ideias em série

nada é mais livre que uma ideia

Quatro anos depois

Parece que foi ontem, mas já passaram quatro anos desde que o Plano Tecnológico foi apresentado... Já não estou envolvido profissionalmente na coordenação do Plano Tecnológico, mas não posso deixar de partilhar o privilégio que foi participar nessa aventura que continua a simbolizar a determinação de tornar o nosso País num lugar de maior progresso e desenvolvimento. Deixo os meus parabéns ao Carlos Zorrinho e a toda a fantástica equipa que continua a trabalhar todos os dias para dar uma nova ambição ao Plano Tecnológico.

Aproveito este aniversário para partilhar a apresentação que fiz na semana passada no 8.º Fórum TI, precisamente sobre a minha experiência de quatro anos no Plano Tecnológico e as oportunidades que se abrem para o sector tecnológico em Portugal.

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BlogConf 2.0: Francisco Louçã

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Pouco mais de uma semana a seguir à primeira BlogConf, o Bloco de Esquerda organizou uma evento similar, colocando Francisco Louçã face a face com um grupo de bloggers. Gostei de ver a naturalidade com que usaram a designação “BlogConf” e a hashtag do Twitter #BlogConf e a lista de participantes foi bastante plural, embora o processo de inscrições (email e mensagem directa no Twitter) não tenha sido tão cristalino como a wiki usada na primeira BlogConf.

O que se comprovou nesta segunda BlogConf é que o tipo de comunicação política é completamente diferente neste formato. Tal como José Sócrates, também Francisco Louçã aproveitou para falar de forma menos crispada e mais natural. A mensagem é que não surpreendeu, por exemplo, quando Louçã confirmou que não se conta com o Bloco para soluções de governo à esquerda. É uma informação importante, sobretudo para as pessoas (conheço várias) que hesitam entre o voto no PS ou no Bloco nas eleições de 27 de Setembro.

Fico muito curioso para ver se Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas ou Jerónimo de Sousa também se mostram disponíveis para uma iniciativa semelhante. É um risco fugir aos interlocutores habituais e responder, em directo, a perguntas inesperadas. Mas quem evita esse risco acaba por revelar a sua insegurança...

Os vídeos foram publicados pelo site do Bloco, mas deixo-os também aqui, na continuação do artigo, com janelas um pouco maiores.Ler o artigo completo...
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BlogConf 1.0: José Sócrates

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Realizou-se ontem a BlogConf, uma iniciativa do Paulo Querido com a minha colaboração e do Jorge Seguro Sanches, que colocou o José Sócrates face a face com outros 20 bloggers, que tiveram toda a liberdade para lhe colocar perguntas e para discutir com ele os mais variados temas durante mais de três horas. O convite foi lançado à blogosfera na sexta-feira e os interessados inscreveram-se no site wiki criado para suportar a iniciativa. Quem esteve presente foi quem primeiro se inscreveu e a lista de participantes impressiona pela pluralidade de opiniões, da esquerda até à direita.

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É a primeira vez que um candidato a primeiro ministro se coloca perante bloggers desta forma. Só por isso, já valeu a pena. As regras do jogo estão a mudar. Para além do exemplo mais óbvio dos blogues, o YouTube, o Twitter ou mesmo o Facebook estão a mudar a forma como temos acesso à informação e como cada um de nós se pode tornar num agente activo dessa mesma comunicação. É natural que os políticos não ignorem isso e só têm a ganhar se o reconhecerem depressa.

Esta mudança também aumenta o grau exigência. Se se olhar para a imprensa escrita, para as reportagens televisivas de ontem à noite ou para alguns blogues, parece que a notícia não é a novidade mas sim a transmissão ao vivo ter falhado... Pois falhou, a lei de Murphy parece gostar mais de atacar coisas novas. Da próxima vez correrá melhor. Contudo, e tal como foi prometido ontem, os vídeos foram colocados online esta manhã pelo site do movimento de campanha de José Sócrates, o Socrates2009.pt. Deixo-os aqui (na continuação do artigo), por ordem, para ser mais fácil percorrer esta maratona de três horas e meia. Ler o artigo completo...
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As lições da campanha de Obama

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A campanha Obama foi pioneira na utilização dos meios online num contexto político. Não é exagerado dizer que esses meios desempenharam um papel fundamental na eleição de Barack Obama como 44.º Presidente dos Estados Unidos. Basta lembrar que o seu site angariou 500 milhões de dólares, serviu para organizar mais de 100.000 eventos presenciais e deu origem a 20.000 grupos locais.

Ben Self (@bself), sócio fundador da Blue State Digital, esteve em Lisboa ontem, com o seu colega Dan Thain, para partilhar as lições que colheu da sua participação na campanha Obama. O evento, organizado pelo movimento Sócrates 2009, despertou muito interesse online. Por isso, apesar de estar quase tudo online (basta pesquisar #di09 no Twitter), pareceu-me útil partilhar aqui os vídeos e os links que foram apresentados.

#1 - Doar é participar

O acto de doar para uma campanha, mesmo que seja uma pequena quantia, torna quem faz a doação numa pessoa mais empenhada nessa campanha. Não é mais provável que essa pessoa volte a doar como a sua disponibilidade para trabalho voluntário é maior. Com mensagens de correio electrónico eficazes e segmentadas, a campanha pode manter facilmente um contacto próximo com os seus doadores, pedindo-lhes para falar com os vizinhos ou para telefonar a eleitores noutros estados. É assim que uma campanha assente em pequenas doações fica na posse desse colectivo. Vale a pena ver Barack Obama a jantar com quatro dos seus financiadores:



#2 - O YouTube permite um contacto directo

O vídeo anterior mostra uma das oportunidades que o YouTube abre: a comunicação directa com os eleitores, mostrando faces da personalidade do candidato que não são visíveis noutros meios. Qualquer eleitor pode assim conhecer um candidato mais intimamente do que alguma vez for possível. Essa possibilidade liberta os políticos da edição dos ‘mass media’, permitindo-lhes comunicar mensagens mais complexas. Um bom exemplo disso é o famoso discurso de Obama sobre a “raça”, visto por milhões de pessoas apesar de ter uma duração de 38 minutos. Surpreendentemente, as pessoas conseguem ouvir mensagens longas!



#3 - As histórias são fundamentais

E, muitas vezes, os apoiantes podem contar histórias mais convincentes que os próprios candidatos. Por exemplo, este vídeo é a história de um apoiante de Obama, Charles, de Boulder, Colorado, que ganhou um sorteio para se encontrar com o seu candidato.



#4 - As pessoas estão desejosas de participar

Dan Thain partilhou a sua experiência com a campanha HOPE not hate no Reino Unido, um esforço comunitário para combater o BNP, um partido de extrema-direita. Utilizando uma estratégia com base em meios online, a campanha mobilizou 115.000 pessoas, aumentou os donativos em 1200% e acabou por conter o crescimento do BNP das eleições europeias. Num ‘post’ no blog da Blue State Digital, Dan explica, por exemplo, como conseguiram impedir uma acção de campanha do BNP em Liverpool através de uma petição ‘online’. As pessoas estão desejosas de participar, desde que acreditem nas causas...

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Outro exemplo de envolvimento dos cidadãos, este citado pelo Ben Self, é o projecto Million Trees in New York City. Também aqui, a tecnologia desempenha um papel de facilitador da interacção:

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Esta breve síntese não consegue substituir a emoção que o Ben e o Dan colocaram na apresentação destas ideias. Porém, alguma dessa energia está bem visível nestas entrevistas que estão disponíveis ‘online’:






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As empresas podem ignorar os novos média?

A Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa (APCE) promoveu na semana passada o seu fórum anual, onde se discutiu a importância dos novos média para as estratégias de comunicação das empresas. O tema não podia ser mais actual face à relevância que as redes sociais, os blogs e o Twitter estão a ganhar entre nós.

Coube-me representar o Plano Tecnológico na abertura do fórum e decidi fazer uma intervenção com duas partes distintas. Primeiro, procurei mostrar como o Plano Tecnológico surge da necessidade de responder a um mundo que atravessa um período de mudança sem precedentes. Em seguida, não resisti a voltar a defender (como já tinha feito nas páginas do Diário Económico) que o pior erro que as empresas podem fazer é bloquear o acesso dos empregados às redes sociais... As empresas que assim procedem (e são tantas) não ficam só excluídas dessas redes, ficam cegas, surdas e mudas em relação ao que lá se passa...

Para demonstrar a importância dos novos média para a comunicação empresarial, escolhi dois exemplos: a utilização do Twitter pela Comcast para inovar na relação com os clientes e a forma como a Domino's Pizza respondeu através das redes sociais a um vídeo que podia ser devastador para a marca.

Pouco tempo antes da hora de início da sessão, decidi partilhar através do Twitter o que pretendia dizer. O tema suscitou respostas e decidi pedir outras sugestões, para além dos dois casos que já tinha em mente. A reacção fala por si e demonstra, para quem ainda precisar de provas, como é que estes meios nos podem aproximar uns aos outros:

Rui Grilo: What's the role of new media in the internal communication strategies? This afternoon in Lisbon - http://www.apce.pt 2:09 PM Apr 28th from Gravity
Rui Grilo: I'll be speaking at the opening session http://apce.pt - a good opportunity to say again: companies, stop blocking social networks! 2:11 PM Apr 28th from Gravity
sherpas: @rgrilo tenho de me disponibilizar... um dia! Questão de... actualização de "saberes" tão escassos... nas estratégias dos média actuais! 2:12 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
ananeves: @rgrilo que pena! adorava estar presente e só soube do evento agora com este seu tweet Sad 2:15 PM Apr 28th from TweetDeck in reply to rgrilo
MariaSpinola: RT @rgrilo speaking at the opening session http://apce.pt - a good opportunity to say again: companies, stop blocking social networks! 2:16 PM Apr 28th from web
hugodom: Couldn't agree more! RT @rgrilo: http://apce.pt - a good opportunity to say again: companies, stop blocking social networks! 2:16 PM Apr 28th from DestroyTwitter
Rui Grilo: @ananeves Está visto que a APCE tem que usar mais os novos média para promover os eventos... Winking 2:19 PM Apr 28th from Gravity in reply to ananeves
sherpas: @rgrilo muitos jornais/televisões... sentem ameaça, menos interessantes do que redes! Não podem parar... "intervenção directa das gentes"! 2:19 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
Rui Grilo: @sherpas Absolutamente! E as empresas que ignorem os novos média ficam cegas, surdas e mudas face ao que acontece aí! 2:21 PM Apr 28th from Gravity in reply to sherpas
ananeves: @rgrilo pois, parece mesmo que sim. Espero que seja um bom evento e fico a aguardar os tweets de quem estiver presente 2:21 PM Apr 28th from TweetDeck in reply to rgrilo
pgsimoes: MUITO BEM RT: @rgrilo: I'll be speaking at http://apce.pt - a good opportunity to say: companies, stop blocking social networks! 2:21 PM Apr 28th from TwitterFox
Rui Grilo: At http://apce.pt forum, I'll quote Comcast http://tinyurl.com/comcast-twt and Domino'sPizza http://tinyurl.com/domino-pq (pt) +suggestions? 2:23 PM Apr 28th from Gravity
ananeves: @rgrilo check out "Naked Pizza puts up Twitter billboard" http://tinyurl.com/cy3oet (via @KursaalTom, @woonyOstend) 2:26 PM Apr 28th from TweetDeck in reply to rgrilo
MariaSpinola: @rgrilo em http://www.twibes.com/group... encontras "bons e maus" exemplos 2:27 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
MariaSpinola: @rgrilo Bom exemplo: From "Dell Hell" To "Dell That Gets Social Media Listening and Engagement: http://www.dell.com/twitter 2:27 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
MariaSpinola: @rgrilo Mais um bom exemplo: Apple apologizes for Baby Shaker: http://tinyurl.com/czplpe ( see also http://tinyurl.com/crjwh8 ) 2:27 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
ananeves: @rgrilo dê tb uma olhada no texto http://tiny.cc/9ZFVY e nos comentários que oferecem mais alguns links interessantes 2:29 PM Apr 28th from TweetDeck in reply to rgrilo
MariaSpinola: @rgrilo Mau exemplo Amazon's Silent Mistake in the Face of a Social-Media Firestorm: http://adage.com/digitalnex... 2:30 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
josebaldino: RT @GoUp para apoiar @rgrilo A good post how social media change the rules of the marketplace. http://migre.me/JNa2:30 PM Apr 28th from web
sherpas: @rgrilo há mais de quatro, cinco, seis anitos atrás... ou mais, que m´apercebi disso mesmo, não sendo "expert" no assunto, meu caro! lol 2:33 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
MariaSpinola: @rgrilo e mais um exemplo de como provocar uma "tempestade" nas redes sociais: http://tinyurl.com/dllffw 2:34 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
joaovc: @rgrilo how about Petrogal? 2:36 PM Apr 28th from Tweetie in reply to rgrilo
sherpas: @rgrilo no anterior "post"... foram "mais" a "mais"!!!... Por vezes... excedo-me, tal como muitos/as!!!... lol 2:37 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
Rui Grilo: @ananeves Obrigado Ana. 2:38 PM Apr 28th from Gravity in reply to ananeves
Rui Grilo: Muito obrigado a todos! @ananeves @sherpas @joaovc @josebaldino @GoUp @MariaSpinola - consegui incluir os vossos links na apresentação 2:50 PM Apr 28th from Gravity
sherpas: @rgrilo "honrado"... me sinto!!!... Não minto!!!... lol 2:53 PM Apr 28th from web in reply to rgrilo
Rui Grilo: @joaovc Inclui o link para o teu artigo Blogs e Twitter 2:55 PM Apr 28th from Gravity in reply to joaovc
Rui Grilo: Vai começar... Happy 2:56 PM Apr 28th from Gravity

Obrigado a todos os que interagiram comigo nesse dia e, tal como prometi, aqui fica a apresentação que usei na abertura do fórum. O novo slide com as sugestões que recebi é o número 26:


[Post publicado originalmente no
Criar2009]
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Mundos tão reais como o nosso

Estive recentemente numa conferência onde ouvi John Seely Brown (antigo “chief scientist” da Xerox Corporation) argumentar sobre a importância que os jogos podem ter para o desenvolvimento das capacidades das pessoas na gestão de tarefas complexas e do trabalho em grupo. Ele usou o World of Warcraft como exemplo da forma como os jogos online podem ajudar a desenvolver essas competências. Bem... Eu próprio jogo WoW e gasto (talvez) tempo demais a seguir feeds RSS e de Twitter, mas a forma como estamos a começar a “respirar” tecnologia deixa-me um sentimento desconfortável. Um mundo no qual seja impossível distinguir o real do virtual parece estar ao nosso alcance. Até a ligação directa do cérebro a máquinas está mais avançada do que se imaginaria possível. Estarão a aproximar-se os pesadelos do The Matrix ou do eXistenZ ou sou eu que tenho visto ficção científica a mais? Veja este vídeo. Deixou-me a pensar...

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Como peças de dominó...

Na sexta-feira à noite pudemos assistir a um momento único de fusão de meios de comunicação e difusão viral. Os Contemporâneos (que estão a ganhar pontos e a aproveitar o momento menos inspirado dos Gatos) tiveram um rasgo de criatividade com uma paródia às músicas de solidariedade natalícias. “Salvem os ricos”: humor corrosivo, bons convidados, boas imitações e um tema actual. Poucos minutos depois, o vídeo estava no YouTube, com direito a links no Twitter, muitos posts em blogs e destaque na homepage do site do Bloco de Esquerda. Hoje, na última página do Público, apareceu a cereja em cima do bolo com a crónica de Rui Tavares. Num par de dias, os Contemporâneos e o seu sketch chegaram praticamente a toda a gente. Se é dos poucos que ainda não o viu, vale a pena vê-lo aqui enquanto nos conseguimos rir com a crise:



Mas a história será assim tão simples como os cartazes do Bloco espalhados por Lisboa nos querem fazer crer? O dinheiro dos nossos impostos está mesmo a servir para “salvar os milionários”? Ou seja, seria preferível ter deixado que os bancos em dificuldades fossem à falência?

A nossa economia respira através do sistema bancário e este vive da confiança. No instante em que metade dos depositantes quisessem levantar o dinheiro das suas contas, todos os bancos, sem excepção, entravam em ruptura e a maior parte das pessoas perderia o seu dinheiro. Todos os agentes financeiros dependem uns dos outros porque quando a confiança se rompe é todo o sistema que se desmorona... Sem depósitos, os bancos não têm dinheiro para emprestar, sem esse dinheiro não há consumo nem investimento, as bolsas afundam-se, as empresas e as famílias não compram. Sem consumo as empresas fecham e despedem os trabalhadores, reforçando o efeito num ciclo vicioso. Foi assim que aconteceu nos anos 30 e é assim que uma crise abstracta da alta finança se torna num problema para nós todos. É isso que o governo devia deixar acontecer?

Outro facto que fica esquecido é que, por enquanto, o dinheiro dos nossos impostos não foi para lado nenhum. Se tivesse ido, o défice orçamental de 2008 tinha disparado em vez de se manter nos 2,2% do PIB. Até agora, o que o Estado deu foram avais e garantias, ou seja, o Estado assumiu que, se os bancos não puderem pagar uns aos outros, o Estado paga. Mesmo a indemnização pela nacionalização do BPN depende da responsabilidade de quem o geria. Só num cenário catastrófico é que o Estado terá que transformar garantias em dinheiro e, mesmo assim, fica com direito aos activos dos incumpridores, como o edifício do BPP que serve de garantia real ao aval do Tesouro. O que esta intervenção dá aos bancos é confiança, não é dinheiro...

Claro que esta é uma ocasião fabulosa para a boa inspiração humorística e para o mau oportunismo político. Também é uma boa altura para não ficarmos satisfeitos com uma análise superficial do que está a acontecer. Este vídeo que encontrei no blog de um amigo não nos deixa a rir mas explica muito bem o problema. Agora só temos que esperar que aquilo que os governos por esse mundo fora estão a fazer seja suficiente para não cairmos todos como peças de dominó...

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Complexidade e "Governo 2.0"

(Artigo publicado originalmente aqui)

Um tema em destaque esta manhã na conferência Cisco Public Services Summit, em Estocolmo, foi a forma como o mundo se está a tornar “mais complexo” e como está a mudar de forma imprevisível. Mas o que essas afirmação significam realmente, para além de querem dizer que já não é possível fazer de conta que se controla?

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Durante o almoço, uma pessoa ao meu lado contava como há 10 anos ninguém acreditaria se ele previsse que, hoje, a sua filha de 6 anos fosse capaz de lhe ditar um endereço web, pedindo-lhe para aceder a um site para vestir a sua boneca online. Isso quer dizer, continuou ele, que podemos imaginar qualquer coisa sobre o que vai acontecer dentro de 10 anos porque ninguém faz a menor ideia do que realmente acontecerá.

Isso é complexidade: a noção de que a “ordem” (um padrão) pode resultar da interação em vez de ter origem num plano deliberado. Os termos que usamos para descrever o mundo em mudança em que vivemos (a web 2.0, a ligação permanente, a globalização, etc.) são padrões que emergiram da interacção de milhões de pessoas que criaram em conjunto o seu (e o nosso) futuro através das suas acções e decisões.

Levar a sério a complexidade chama a nossa atenção para a forma como somos interdependentes uns dos outros neste processo de criar em conjunto o futuro. Por um lado, essa ideia tem uma conotação positiva: todos têm uma voz no processo. Mas, por outro lado, esta noção também suscita a ansiedade de não estar “a controlar”.

É difícil para qualquer gestor, no sector público ou privado, reconhecer que ele ou ela não está a controlar o que acontece na sua organização quando, no fim do dia, continua a ser responsável pelos resultados. Acredito que esta tensão, este paradoxo, de ser responsável sem poder controlar, é o que torna mais difícil enfrentar em pleno este mundo complexo, interdependente e ligado.

A própria democracia torna-se profundamente imprevisível, ao evoluir do modelo tradicional em que os cidadãos só têm voz através do voto de 4 em 4 anos para um novo modelo de resposta e interacção constante. Esse é território desconhecido, no qual o que é novo pode surgir mas sem que ninguém controle as consequências dessa novidade. As nossas instituições estão preparadas para esta mudança? A verdade dura é que, preparadas ou não, essa mudança já está a acontecer. A escolha é entre liderar a mudança ou ser vencido por ela...
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Os seguidores improváveis de Obama

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Não foi certamente por acaso que Jerónimo de Sousa repetiu várias vezes este fim de semana a expressão "sim, é possível" no congresso do PCP. Também não é por acaso que Pedro Passos Coelho está a usar na sua plataforma Construir Ideias as mesmas ferramentas de comunidade web que a campanha de Obama usou (incluindo até o Twitter).

Mas o contributo de Obama para a reinvenção da política não se reduz a expressões mobilizadoras nem a ferramentas online. Penso que o mais importante do caminho que o levou à Casa Branca é a simplicidade e autenticidade do que diz, rompendo com a retórica herdada do parlamentarismo do Século XIX. Foi com esse discurso novo que lhe deu a vitória ao conquistar o entusiasmo e o votos dos “nativos digitais”, jovens adultos informados e habitados a distinguir entre informação verdadeira e tretas.

Pode não ter sido o momento mais importante da campanha, mas vale a pena ver o email que reproduzo abaixo. Foi enviado pela campanha de Obama a todos os que estavam registados no seu site a 25 de Setembro. Em 145 palavras, conseguiu explicar porque era crucial manter o debate com McCain apesar da crise financeira. Frases curtas, simples, directas e com verdade. Essa é lição mais importante que se pode aprender com Obama.

From: info@barackobama.com
Subject: VIDEO: Barack's latest remarks about the economy

This morning Barack called John McCain to suggest a joint statement of principles that would help Congress resolve the immediate financial crisis.

Then John McCain went on television and said he was suspending his campaign and that Friday's presidential debate should be postponed.

Barack spoke about the crisis and took questions from reporters a few hours ago.

He also made it clear that -- with only 40 days left for the American people to decide who will be responsible for leading our economic future -- it is more important than ever that the scheduled debate takes place.

Please take a minute to watch the video of Barack's press conference and share it with your friends:

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http://my.barackobama.com/latestremarks

This is an important time, and we have to keep this campaign focused on the crucial issues.

Thank you,

David

David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

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Pios fractais

As teorias da complexidade fascinam-me desde que andava na escola secundária. Para além da beleza da geometria fractal, o que me cativou na complexidade foi a noção de que algo de radicalmente novo pode emergir das interacções normais do dia-a-dia. Acredito que a web está a facilitar a interacção humana de uma forma que torna cada vez mais óbvios os processos de aparecimento de padrões emergentes.

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Um exemplo: o Twitter, que já mencionei no último artigo. Na base, é um serviço muito simples para criar “microblogues”: cada um de nós tem 140 caracteres para responder à questão “o que estás a fazer?”. Parece simples, não é? Mas a seguir escolhemos quem seguimos (como se subscrevêssemos um feed RSS) e as pessoas que seguimos, se nos conhecerem, podem passar a seguir-nos também. Vendo a quem as pessoas que seguimos respondem, descobrimos mais pessoas que queremos seguir e, em pouco tempo, surge espontaneamente um grupo de gente que fala entre si, uma comunidade emergente. Então, empresas de software e políticos (Barack Obama, por exemplo) começam a usá-lo para estabelecer uma ligação directa com os seus utilizadores e votantes. Utilizando a plataforma aberta do Twitter, programadores começam a fazer (e a vender) programas para tornar mais fácil a sua utilização e ligação a outros serviços. A utilização cresce e o Twitter ganha cada vez mais seguidores enquanto novos padrões continuam a emergir, sem um plano prévio ou uma intenção clara.

É isto que a “web 2.0” significa realmente para mim. Depois de acabar de ler o último livro do Don Tapscott (Grown Up Digital), acredito que está a acontecer alguma coisa realmente significativa: uma nova geração de pessoas (dos 20 aos 30 e tal) estão a usar a tecnologia de uma forma diferente porque se libertaram: a tecnologia para eles é como o ar, não lhe dão demasiada atenção mas utilizam-na com toda a naturalidade!

Actualização - Depois de publicar este artigo, descobri algumas opiniões interessantes sobre o Twitter:
Porque é que o Tim O'Reilly gosta do Twitter
Uma lista de ferramentas para explorar o Twitter, pelo Diogo Vasconcelos
O Twitter como ferramenta de governo electrónico
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Software à la carte

Uma das coisas que mais me impressiona em torno do sistema operativo da Apple, o Mac OS X, é a quantidade e qualidade do software produzido em open source ou por pequenas empresas que depois vendem os seus programas por qualquer coisa entre 10 e 50 dólares.

A última “pequena maravilha” que descobri foi o EventBox, um programinha que faz uma coisa muito simples: junta no mesmo programa e interface as redes e grupos sociais em que participamos. Assim, podemos agregar a actividade do Twitter, do Flickr e do Facebook (entre outros) e ainda juntar tudo o que tenha feed RSS.

Uma curiosidade do processo é que a equipa que está a desenvolver o projecto usa o Twitter para manter os clientes a par do que está a fazer. Mais do que isso, usam o Twitter para interagir e ouvir os clientes. Assim, resolver bugs, explicar problemas e decidir que novas funcionalidades vão ser desenvolvidas torna-se num processo interactivo que podemos acompanhar ao vivo. É o verdadeiro software à la carte!

EventBox
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Geração Magalhães

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Normalmente, evitaria escrever aqui sobre temas em que estou envolvido profissionalmente. Neste caso, não posso resistir. Desde que o Magalhães foi lançado no fim de Julho, já se escreveram muitos disparates sobre o assunto, mas ontem atingiu-se o pico. Depois de ver as respostas contra a maré do Marco, do Pedro e do Paulo Querido, sinto-me na obrigação de partlhar a minha parte da história.

Há dois anos, Portugal estava claramente dividido ao meio no acesso a computadores e Internet: metade das famílias tinham computador e banda larga, mas a outra metade estava excluída. Foi essa a razão que levou o Governo a avançar com o e-escola porque era claro que o mercado, só por si, não estava a conseguir quebrar essa barreira. Mas não foi fácil desenvolver o e-escola... Durante seis meses foi preciso ultrapassar dúvidas legítimas, montar uma logística complexa e ganhar o entusiasmo de operadores móveis, de fornecedores de hardware e software e das instituições públicas envolvidas em três ministérios diferentes.

Um ano depois, o sucesso do e-escola (já estão mais de 250.000 portáteis entregues a professores, alunos e adultos em formação) demonstrou que Portugal era um parceiro de confiança para iniciativas com esta ambição. Foi isso que criou a oportunidade para o Magalhães e o e-escolinha aparecerem. A Intel, que foi um dos parceiros do e-escola, ofereceu a sua plataforma Classmate como base para atingir o público mais novo. É preciso explicar que o Classmate da Intel não é um modelo de computador, é uma plataforma base sobre a qual os fabricantes podem construir o seu produto, com a sua marca. É por isso que não se encontram “Classmates” à venda, mas sim portáteis 2go e, agora, Magalhães.

Ao longo de meses, definiram-se requisitos para criar o Magalhães, com especificações próprias e, mais importante, garantindo que seria fabricado em Portugal. Não é indiferente importar um produto fabricado na China (como o OLPC) ou criar condições para um consórcio de empresas portuguesas fabricar a máquina cá, incorporando cada vez mais componentes fabricados também em Portugal. É por isso que em vez de se criar uma “simples” fábrica OEM, o Magalhães permitiu que fosse instalado em Portugal o primeiro ODM na Europa. Com o Magalhães, para além da concretização de um programa útil ao país, ganha-se escala para se poder exportar, como o exemplo da venda à Venezuela comprova.

O Magalhães vale mais do que a polémica estéril sobre se era “português”, se era o primeiro ou se tinha os filtros de conteúdo activos - não há programa que substitua o “controlo parental” dos próprios pais! O Magalhães vale pelo brilho que vi ontem nos olhos das crianças que o receberam em Mafra e vale pela oportunidade de acreditarmos e construirmos algo novo em vez de continuarmos a fazer a “autópsia” do que falhou. Vale sobretudo porque coloca o computador e a Internet ao alcance de todas as crianças, e não apenas daqueles que podem pagar os preços de mercado.

Com o e-escola e o e-escolinha, todos os alunos entre os 6 e os 18 anos passaram a ter ao seu alcance um computador com ligação. Estamos a falar, incluindo professores, de 1 milhão e meio de portugueses, cerca de 15% da população. Não há memória de um investimento desta ordem nem há nenhum País que tenha feito nada parecido. É por isso que o que está em causa é investir na nova geração de portugueses para lhes dar as oportunidades que faltaram às anteriores. Penso que foi por essa razão que o Leonel Moura lhes chamou no início de Agosto, numa crónica no Jornal de Negócios, “Geração Magalhães”.

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Paris Hilton responde a McCain

É a notícia do dia, o que quer dizer que estamos mesmo na época dos disparates. Para atacar a popularidade do Barack Obama, McCain disse que ele era só mais uma celebridade como a Britney Spears ou a Paris Hilton... Pois é, não foi simpático. Mas a resposta que recebeu é ‘totally hot’. Se isto não é “política 2.0” onde é que ela está? Happy

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Recuperar o microfone!

Descobri no blog de um amigo um vídeo e depois outro de um apoiante do Barak Obama que me deu a sensação de estar a ver uma transmissão em directo do futuro... Não é só a capacidade de expressão e o conhecimento que passam no primeiro vídeo, é a consciência que ele demonstra da sua própria capacidade de "não estar a dormir" e de poder "recuperar o microfone", ter uma palavra a dizer no seu destino e no do mundo. Ele chama-se Derek, é imigrante naturalizado nos EUA, e diz com uma clareza lapidar que não precisa de esperar pela MTV ou pela CNN para ser ouvido. E tem razão! Apesar de muitos políticos ainda não terem percebido, o tempo dos mass media acabou e vão aparecer cada vez mais "Dereks" capazes de se fazer ouvir. É essa a beleza da "web 2.0"...

Aqui está o segundo vídeo e o que mais me impressionou:



Este é o primeiro vídeo, aquele que surpreendeu toda a gente:



E pronto... Com apoiantes destes, não há forma de resistir ao entusiasmo por Barak Obama, com tudo o que ele representa de esperança para o futuro da humanidade. Esperança que a política pode ser maior do que os lobbies e os interesses instalados, que a política pode dar voz quando há muita gente que tem a mesma coisa a dizer. Essas primárias ele já ganhou. Espero que não perca as outras na secretaria...
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É este o livro do futuro?

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Era inevitável que a Amazon avançasse para o terreno dos livros electrónicos mas tenho dúvidas que seja desta que os livros em papel corram o risco de ficar obsoletos... Ainda assim, é verdade que o novo leitor de e-books da Amazon, o Kindle, parece ter alguns argumentos. É leve, tem bom contraste, os livros são relativamente baratos e parece ser fácil de usar navegando pelas opções. Pelo contrário, é caro (US$399), não tem um design extraordinário e a forma de ligação à rede é estranha usa a rede móvel mas não percebi muito bem como nem onde... Por enquanto vou continuar com o velho cheiro a papel e tinta, continuando a usar o telemóvel para uns livros comprados na Mobipocket. Happy
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