Os nossos olhos conseguem
distinguir muito mais diferenças de tonalidade do que
qualquer filme. Conseguimos olhar para um pôr do Sol sobre
o horizonte distinguindo desde o Sol brilhante até aos
detalhes do chão já na penumbra. Nenhum filme tem uma
amplitude tonal que se compare à dos nossos olhos, que se
estima que seja entre 12 e 13 pontos de exposição. Temos
que saber que um filme negativo tem um amplitude de 7
pontos de exposição e um filme de diapositivos de apenas 5
pontos.
Este conceito de amplitude tonal é útil para percebermos
que quando fotografamos um diapositivo só se conseguirão
distinguir as tonalidades até 2 ½ pontos acima e abaixo da
exposição escolhida. Tudo o que estiver acima desse
intervalo será retratado como branco e o que estiver abaixo
como preto. Só tendo isto em conta podemos decidir quais os
tons que queremos que se possam distinguir e quais aqueles
que são dispensáveis. Por exemplo, cheguei um dia a Burano,
uma pequena ilha junto a Veneza, já depois do pôr do Sol. O
céu encoberto estava muito mais luminoso do que as belas
casas da ilha, mas como dificilmente lá voltaria era uma
oportunidade fotográfica a não perder. Medi a luz e defini
a exposição considerando apenas as casas, reenquadrei e
fotografei, sabendo que conseguiria captar as cores vivas
das casas mas que o céu surgiria como um fundo branco, sem
textura.
Burano,
Itália (Nikon F50,
Sigma 28-70mm f/2.8-4, Kodak Gold 400) Apesar de ter
sido fotografada depois do pôr do Sol, esta imagem
conseguiu reproduzir as cores vivas das casas, sacrificando
os detalhes do céu.
Uma forma de visualizar a
gama tonal que um filme de diapositivo pode registar é
recorrer ao quadro seguinte:
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+ 2 ½
pontos: branco puro
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| + 2
pontos: muito claro
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| + 1 ½
pontos: mais claro
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| + 1
ponto: claro
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| + ½
ponto: levemente claro
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| Valor da
exposição: tom médio
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| - ½
ponto: levemente escuro
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| - 1
ponto: escuro
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| - 1 ½
pontos: mais escuro
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| - 2
pontos: muito escuro
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| - 2 ½
pontos: negro puro
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Quem tiver uma máquina
fotográfica com medição pontual (spot) pode medir
o ponto mais escuro daquilo que vai fotografar e o mais
claro. Se a diferença de exposição entre os dois pontos for
superior à amplitude tonal do filme que estiver a utilizar
vai ter que optar entre perder detalhe nas sombras ou nas
partes mais claras da imagem. Sabendo isto podemos
determinar com grande exactidão o aspecto final de cada
fotografia que tiramos.