fotografia:

pequeno manual prático

Utilizam-se filtros para alterar a imagem que é captada, tornando-a artificial ou, pelo contrário, mais fiel ao que o fotógrafo viu com os seus próprios olhos. É fácil cair em imagens artificias de gosto duvidoso com os chamados filtros de “efeitos especiais”, pelo que vale mais a pena que nos centremos nos filtros que alteram a imagem sem a adulterar.

Provavelmente o filtro mais utilizado é o polarizador, um filtro circular que se roda para eliminar uma determinada polaridade de luz. Consegue-se assim atenuar (ou mesmo eliminar) reflexos em superfícies não metálicas e acentuar o azul do céu. Mas deve-se usar com cautela, pois é muito fácil escurecer em excesso o azul do céu, tornando-o artificial. O polarizador é também muito útil para fotografar paisagens naturais, pois ao eliminar os reflexos luminosos das folhas das plantas faz com que a sua cor se veja com mais intensidade. Encontram-se à venda polarizadores lineares e circulares, mas em máquinas com focagem automática só se devem usar estes últimos.

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“La Pedrera”, Barcelona (Nikkon FE2, Nikkor 24mm f/2.8, Kodak Gold 100, Polarizador) Utilizei o polarizador para acentuar o contraste entre a escultura e o céu, mas o efeito foi claramente excessivo.

Os nossos olhos ignoram com facilidade pequenas diferenças na cor da luz existente a que os filmes são muito sensíveis. Por exemplo, um dia encoberto tem uma luz fria, azulada, e a iluminação artificial tende para o vermelho. Os filtros de correcção de cor permitem corrigir estes efeitos facilmente, estando disponíveis em diversas intensidades. Vale a pena ter, pelo menos, o filtro âmbar de aquecimento mais suave (o 81A) para os dias nublados. Caso fotografe frequentemente com luz artificial de incandescência, um filtro 82A (ou B) será também um acessório indispensável para tornar mais realistas as imagens.

Na fotografia a preto-e-branco o filtro de longe mais útil é o vermelho. Em paisagens atenua a neblina e escurece o céu, salientando o recorte das nuvens; no retrato de pessoas disfarça pequenas imperfeições da pele, favorecendo os “modelos”. Os outros filtros para fotografia monocromática (verdes, azuis, amarelos...) parecem-me úteis menos frequentemente, mas o seu funcionamento é muito simples: tornam mais claras as coisas da sua cor e mais escuros os objectos de cores complementares.

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Jardim em Lisboa (Nikon FE2, Nikkor 55mm f/2.8 Micro, Fuji Sensia-II, 81B) A luz difusa do céu encoberto dava uma dominante azulada que se compensou facilmente com um filtro de aquecimento.

Outros filtros que vale a pena experimentar são os graduados de densidade neutra. Permitem, por exemplo, fotografar um céu brilhante sem perder os detalhes do chão, escurecendo o céu, reduzindo dessa forma a amplitude tonal da cena aos limites do filme.

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