Alternativas ao Homo Economicus | João Vieira da Cunha |
idéias em série
Alternativas ao Homo Economicus
11/04/2008 19:33 Autor: João Vieira
da Cunha
Há um conjunto de trabalhadores em cada empresa que
correspondem às expectativas dos economistas. São os
homo economicus ou busca-bónus: indivíduos que
ajustam o seu comportamento de forma a maximizar o
bónus que resulta do atingimento dos objectivos que
lhes são propostos. A carreira não é a sua
preocupação principal e muitos recusam promoções
porque sabem que a sua competência para atingir
resultados através do seu próprio esforço pode não se
reflectir nas capacidade de os atingir através dos
outros. A sua progressão segue uma lógica meramente
material. Preocupam-se não com o seu desenvolvimento
ou com o nível de desafio das suas tarefas mas sim
com as mudanças no valor do seu bónus e no esforço
necessário para o atingir. Esta orientação para os
resultados pode levar a práticas abusivas de vendas,
pequenas e grandes fraudes e outros comportamentos
não éticos. Pior – a sua motivação para cumprir
objectivos não transborda para as outras áreas da sua
relação com a organização. Não partilham
conhecimento, não estão interessados aprender com os
outros nem contribuem de forma formal ou informal
para a sustentabilidade estratégica da empresa. Estão
lá apenas para cumprir o que lhes é pedido e ganhar
os prémios daí resultantes.
Há, no entanto, outros tipos de pessoas que têm relações muito diferentes com o trabalho.
Os salta-escadas têm como objectivo subir rapidamente para o lugar do chefe do chefe do chefe do chefe. Ascenções vertiginosas deste tipo não se conseguem atingindo os objectivos, trepando a hierarquia a pulso, degrau a degrau. Estes colaboradores não tem paciência para carreiras incrementais. Por isso passa a maior parte do seu tempo a diagnosticar e a usar em seu próprio proveito as redes informais de poder. Tipicamente, estas estrelas têm pouco tempo para se dedicar às tarefas mundanas necessárias ao comprimento dos objectivos que lhes são impostos. O bónus que perdem é um pequeno custo comparado com o salário que esperam alcançar quando finalmente conseguirem estabelecer as relações de influência necessárias ao seu grande salto na carreira.
Os trepa-escadas são mais modestos. Contentam-se com seguir as pisadas de quem os gere. Ocupam as cadeiras que os seus superiores vão deixando vazias à medida que progridem na organização. Estes seguidores profissionais têm grande prazer em ser os ajudantes dos seus líderes. Fazem muitas das tarefas mais administrativas, mais rotineiras e menos gratificantes que integram os deveres e obrigações de quem manda. Pouco a pouco aprendem a gerir com mais eficiência do que eficácia. São uma aposta segura. São um séquito leal com quem os gestores em ascensão podem contar. São os braços das teias informais que existem em todas as empresas. Acumulam em surdina créditos de favores que dificilmente terão vontade e oportunidade de cobrar.
O ganha-pão é o mais curioso deste espécimes, mas infelizmente para os economistas não é o mais raro. Os membros desta categoria não têm nenhuma ambição de carreira nem têm qualquer interesse pelas promessas de bónus milionários. São pessoas que constroem a sua identidade fora do local de trabalho. São o campeão europeu de cartas do Senhor dos Aneis que vende refrigerantes para pagar o seu hobby, o analista financeiro que é um dos avatares mais populares do ‘Second Life’, ou mesmo o operador de call center que é um dos fotógrafos amadores mais promissores da sua geração. A sua ligação com a empresa é muito ténue e o trabalho é apenas um empecilho necessário para sustentar ambições pessoais que têm poucas recompensas económicas.
A pergunta crucial é esta: qual é o mix de trabalhadores em cada empresa? A resposta dita a não só a eficácia da visão e dos incentivos mas também determina a proporção de pessoas sustentam o desempenho da organização. Na única empresa onde passei tempo suficiente para descobrir esta informação, apenas 20% das pessoas eram busca-bónus. Havia 19% de trepa escadas, 1% de salta-escadas e 56% estavan na categoria ganha-pão. Preocupante, não é?
Há, no entanto, outros tipos de pessoas que têm relações muito diferentes com o trabalho.
Os salta-escadas têm como objectivo subir rapidamente para o lugar do chefe do chefe do chefe do chefe. Ascenções vertiginosas deste tipo não se conseguem atingindo os objectivos, trepando a hierarquia a pulso, degrau a degrau. Estes colaboradores não tem paciência para carreiras incrementais. Por isso passa a maior parte do seu tempo a diagnosticar e a usar em seu próprio proveito as redes informais de poder. Tipicamente, estas estrelas têm pouco tempo para se dedicar às tarefas mundanas necessárias ao comprimento dos objectivos que lhes são impostos. O bónus que perdem é um pequeno custo comparado com o salário que esperam alcançar quando finalmente conseguirem estabelecer as relações de influência necessárias ao seu grande salto na carreira.
Os trepa-escadas são mais modestos. Contentam-se com seguir as pisadas de quem os gere. Ocupam as cadeiras que os seus superiores vão deixando vazias à medida que progridem na organização. Estes seguidores profissionais têm grande prazer em ser os ajudantes dos seus líderes. Fazem muitas das tarefas mais administrativas, mais rotineiras e menos gratificantes que integram os deveres e obrigações de quem manda. Pouco a pouco aprendem a gerir com mais eficiência do que eficácia. São uma aposta segura. São um séquito leal com quem os gestores em ascensão podem contar. São os braços das teias informais que existem em todas as empresas. Acumulam em surdina créditos de favores que dificilmente terão vontade e oportunidade de cobrar.
O ganha-pão é o mais curioso deste espécimes, mas infelizmente para os economistas não é o mais raro. Os membros desta categoria não têm nenhuma ambição de carreira nem têm qualquer interesse pelas promessas de bónus milionários. São pessoas que constroem a sua identidade fora do local de trabalho. São o campeão europeu de cartas do Senhor dos Aneis que vende refrigerantes para pagar o seu hobby, o analista financeiro que é um dos avatares mais populares do ‘Second Life’, ou mesmo o operador de call center que é um dos fotógrafos amadores mais promissores da sua geração. A sua ligação com a empresa é muito ténue e o trabalho é apenas um empecilho necessário para sustentar ambições pessoais que têm poucas recompensas económicas.
A pergunta crucial é esta: qual é o mix de trabalhadores em cada empresa? A resposta dita a não só a eficácia da visão e dos incentivos mas também determina a proporção de pessoas sustentam o desempenho da organização. Na única empresa onde passei tempo suficiente para descobrir esta informação, apenas 20% das pessoas eram busca-bónus. Havia 19% de trepa escadas, 1% de salta-escadas e 56% estavan na categoria ganha-pão. Preocupante, não é?
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