Fobias e estratégia
08/02/2008 19:52 Autor: João Vieira
da Cunha
Há momentos na história dos mercados em que os
gestores são vítimas de fobias histéricas. Estes
episódios tornam oportunidades de reforçar a posição
competitiva da empresa em ameaças à sua
sobrevivência.
O terror que assola os líderes da indústria de conteúdos é talvez o exemplo mais trágico deste fenómeno na história económica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discográficas e dos estúdios de cinema têm pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espaço virtual é como que uma grande ‘feira da ladra dos pequeninos’ onde crianças e jovens se entretêm a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa facturação de cada uma destas indústrias.
Tal como animais encurralados, estas empresas reagem atacando violentamente em todas as direcções com garras legais bem afiadas. As vítimas são adolescentes que partilham música na Internet, como os seus pais faziam. A diferença é que enquanto que a mamã gravava o álbum das Bangles para duas ou três amigas em cassetes de 90 minutos, os filhos disponibilizam a sua vasta colecção de música a milhões de desconhecidos ligados pela auto-estrada da informação.
A violência com que quem vende Garbage, Dan Brown ou Disney impõe os seus direitos através dos tribunais não deve no entanto ser confundida com uma demonstração de força – é uma demonstração de medo.
O terror do papão da Internet tem mantido os líderes da indústria dos conteúdos suficientemente ocupados para permitir a escritores e músicos aproveitar as novas oportunidades deste espaço de comunicação. Estes têm-no feito com uma clarividência e uma criatividade que deveria envergonhar a maioria daqueles que têm a seu cargo a estratégia comercial e competitiva destas empresas.
Muitos autores têm usado a partilha gratuita de texto e música para reforçar a sua posição competitiva. O escritor Paulo Coelho atribui o crescimento das vendas dos seus livros na Rússia a um ritmo de 1000% ao ano durante os primeiros três anos de vendas à sua ideia de criar um site – o Pirate Coelho – com links que permitiam fazer o download gratuito dos seus livros em Russo.
Alguns vêem a Internet como algo mais do que uma forma eficaz de distribuir fotocópias e cassetes pirata. Foi o caso dos Radiohead que colocaram no seu site todas as músicas do seu álbum mais recente, o ‘In Rainbows’, três meses antes de este ter sido lançado em CD. No entanto, em vez de oferecer a sua música de graça, a banda permitiu aos fãs pagar o que quisessem, desde 0 até 150 euros. Mesmo assim, na sua primeira semana nas lojas, ‘In Rainbows’ chegou ao topo das tabelas nos Estados Unidos com 122,323 discos vendidos.
Só depois de vários episódios deste tipo é que as empresas da indústria de conteúdos começam a perceber que o seu verdadeiro desafio não é evitar que uns milhares de adolescentes partilhem música e filmes online, nem é procurar as mesmas oportunidades de negócio que os seus autores descobriram. O seu verdadeiro desafio é olhar para uma mudança como esta não apenas como uma ameaça e uma oportunidade, mas sim como uma descontinuidade na evolução do sector. Os líderes das editoras de livros e discos e dos estúdios de cinema falharam porque deixaram que o medo de uma transição inevitável no mercado se apoderasse deles. Agiram em pânico contra uma mudança que deviam ter aproveitado para iniciar um novo percurso estratégico.
Numa altura em que muitos sectores passam por sérias alterações nas suas bases de criação e apropriação de valor, a fobia que vitimou as empresas de conteúdos deve servir de exemplo para todos aqueles que se sentem tentados a lutar contra o inevitável. Os gestores, especialmente aqueles com responsabilidades estratégicas devem abraçar estes períodos históricos com entusiasmo. É nestas alturas em que os instintos, o conhecimento e a criatividade daqueles que têm o privilégio de liderar os outros realmente importam. É das fissuras abertas pela incerteza que emergem as grandes ideias que mudam as empresas e a vida daqueles que elas servem.
O terror que assola os líderes da indústria de conteúdos é talvez o exemplo mais trágico deste fenómeno na história económica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discográficas e dos estúdios de cinema têm pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espaço virtual é como que uma grande ‘feira da ladra dos pequeninos’ onde crianças e jovens se entretêm a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa facturação de cada uma destas indústrias.
Tal como animais encurralados, estas empresas reagem atacando violentamente em todas as direcções com garras legais bem afiadas. As vítimas são adolescentes que partilham música na Internet, como os seus pais faziam. A diferença é que enquanto que a mamã gravava o álbum das Bangles para duas ou três amigas em cassetes de 90 minutos, os filhos disponibilizam a sua vasta colecção de música a milhões de desconhecidos ligados pela auto-estrada da informação.
A violência com que quem vende Garbage, Dan Brown ou Disney impõe os seus direitos através dos tribunais não deve no entanto ser confundida com uma demonstração de força – é uma demonstração de medo.
O terror do papão da Internet tem mantido os líderes da indústria dos conteúdos suficientemente ocupados para permitir a escritores e músicos aproveitar as novas oportunidades deste espaço de comunicação. Estes têm-no feito com uma clarividência e uma criatividade que deveria envergonhar a maioria daqueles que têm a seu cargo a estratégia comercial e competitiva destas empresas.
Muitos autores têm usado a partilha gratuita de texto e música para reforçar a sua posição competitiva. O escritor Paulo Coelho atribui o crescimento das vendas dos seus livros na Rússia a um ritmo de 1000% ao ano durante os primeiros três anos de vendas à sua ideia de criar um site – o Pirate Coelho – com links que permitiam fazer o download gratuito dos seus livros em Russo.
Alguns vêem a Internet como algo mais do que uma forma eficaz de distribuir fotocópias e cassetes pirata. Foi o caso dos Radiohead que colocaram no seu site todas as músicas do seu álbum mais recente, o ‘In Rainbows’, três meses antes de este ter sido lançado em CD. No entanto, em vez de oferecer a sua música de graça, a banda permitiu aos fãs pagar o que quisessem, desde 0 até 150 euros. Mesmo assim, na sua primeira semana nas lojas, ‘In Rainbows’ chegou ao topo das tabelas nos Estados Unidos com 122,323 discos vendidos.
Só depois de vários episódios deste tipo é que as empresas da indústria de conteúdos começam a perceber que o seu verdadeiro desafio não é evitar que uns milhares de adolescentes partilhem música e filmes online, nem é procurar as mesmas oportunidades de negócio que os seus autores descobriram. O seu verdadeiro desafio é olhar para uma mudança como esta não apenas como uma ameaça e uma oportunidade, mas sim como uma descontinuidade na evolução do sector. Os líderes das editoras de livros e discos e dos estúdios de cinema falharam porque deixaram que o medo de uma transição inevitável no mercado se apoderasse deles. Agiram em pânico contra uma mudança que deviam ter aproveitado para iniciar um novo percurso estratégico.
Numa altura em que muitos sectores passam por sérias alterações nas suas bases de criação e apropriação de valor, a fobia que vitimou as empresas de conteúdos deve servir de exemplo para todos aqueles que se sentem tentados a lutar contra o inevitável. Os gestores, especialmente aqueles com responsabilidades estratégicas devem abraçar estes períodos históricos com entusiasmo. É nestas alturas em que os instintos, o conhecimento e a criatividade daqueles que têm o privilégio de liderar os outros realmente importam. É das fissuras abertas pela incerteza que emergem as grandes ideias que mudam as empresas e a vida daqueles que elas servem.
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