Estratégia Instantânea (III) | José Manuel Fonseca |
idéias em série
Estratégia Instantânea (III)
17/03/2008 19:11 Autor: José Manuel
Fonseca
Aqui há umas semanas sugeri que uma boa parte das
estratégias clássicas estão em vias de extinção. Por
exemplo, a dicotomia introduzida pelo Porter, a
escolha entre o produzir barato e em massa ou
produzir diferente e desnatar o mercado, foi,
aparentemente, ultrapassada pelo produzir diferença
para o mercado de massas, como se pode constatar nos
casos da Zara e da Decathelom. Depois, brincado um
pouco com a extraordinária e prolixa pós modernidade
na teoria da gestão, sugeri que a sabedoria contida
em os “três porquinhos gestores" e no "síndrome do
macho alfa”, entre outros, poderia não bastar para
substituir o modelo de crescimento do Igor Ansoff,
que ainda me parece muito útil e talvez o melhor
modelo de raciocínio estratégico. Mas, voltemos então
à questão inicial: A estratégia tornou-se como os
tempos, instantânea. Mas quais serão os novos
vectores de posicionamento?
Desde logo assistimos à desmaterialização das actividades antigamente associadas a transformação de materiais. Uma espécie de rotura entre o produto físico e a marca. “Brands Not Products”. A marca transforma-se num modelo de vida que comporta. O sistema de valores e atitudes que transmite. A experiência e a vivência que permite. A desmaterialização é quase total. Trata-se do que o símbolo nos permite sentir, ver, ser visto, e não no produto material que apenas serve de desculpa para a existência da marca. A marca fica assim associada ao conceito de atitude.
Estar “aqui e agora” é o leitmotiv da estratégia pura e dura. A marca fornece um mecanismo de rápida identificação a uma tribo, como (re)nova(da) categoria sociológica. Tal como os hot spots da noite aparecem e desaparecem com velocidade alucinante mas sem causalidade especial, as tribos aglomeram-se e desfazem-se à luz de conceitos polarizadores que se substituem rapidamente. Os instrumentos da estratégia estão, portanto, também em extinção. Já só nos cursos subsidiados pela união europeia é que se apresentam pela duocentésima milésima sexagésima quinta vez a matriz swot como útil para o quer que seja...
Agora para saber que estratégia é que está na onda para a semana o melhor é ter undercover agents entre o crowd do people... como faz a Nike ou a Tommy Hilfiger. A separação entre diferenciar e massificar pode estar a ser substituída pelo produto singular e despido de todos os morphs tecnológicos e funcionais como o low cost na aviação e os produtos com toda a hibridez do presente como as sapatilhas com leitor de mp3, gps e medidor de batimento cardíaco e dispensador de chewing gums.
Outra dimensão emergente como variável de posicionamento é o espaço. Os espaços em que existem e agem as pessoas, numa qualquer megalopolis. Por exemplo, numa farmácia atingem-se todos as pessoas do segmento maiores de 55 que habitam numa qualquer zona urbana. A partir desta constatação podemos conceber a farmácia como entreposto de satisfação de uma pluralidade de necessidades. Desde o sector de turismo; com organização de excursões, da venda de time sharing em termas, na alimentação; produtos de macrobiótica, ampolas para a memória, calçado ortopédico, colchões ortopédicos, cadeiras anti-escaras...
O espaço em que existem pessoas com mais de vinte e menos de quarenta, profissionais, ainda com a expectativa de alcançar a presidência da Cisco ou da Amazon, podemos fornecer nos healt clubs, alem das tradicionais alimentações saudáveis e bebidas isotónicas, viagens de aventura ou de consciência ecológica e cultural, viagens de recreio, produtos financeiros, ipods e outros bens da linha castanha como aparelhagens de alta fidelidade de marcas norueguesas, cursos de reiki, cursos de misticismo oriental e ocidental e do sul, cursos de equilíbrio do stress, roupas, máquinas de sumos, automóveis. Em breve num shopping center poderemos ter consultas médicas, diagnósticos médicos, frequentar aulas de formação profissional, colocar o correio, depositar dinheiro, comer, ver cinema, bronzear o corpo, fazer step, nadar, reparar o carro, ouvir palestras, comprar tudo o que necessitamos para nos matermos vivos, limpos, frescos, seguros, com menor ansiedade...
Se os leitores analisarem o léxico utilizado nas mensagens da comunicação publicitária verão que em todo o lado há um mercado e todo o momento e todo o lado é um mercado, e nós, homo economicus, homo faber, homo sapiens, existimos enquanto consumidores ... nem que para isso tenhamos de criar mais sub primes....
Desde logo assistimos à desmaterialização das actividades antigamente associadas a transformação de materiais. Uma espécie de rotura entre o produto físico e a marca. “Brands Not Products”. A marca transforma-se num modelo de vida que comporta. O sistema de valores e atitudes que transmite. A experiência e a vivência que permite. A desmaterialização é quase total. Trata-se do que o símbolo nos permite sentir, ver, ser visto, e não no produto material que apenas serve de desculpa para a existência da marca. A marca fica assim associada ao conceito de atitude.
Estar “aqui e agora” é o leitmotiv da estratégia pura e dura. A marca fornece um mecanismo de rápida identificação a uma tribo, como (re)nova(da) categoria sociológica. Tal como os hot spots da noite aparecem e desaparecem com velocidade alucinante mas sem causalidade especial, as tribos aglomeram-se e desfazem-se à luz de conceitos polarizadores que se substituem rapidamente. Os instrumentos da estratégia estão, portanto, também em extinção. Já só nos cursos subsidiados pela união europeia é que se apresentam pela duocentésima milésima sexagésima quinta vez a matriz swot como útil para o quer que seja...
Agora para saber que estratégia é que está na onda para a semana o melhor é ter undercover agents entre o crowd do people... como faz a Nike ou a Tommy Hilfiger. A separação entre diferenciar e massificar pode estar a ser substituída pelo produto singular e despido de todos os morphs tecnológicos e funcionais como o low cost na aviação e os produtos com toda a hibridez do presente como as sapatilhas com leitor de mp3, gps e medidor de batimento cardíaco e dispensador de chewing gums.
Outra dimensão emergente como variável de posicionamento é o espaço. Os espaços em que existem e agem as pessoas, numa qualquer megalopolis. Por exemplo, numa farmácia atingem-se todos as pessoas do segmento maiores de 55 que habitam numa qualquer zona urbana. A partir desta constatação podemos conceber a farmácia como entreposto de satisfação de uma pluralidade de necessidades. Desde o sector de turismo; com organização de excursões, da venda de time sharing em termas, na alimentação; produtos de macrobiótica, ampolas para a memória, calçado ortopédico, colchões ortopédicos, cadeiras anti-escaras...
O espaço em que existem pessoas com mais de vinte e menos de quarenta, profissionais, ainda com a expectativa de alcançar a presidência da Cisco ou da Amazon, podemos fornecer nos healt clubs, alem das tradicionais alimentações saudáveis e bebidas isotónicas, viagens de aventura ou de consciência ecológica e cultural, viagens de recreio, produtos financeiros, ipods e outros bens da linha castanha como aparelhagens de alta fidelidade de marcas norueguesas, cursos de reiki, cursos de misticismo oriental e ocidental e do sul, cursos de equilíbrio do stress, roupas, máquinas de sumos, automóveis. Em breve num shopping center poderemos ter consultas médicas, diagnósticos médicos, frequentar aulas de formação profissional, colocar o correio, depositar dinheiro, comer, ver cinema, bronzear o corpo, fazer step, nadar, reparar o carro, ouvir palestras, comprar tudo o que necessitamos para nos matermos vivos, limpos, frescos, seguros, com menor ansiedade...
Se os leitores analisarem o léxico utilizado nas mensagens da comunicação publicitária verão que em todo o lado há um mercado e todo o momento e todo o lado é um mercado, e nós, homo economicus, homo faber, homo sapiens, existimos enquanto consumidores ... nem que para isso tenhamos de criar mais sub primes....
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