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nada é mais livre que uma ideia

As lições da campanha de Obama

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A campanha Obama foi pioneira na utilização dos meios online num contexto político. Não é exagerado dizer que esses meios desempenharam um papel fundamental na eleição de Barack Obama como 44.º Presidente dos Estados Unidos. Basta lembrar que o seu site angariou 500 milhões de dólares, serviu para organizar mais de 100.000 eventos presenciais e deu origem a 20.000 grupos locais.

Ben Self (@bself), sócio fundador da Blue State Digital, esteve em Lisboa ontem, com o seu colega Dan Thain, para partilhar as lições que colheu da sua participação na campanha Obama. O evento, organizado pelo movimento Sócrates 2009, despertou muito interesse online. Por isso, apesar de estar quase tudo online (basta pesquisar #di09 no Twitter), pareceu-me útil partilhar aqui os vídeos e os links que foram apresentados.

#1 - Doar é participar

O acto de doar para uma campanha, mesmo que seja uma pequena quantia, torna quem faz a doação numa pessoa mais empenhada nessa campanha. Não é mais provável que essa pessoa volte a doar como a sua disponibilidade para trabalho voluntário é maior. Com mensagens de correio electrónico eficazes e segmentadas, a campanha pode manter facilmente um contacto próximo com os seus doadores, pedindo-lhes para falar com os vizinhos ou para telefonar a eleitores noutros estados. É assim que uma campanha assente em pequenas doações fica na posse desse colectivo. Vale a pena ver Barack Obama a jantar com quatro dos seus financiadores:



#2 - O YouTube permite um contacto directo

O vídeo anterior mostra uma das oportunidades que o YouTube abre: a comunicação directa com os eleitores, mostrando faces da personalidade do candidato que não são visíveis noutros meios. Qualquer eleitor pode assim conhecer um candidato mais intimamente do que alguma vez for possível. Essa possibilidade liberta os políticos da edição dos ‘mass media’, permitindo-lhes comunicar mensagens mais complexas. Um bom exemplo disso é o famoso discurso de Obama sobre a “raça”, visto por milhões de pessoas apesar de ter uma duração de 38 minutos. Surpreendentemente, as pessoas conseguem ouvir mensagens longas!



#3 - As histórias são fundamentais

E, muitas vezes, os apoiantes podem contar histórias mais convincentes que os próprios candidatos. Por exemplo, este vídeo é a história de um apoiante de Obama, Charles, de Boulder, Colorado, que ganhou um sorteio para se encontrar com o seu candidato.



#4 - As pessoas estão desejosas de participar

Dan Thain partilhou a sua experiência com a campanha HOPE not hate no Reino Unido, um esforço comunitário para combater o BNP, um partido de extrema-direita. Utilizando uma estratégia com base em meios online, a campanha mobilizou 115.000 pessoas, aumentou os donativos em 1200% e acabou por conter o crescimento do BNP das eleições europeias. Num ‘post’ no blog da Blue State Digital, Dan explica, por exemplo, como conseguiram impedir uma acção de campanha do BNP em Liverpool através de uma petição ‘online’. As pessoas estão desejosas de participar, desde que acreditem nas causas...

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Outro exemplo de envolvimento dos cidadãos, este citado pelo Ben Self, é o projecto Million Trees in New York City. Também aqui, a tecnologia desempenha um papel de facilitador da interacção:

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Esta breve síntese não consegue substituir a emoção que o Ben e o Dan colocaram na apresentação destas ideias. Porém, alguma dessa energia está bem visível nestas entrevistas que estão disponíveis ‘online’:






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Os seguidores improváveis de Obama

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Não foi certamente por acaso que Jerónimo de Sousa repetiu várias vezes este fim de semana a expressão "sim, é possível" no congresso do PCP. Também não é por acaso que Pedro Passos Coelho está a usar na sua plataforma Construir Ideias as mesmas ferramentas de comunidade web que a campanha de Obama usou (incluindo até o Twitter).

Mas o contributo de Obama para a reinvenção da política não se reduz a expressões mobilizadoras nem a ferramentas online. Penso que o mais importante do caminho que o levou à Casa Branca é a simplicidade e autenticidade do que diz, rompendo com a retórica herdada do parlamentarismo do Século XIX. Foi com esse discurso novo que lhe deu a vitória ao conquistar o entusiasmo e o votos dos “nativos digitais”, jovens adultos informados e habitados a distinguir entre informação verdadeira e tretas.

Pode não ter sido o momento mais importante da campanha, mas vale a pena ver o email que reproduzo abaixo. Foi enviado pela campanha de Obama a todos os que estavam registados no seu site a 25 de Setembro. Em 145 palavras, conseguiu explicar porque era crucial manter o debate com McCain apesar da crise financeira. Frases curtas, simples, directas e com verdade. Essa é lição mais importante que se pode aprender com Obama.

From: info@barackobama.com
Subject: VIDEO: Barack's latest remarks about the economy

This morning Barack called John McCain to suggest a joint statement of principles that would help Congress resolve the immediate financial crisis.

Then John McCain went on television and said he was suspending his campaign and that Friday's presidential debate should be postponed.

Barack spoke about the crisis and took questions from reporters a few hours ago.

He also made it clear that -- with only 40 days left for the American people to decide who will be responsible for leading our economic future -- it is more important than ever that the scheduled debate takes place.

Please take a minute to watch the video of Barack's press conference and share it with your friends:

vid_econ

http://my.barackobama.com/latestremarks

This is an important time, and we have to keep this campaign focused on the crucial issues.

Thank you,

David

David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America

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Paris Hilton responde a McCain

É a notícia do dia, o que quer dizer que estamos mesmo na época dos disparates. Para atacar a popularidade do Barack Obama, McCain disse que ele era só mais uma celebridade como a Britney Spears ou a Paris Hilton... Pois é, não foi simpático. Mas a resposta que recebeu é ‘totally hot’. Se isto não é “política 2.0” onde é que ela está? Happy

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Recuperar o microfone!

Descobri no blog de um amigo um vídeo e depois outro de um apoiante do Barak Obama que me deu a sensação de estar a ver uma transmissão em directo do futuro... Não é só a capacidade de expressão e o conhecimento que passam no primeiro vídeo, é a consciência que ele demonstra da sua própria capacidade de "não estar a dormir" e de poder "recuperar o microfone", ter uma palavra a dizer no seu destino e no do mundo. Ele chama-se Derek, é imigrante naturalizado nos EUA, e diz com uma clareza lapidar que não precisa de esperar pela MTV ou pela CNN para ser ouvido. E tem razão! Apesar de muitos políticos ainda não terem percebido, o tempo dos mass media acabou e vão aparecer cada vez mais "Dereks" capazes de se fazer ouvir. É essa a beleza da "web 2.0"...

Aqui está o segundo vídeo e o que mais me impressionou:



Este é o primeiro vídeo, aquele que surpreendeu toda a gente:



E pronto... Com apoiantes destes, não há forma de resistir ao entusiasmo por Barak Obama, com tudo o que ele representa de esperança para o futuro da humanidade. Esperança que a política pode ser maior do que os lobbies e os interesses instalados, que a política pode dar voz quando há muita gente que tem a mesma coisa a dizer. Essas primárias ele já ganhou. Espero que não perca as outras na secretaria...
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