Uma imagem com demasiados
pontos de interesse acaba por não atrair a atenção para
nenhum. Por isso uma composição simples é muitas vezes mais
eficaz para transmitir uma ideia ou sensação do que uma
panorâmica confusa que mostra tudo sem realçar nada. A
selecção consciente daquilo que se vai incluir numa
fotografia é um passo fundamental para obter um bom
resultado. Um fotógrafo tem que ser capaz de articular
aquilo que quer mostrar. Se não conseguir explicar porque
quer tirar uma determinada fotografia mais vale pensar
melhor e escolher outro enquadramento.
Depois de definir com exactidão o que se vai fotografar, é
preciso escolher a máquina, o filme e a objectiva. Alguns
assuntos ficam melhor a preto-e-branco, para outros a cor é
fundamental e é preciso um filme que a reproduza fielmente.
A escolha da objectiva também é importante, pois determina
a perspectiva da fotografia: as objectivas de grande
angular aumentam as distâncias aparentes e as
teleobjectivas reduzem-nas. Em seguida, há que escolher o
local a partir do qual se fotografa. Qual será o melhor
ponto de vista, ao nível dos olhos, da cintura ou junto ao
chão? Nas películas de 35mm podemos ainda escolher a
orientação da imagem, na horizontal ou na vertical. Apesar
de ser mais fácil fotografar com a imagem horizontal, todos
os comandos da máquina foram feitos a pensar nessa posição,
vale muitas vezes a pena experimentar a outra opção, pois o
ambiente da fotografia resulta muito diferente.
Perto de
Évora (Nikon FE2,
Nikkor 55mm f/2.8, Ilford XP2 Super) A colocação do
horizonte sobre a linha
que delimita o terço inferior da
imagem, com a casa chegada à direita, reforça a
expressividade da fotografia.
Por último, é preciso
posicionar os objectos dentro do rectângulo. Muitas vezes,
a primeira tendência é colocar aquilo que vai fotografar ao
centro. É onde as máquinas modernas têm o sensor de focagem
automática e é a composição mais simples, puramente
descritiva. Mas uma fotografia viva não se limita a
descrever, interpreta, pelo que devem ser exploradas outras
hipóteses de posicionamento. Uma pista geralmente útil
consiste em colocar as linhas da imagem sobre linhas
imaginárias que dividem a fotografia em três partes
horizontais e verticais. A linha do horizonte, por exemplo,
pode ser colocada sobre a linha que delimita o terço
superior ou inferior do enquadramento, e não ao meio. Um
posicionamento assimétrico do assunto obriga a olhar ao
longo da fotografia e contribui para que quem vê sinta
aquilo que o fotógrafo quis mostrar.
A regra dos
terços – Colocar as
linhas da imagem ao longo das linhas imaginárias
que
dividem o enquadramento em três partes horizontais e
verticais pode ser
um bom ponto de partida mas não deve
limitar a imaginação do fotógrafo.
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