ontem, com o seu colega Dan Thain, para partilhar as lições que colheu da sua participação na campanha Obama. O evento, organizado pelo movimento Sócrates 2009, despertou muito interesse online. Por isso, apesar de estar quase tudo online (basta pesquisar #di09 no Twitter), pareceu-me útil partilhar aqui os vídeos e os links que foram apresentados.

#1 - Doar é participar

O acto de doar para uma campanha, mesmo que seja uma pequena quantia, torna quem faz a doação numa pessoa mais empenhada nessa campanha. Não é mais provável que essa pessoa volte a doar como a sua disponibilidade para trabalho voluntário é maior. Com mensagens de correio electrónico eficazes e segmentadas, a campanha pode manter facilmente um contacto próximo com os seus doadores, pedindo-lhes para falar com os vizinhos ou para telefonar a eleitores noutros estados. É assim que uma campanha assente em pequenas doações fica na posse desse colectivo. Vale a pena ver Barack Obama a jantar com quatro dos seus financiadores:



#2 - O YouTube permite um contacto directo

O vídeo anterior mostra uma das oportunidades que o YouTube abre: a comunicação directa com os eleitores, mostrando faces da personalidade do candidato que não são visíveis noutros meios. Qualquer eleitor pode assim conhecer um candidato mais intimamente do que alguma vez for possível. Essa possibilidade liberta os políticos da edição dos ‘mass media’, permitindo-lhes comunicar mensagens mais complexas. Um bom exemplo disso é o famoso discurso de Obama sobre a “raça”, visto por milhões de pessoas apesar de ter uma duração de 38 minutos. Surpreendentemente, as pessoas conseguem ouvir mensagens longas!



#3 - As histórias são fundamentais

E, muitas vezes, os apoiantes podem contar histórias mais convincentes que os próprios candidatos. Por exemplo, este vídeo é a história de um apoiante de Obama, Charles, de Boulder, Colorado, que ganhou um sorteio para se encontrar com o seu candidato.



#4 - As pessoas estão desejosas de participar

Dan Thain partilhou a sua experiência com a campanha HOPE not hate no Reino Unido, um esforço comunitário para combater o BNP, um partido de extrema-direita. Utilizando uma estratégia com base em meios online, a campanha mobilizou 115.000 pessoas, aumentou os donativos em 1200% e acabou por conter o crescimento do BNP das eleições europeias. Num ‘post’ no blog da Blue State Digital, Dan explica, por exemplo, como conseguiram impedir uma acção de campanha do BNP em Liverpool através de uma petição ‘online’. As pessoas estão desejosas de participar, desde que acreditem nas causas...

hopenothate


Outro exemplo de envolvimento dos cidadãos, este citado pelo Ben Self, é o projecto Million Trees in New York City. Também aqui, a tecnologia desempenha um papel de facilitador da interacção:

milliontreesnyc


Esta breve síntese não consegue substituir a emoção que o Ben e o Dan colocaram na apresentação destas ideias. Porém, alguma dessa energia está bem visível nestas entrevistas que estão disponíveis ‘online’:






|

Complexidade e "Governo 2.0"

(Artigo publicado originalmente aqui)

Um tema em destaque esta manhã na conferência Cisco Public Services Summit, em Estocolmo, foi a forma como o mundo se está a tornar “mais complexo” e como está a mudar de forma imprevisível. Mas o que essas afirmação significam realmente, para além de querem dizer que já não é possível fazer de conta que se controla?

3094528657_2782f189f9_m
Durante o almoço, uma pessoa ao meu lado contava como há 10 anos ninguém acreditaria se ele previsse que, hoje, a sua filha de 6 anos fosse capaz de lhe ditar um endereço web, pedindo-lhe para aceder a um site para vestir a sua boneca online. Isso quer dizer, continuou ele, que podemos imaginar qualquer coisa sobre o que vai acontecer dentro de 10 anos porque ninguém faz a menor ideia do que realmente acontecerá.

Isso é complexidade: a noção de que a “ordem” (um padrão) pode resultar da interação em vez de ter origem num plano deliberado. Os termos que usamos para descrever o mundo em mudança em que vivemos (a web 2.0, a ligação permanente, a globalização, etc.) são padrões que emergiram da interacção de milhões de pessoas que criaram em conjunto o seu (e o nosso) futuro através das suas acções e decisões.

Levar a sério a complexidade chama a nossa atenção para a forma como somos interdependentes uns dos outros neste processo de criar em conjunto o futuro. Por um lado, essa ideia tem uma conotação positiva: todos têm uma voz no processo. Mas, por outro lado, esta noção também suscita a ansiedade de não estar “a controlar”.

É difícil para qualquer gestor, no sector público ou privado, reconhecer que ele ou ela não está a controlar o que acontece na sua organização quando, no fim do dia, continua a ser responsável pelos resultados. Acredito que esta tensão, este paradoxo, de ser responsável sem poder controlar, é o que torna mais difícil enfrentar em pleno este mundo complexo, interdependente e ligado.

A própria democracia torna-se profundamente imprevisível, ao evoluir do modelo tradicional em que os cidadãos só têm voz através do voto de 4 em 4 anos para um novo modelo de resposta e interacção constante. Esse é território desconhecido, no qual o que é novo pode surgir mas sem que ninguém controle as consequências dessa novidade. As nossas instituições estão preparadas para esta mudança? A verdade dura é que, preparadas ou não, essa mudança já está a acontecer. A escolha é entre liderar a mudança ou ser vencido por ela...
|

Os seguidores improváveis de Obama

gl-obama-cvr
Não foi certamente por acaso que Jerónimo de Sousa repetiu várias vezes este fim de semana a expressão "sim, é possível" no congresso do PCP. Também não é por acaso que Pedro Passos Coelho está a usar na sua plataforma Construir Ideias as mesmas ferramentas de comunidade web que a campanha de Obama usou (incluindo até o Twitter).

Mas o contributo de Obama para a reinvenção da política não se reduz a expressões mobilizadoras nem a ferramentas online. Penso que o mais importante do caminho que o levou à Casa Branca é a simplicidade e autenticidade do que diz, rompendo com a retórica herdada do parlamentarismo do Século XIX. Foi com esse discurso novo que lhe deu a vitória ao conquistar o entusiasmo e o votos dos “nativos digitais”, jovens adultos informados e habitados a distinguir entre informação verdadeira e tretas.

Pode não ter sido o momento mais importante da campanha, mas vale a pena ver o email que reproduzo abaixo. Foi enviado pela campanha de Obama a todos os que estavam registados no seu site a 25 de Setembro. Em 145 palavras, conseguiu explicar porque era crucial manter o debate com McCain apesar da crise financeira. Frases curtas, simples, directas e com verdade. Essa é lição mais importante que se pode aprender com Obama.

From: info@barackobama.com
Subject: VIDEO: Barack's latest remarks about the economy

This morning Barack called John McCain to suggest a joint statement of principles that would help Congress resolve the immediate financial crisis.

Then John McCain went on television and said he was suspending his campaign and that Friday's presidential debate should be postponed.

Barack spoke about the crisis and took questions from reporters a few hours ago.

He also made it clear that -- with only 40 days left for the American people to decide who will be responsible for leading our economic future -- it is more important than ever that the scheduled debate takes place.

Please take a minute to watch the video of Barack's press conference and share it with your friends:

vid_econ

http://my.barackobama.com/latestremarks

This is an important time, and we have to keep this campaign focused on the crucial issues.

Thank you,

David

David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

|

Geração Magalhães

magalhaes
Normalmente, evitaria escrever aqui sobre temas em que estou envolvido profissionalmente. Neste caso, não posso resistir. Desde que o Magalhães foi lançado no fim de Julho, já se escreveram muitos disparates sobre o assunto, mas ontem atingiu-se o pico. Depois de ver as respostas contra a maré do Marco, do Pedro e do Paulo Querido, sinto-me na obrigação de partlhar a minha parte da história.

Há dois anos, Portugal estava claramente dividido ao meio no acesso a computadores e Internet: metade das famílias tinham computador e banda larga, mas a outra metade estava excluída. Foi essa a razão que levou o Governo a avançar com o e-escola porque era claro que o mercado, só por si, não estava a conseguir quebrar essa barreira. Mas não foi fácil desenvolver o e-escola... Durante seis meses foi preciso ultrapassar dúvidas legítimas, montar uma logística complexa e ganhar o entusiasmo de operadores móveis, de fornecedores de hardware e software e das instituições públicas envolvidas em três ministérios diferentes.

Um ano depois, o sucesso do e-escola (já estão mais de 250.000 portáteis entregues a professores, alunos e adultos em formação) demonstrou que Portugal era um parceiro de confiança para iniciativas com esta ambição. Foi isso que criou a oportunidade para o Magalhães e o e-escolinha aparecerem. A Intel, que foi um dos parceiros do e-escola, ofereceu a sua plataforma Classmate como base para atingir o público mais novo. É preciso explicar que o Classmate da Intel não é um modelo de computador, é uma plataforma base sobre a qual os fabricantes podem construir o seu produto, com a sua marca. É por isso que não se encontram “Classmates” à venda, mas sim portáteis 2go e, agora, Magalhães.

Ao longo de meses, definiram-se requisitos para criar o Magalhães, com especificações próprias e, mais importante, garantindo que seria fabricado em Portugal. Não é indiferente importar um produto fabricado na China (como o OLPC) ou criar condições para um consórcio de empresas portuguesas fabricar a máquina cá, incorporando cada vez mais componentes fabricados também em Portugal. É por isso que em vez de se criar uma “simples” fábrica OEM, o Magalhães permitiu que fosse instalado em Portugal o primeiro ODM na Europa. Com o Magalhães, para além da concretização de um programa útil ao país, ganha-se escala para se poder exportar, como o exemplo da venda à Venezuela comprova.

O Magalhães vale mais do que a polémica estéril sobre se era “português”, se era o primeiro ou se tinha os filtros de conteúdo activos - não há programa que substitua o “controlo parental” dos próprios pais! O Magalhães vale pelo brilho que vi ontem nos olhos das crianças que o receberam em Mafra e vale pela oportunidade de acreditarmos e construirmos algo novo em vez de continuarmos a fazer a “autópsia” do que falhou. Vale sobretudo porque coloca o computador e a Internet ao alcance de todas as crianças, e não apenas daqueles que podem pagar os preços de mercado.

Com o e-escola e o e-escolinha, todos os alunos entre os 6 e os 18 anos passaram a ter ao seu alcance um computador com ligação. Estamos a falar, incluindo professores, de 1 milhão e meio de portugueses, cerca de 15% da população. Não há memória de um investimento desta ordem nem há nenhum País que tenha feito nada parecido. É por isso que o que está em causa é investir na nova geração de portugueses para lhes dar as oportunidades que faltaram às anteriores. Penso que foi por essa razão que o Leonel Moura lhes chamou no início de Agosto, numa crónica no Jornal de Negócios, “Geração Magalhães”.

|

Paris Hilton responde a McCain

É a notícia do dia, o que quer dizer que estamos mesmo na época dos disparates. Para atacar a popularidade do Barack Obama, McCain disse que ele era só mais uma celebridade como a Britney Spears ou a Paris Hilton... Pois é, não foi simpático. Mas a resposta que recebeu é ‘totally hot’. Se isto não é “política 2.0” onde é que ela está? Happy

|

Recuperar o microfone!

Descobri no blog de um amigo um vídeo e depois outro de um apoiante do Barak Obama que me deu a sensação de estar a ver uma transmissão em directo do futuro... Não é só a capacidade de expressão e o conhecimento que passam no primeiro vídeo, é a consciência que ele demonstra da sua própria capacidade de "não estar a dormir" e de poder "recuperar o microfone", ter uma palavra a dizer no seu destino e no do mundo. Ele chama-se Derek, é imigrante naturalizado nos EUA, e diz com uma clareza lapidar que não precisa de esperar pela MTV ou pela CNN para ser ouvido. E tem razão! Apesar de muitos políticos ainda não terem percebido, o tempo dos mass media acabou e vão aparecer cada vez mais "Dereks" capazes de se fazer ouvir. É essa a beleza da "web 2.0"...

Aqui está o segundo vídeo e o que mais me impressionou:



Este é o primeiro vídeo, aquele que surpreendeu toda a gente:



E pronto... Com apoiantes destes, não há forma de resistir ao entusiasmo por Barak Obama, com tudo o que ele representa de esperança para o futuro da humanidade. Esperança que a política pode ser maior do que os lobbies e os interesses instalados, que a política pode dar voz quando há muita gente que tem a mesma coisa a dizer. Essas primárias ele já ganhou. Espero que não perca as outras na secretaria...
|