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<title>Discutir a Gest&#xe3;o</title><link>http://ideiasemserie.net/index.html</link><description>Painel quinzenal do Di&#xe1;rio Econ&#xf3;mico</description><dc:language>en</dc:language><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><dc:rights>Copyright 2007 Rui Grilo&#x2c; Jos&#xe9; Manuel Fonseca e Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</dc:rights><dc:date>2008-06-30T19:43:58+01:00</dc:date><admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.realmacsoftware.com/" />
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<lastBuildDate>Fri, 04 Jul 2008 11:45:11 +0100</lastBuildDate><item><title>Aprender mais com os maiores erros</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2008-06-30T19:43:58+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/24b27e03c91ea71a3881182acb95a5d0-54.html#unique-entry-id-54</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/24b27e03c91ea71a3881182acb95a5d0-54.html#unique-entry-id-54</guid><content:encoded><![CDATA[Durante a nossa vida procuramos avidamente raz&otilde;es, motivos e causas. Essa busca instintiva ajuda-nos a perceber o mundo que nos rodeia, mas convence-nos que &eacute; atrav&eacute;s de causas simples que produzimos resultados e leva-nos a pensar erradamente que a sociedade em que vivemos resultou de inten&ccedil;&otilde;es precisas e de planos bem detalhados. &Eacute; raro ouvir contar uma hist&oacute;ria de sucesso como uma sequ&ecirc;ncia feliz de acasos bem aproveitados. Em vez disso, o sucesso &eacute; atribu&iacute;do &agrave; vis&atilde;o e &agrave; determina&ccedil;&atilde;o, mascarando a complexidade do que realmente aconteceu com a linearidade de uma hist&oacute;ria contada em tom her&oacute;ico.<br /><br />Porque &eacute; que isso importa? Por uma raz&atilde;o simples. Aquilo que acreditamos ser verdade afecta a forma como agimos e leva-nos a fazer erros. A uma escala suficientemente grande, os resultados desses erros podem ser catastr&oacute;ficos. &Eacute; isso que James C. Scott demonstra no seu livro &ldquo;Seeing like a State&rdquo;. Publicado h&aacute; dez anos, este livro continua perfeitamente actual ao expor como tantas tentativas de engenharia social falharam da mesma forma, ao tentarem substituir a diversidade humana pela conformidade for&ccedil;ada. Foi isso que aconteceu no &ldquo;Grande salto em frente&rdquo; chin&ecirc;s ou na constru&ccedil;&atilde;o da cidade de Bras&iacute;lia.<br /><br />A ideologia comum que Scott encontrou em todos esses falhan&ccedil;os &eacute; a convic&ccedil;&atilde;o de que o &ldquo;progresso&rdquo; se faz atrav&eacute;s de uma abordagem &ldquo;cient&iacute;fica&rdquo;, conduzida por alguns &ldquo;iluminados&rdquo; que encontram formas deliberadas de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida das pessoas alterando a estrutura social. O que essa ideologia ignora completamente &eacute; o papel do conhecimento pr&aacute;tico, dos processos informais e da improvisa&ccedil;&atilde;o para fazer face a situa&ccedil;&otilde;es imprevistas. O resultado &eacute; que o controlo e a conformidade obrigat&oacute;ria &agrave;s regras desses grandes planos retira &agrave;s pessoas as capacidades fundamentais que lhes permitem adaptar-se e sobreviver.<br /><br />O que podemos aprender com o que Scott descobriu &eacute; que as raz&otilde;es da prosperidade e do sucesso de na&ccedil;&otilde;es e empresas n&atilde;o se encontram na uniformidade dos planos e vis&otilde;es mas sim na diversidade e na toler&acirc;ncia que permitem explorar o que &eacute; amb&iacute;guo, imprevis&iacute;vel e subjectivo. As boas ideias e as inova&ccedil;&otilde;es mais relevantes nascem, muitas vezes, como projectos que t&ecirc;m que ser escondidos para n&atilde;o serem eliminados. O que &eacute; inovador &eacute; perigoso porque pode alterar a ordem vigente&hellip; S&oacute; depois de se tornar evidente o seu sucesso, &eacute; que essas novidades ganham o apoio da institui&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o ent&atilde;o apresentadas como resultado da vis&atilde;o ou determina&ccedil;&atilde;o desses mesmos gestores que as teriam eliminado se tivessem tido essa oportunidade pouco tempo antes&hellip;<br /><br />Trabalhar numa organiza&ccedil;&atilde;o, p&uacute;blica ou privada, exige esse equil&iacute;brio constante entre as regras e a improvisa&ccedil;&atilde;o, a conformidade e a subvers&atilde;o, a participa&ccedil;&atilde;o e a autoridade. &Eacute; preciso conciliar a ordem aparente dos documentos escritos e das apresenta&ccedil;&otilde;es com a desordem imprevis&iacute;vel que os antecede e sucede. Gerir n&atilde;o &eacute; trabalhar com verdades universais nem com regras gerais. Gerir &eacute; viver com a experi&ecirc;ncia subjectiva e incerta que resulta da explora&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de formas de ultrapassar as dificuldades que nos surgem.<br /><br />A forma&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o tem, por isso, que deixar de produzir profissionais que pensam que s&oacute; atrav&eacute;s do controlo podem ter sucesso e que ficam ansiosos com tudo aquilo que n&atilde;o dominam. O erro mais frequente da gest&atilde;o &eacute; tratar problemas complexos como se fossem meras dificuldades t&eacute;cnicas. Uma quest&atilde;o t&eacute;cnica resolve-se com mais conhecimento, h&aacute; receitas dispon&iacute;veis e resultados esperados. Uma quest&atilde;o complexa exige um conhecimento diferente porque envolve pessoas, rela&ccedil;&otilde;es difusas e incerteza. O que &eacute; complexo lan&ccedil;a-nos no desconhecido de n&atilde;o existir ajuda espec&iacute;fica dispon&iacute;vel e a parte mais importante do trabalho de gest&atilde;o &eacute; precisamente lidar com quest&otilde;es complexas. Para isso, n&atilde;o ajuda nada pensar-se que h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e replic&aacute;veis para esses problemas&hellip;]]></content:encoded></item><item><title>Terror ao pequeno almo&#xe7;o</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2008-05-30T11:42:32+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/6414fa7c8bc7927cf536e0b3bd38fcc5-53.html#unique-entry-id-53</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/6414fa7c8bc7927cf536e0b3bd38fcc5-53.html#unique-entry-id-53</guid><content:encoded><![CDATA[O director da unidade de vendas onde fiz a minha investiga&ccedil;&atilde;o de doutoramento tomava o pequeno-almo&ccedil;o com os chefes das suas oito equipas de vendas todas as quartas-feiras de manh&atilde;. O terror que cada um deles transpirava quando se sentava &agrave; frente de dois croissants, um pacotinho de manteiga e uma ch&aacute;vena de caf&eacute; era contagiante. Na primeira vez que fui a uma destas reuni&otilde;es, vi que as m&atilde;os de v&aacute;rios deles tremiam &ndash; parecia que a delicada faca de cortar croissants era um martelo penum&aacute;tico ligado &agrave; corrente. A energia que a alimentava vinha de dentro, do medo do interrogat&oacute;rio que estava para vir.<br /><br />Na hora seguinte, cada um deles era alvo de uma s&eacute;rie de perguntas que tinha como objectivo analisar o desempenho da sua equipa na semana anterior. No fim ficava demonstrado que a profunda incompet&ecirc;ncia de cada um dos chefes de vendas era respons&aacute;vel pela falta de motiva&ccedil;&atilde;o dos vendedores, pela relut&acirc;ncia dos clientes, pelos pre&ccedil;os pouco competitivos praticados pela empresa, pelas flutua&ccedil;&otilde;es do mercado e, j&aacute; agora, pela teimosia do anti-ciclone dos A&ccedil;ores em manter-se mais pr&oacute;ximo do Equador do que habitual, causando instabilidade no clima nacional. <br /><br />No fim destas reuni&otilde;es, cada um dos chefes de venda sentava-se s&oacute;zinho a pensar o que &eacute; que podia fazer para melhorar os seus n&uacute;meros e, en passant, dar um jeitinho no comportamento do sistema atmosf&eacute;rico. <br /><br />O terror ao pequeno almo&ccedil;o funcionava. <br /><br />O medo e a vergonha s&atilde;o utilizados por alguns dos l&iacute;deres mais colun&aacute;veis do nosso pa&iacute;s com resultados muito eficazes. Al&eacute;m de pequenos-almo&ccedil;os como os que observei, h&aacute; tamb&eacute;m as listas dos piores vendedores na revista interna da empresa e as &lsquo;reuni&otilde;es dos zeros&rsquo; em que aqueles que n&atilde;o foram capazes de vender nada durante uma semana ou um m&ecirc;s, dependendo da empresa, v&atilde;o para uma sala onde o seu l&iacute;der lhes aplica o castigo justo por t&atilde;o deplor&aacute;vel desempenho. <br /><br />Porque &eacute; que este tipo de pr&aacute;ticas funciona? <br /><br />Primeiro, porque o ser humano tem uma necessidade fundamental de evitar a vergonha. Cada um de n&oacute;s precisa de contar uma hist&oacute;ria positiva sobre o que lhe aconteceu e o que fez. Ser um &lsquo;zero&rsquo; ou aparecer na lista daqueles que tiveram pior desempenho s&atilde;o experi&ecirc;ncias a evitar. Os resultados atingem-se a todo custo, comprometendo muitas vezes n&atilde;o s&oacute; a sustentabilidade das rela&ccedil;&otilde;es da empresa com os seus clientes como tamb&eacute;m os princ&iacute;pios &eacute;ticos dos colaboradores.<br /><br />Segundo, porque atingir resultados &eacute; bom para o curr&iacute;culo. Procura-se atingir os resultados exigidos por estes tiranetes para escapar &agrave; sua al&ccedil;ada. No entanto, cumprir objectivos alivia a press&atilde;o, tornando o ambiente de trabalho mais toler&aacute;vel at&eacute; &agrave; pr&oacute;xima vez que os n&uacute;meros fiquem &aacute;quem do esperado. &Eacute; f&aacute;cil ficar prisioneiro desta montanha-russa emocional, oscilando entre a vergonha e o orgulho, num vai-e-v&ecirc;m de repreens&otilde;es e elogios.<br /><br />Terceiro, porque muitos lugares de gest&atilde;o s&atilde;o gaiolas douradas. A lideran&ccedil;a a la Bin Laden &eacute; um custo a pagar para manter um n&iacute;vel de vida t&atilde;o viciante como a hero&iacute;na. Carro da empresa com bancos mais confort&aacute;veis do que os sof&aacute;s que muitos t&ecirc;m na sala-de-estar, um b&oacute;nus suficientemente grande para tornar as explos&otilde;es de ira do chefe em ador&aacute;veis birras infantis, e depois h&aacute; o col&eacute;gio das crian&ccedil;as.<br /><br />Do ponto de vista de quem manda, a gest&atilde;o com base no medo funciona. Interrogat&oacute;rios ao pequeno almo&ccedil;o, amea&ccedil;as de manh&atilde; e um bom par de gritos &agrave; tarde levam a aumentos de vendas, ao cumprimeno de r&aacute;cios financeiros e a um maior empenho em atingir os objectivos. Ocasionalmente h&aacute; um ou outro colaborador que sa&iacute; mas o prest&iacute;gio da empresa e a popularidade de quem a lidera garante uma fila de candidatos &agrave; porta. Sim, porque este estilo n&atilde;o &eacute; s&oacute; para os patr&otilde;es de pequenas f&aacute;bricas. &Eacute; tamb&eacute;m exercido com mestria por chief executive officers de multinacionais que fazem suspirar muitos dos meus alunos.<br /><br />O terror &eacute; t&atilde;o eficaz nas organiza&ccedil;&otilde;es como &eacute; fora delas. Mas ser&aacute; que a sua efic&aacute;cia, por si s&oacute;, justifica a sua utiliza&ccedil;&atilde;o?]]></content:encoded></item><item><title>A conversa quando as coisas n&#xe3;o correm bem</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2008-05-16T19:39:04+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/8b3951198295d7320b6ee36f941379cb-52.html#unique-entry-id-52</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/8b3951198295d7320b6ee36f941379cb-52.html#unique-entry-id-52</guid><content:encoded><![CDATA[Antes de mais, um &lsquo;disclaimer&rsquo; (como se diz em &ldquo;internet&ecirc;s&rdquo;&hellip;). Eu sou s&oacute;cio n&uacute;mero 13488, h&aacute; quase trinta anos, da institui&ccedil;&atilde;o que utilizo para ilustrar o argumento deste artigo. Afian&ccedil;o desde j&aacute;, e antes de algum reflexo pavloviano em que a ind&uacute;stria &eacute; pr&oacute;diga, que n&atilde;o sou nem candidato a segundo assessor do terceiro ajudante do d&eacute;cimo adjunto do sector de observa&ccedil;&atilde;o e recrutamento de talentos na &aacute;rea de Santana de Cambas, nem fa&ccedil;o parte de nenhum sinistro grupo internacional de conspiradores que visa derrubar ningu&eacute;m&hellip;<br /><br />Mas adiante. Trata-se de discutir, neste artigo, algumas curiosidades do processo de formula&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia. Devemos come&ccedil;ar pelo neg&oacute;cio em que realmente estamos. Por exemplo, algumas pessoas podem presumir que vendem ferramentas de jardinagem, quando realmente est&atilde;o no neg&oacute;cio dos &lsquo;hobbies&rsquo; de fim-de-semana ao ar livre e em contacto com a natureza, competindo com as excurs&otilde;es do Centro Nacional de Cultura, ou com os passeios pedestres ao Jardim Bot&acirc;nico, ou com as actividades de preven&ccedil;&atilde;o dos AVC. Uma empresa que transporta crian&ccedil;as de casa para a escola pode equivocar-se e definir-se como empresa de transportes, quando o que realmente presta &eacute; um servi&ccedil;o de seguran&ccedil;a. Entendido qual &eacute; realmente o neg&oacute;cio em que estamos presentes, podemos ent&atilde;o definir como queremos actuar. Em que segmentos e com que produtos espec&iacute;ficos devemos posicionar-nos, tendo em conta as ac&ccedil;&otilde;es de outros concorrentes, fornecedores, regulamentos e demais vari&aacute;veis que podem facilitar ou constranger as nossas inten&ccedil;&otilde;es e ac&ccedil;&otilde;es. <br /><br />Verdadeiramente essencial &eacute; que fixemos objectivos claros a alcan&ccedil;ar, que assumam uma dupla utilidade. Mobilizam as energias dos que colaboram no empreendimento e fornecem um farol e um padr&atilde;o contra o qual podemos, permanentemente, comparar o que estamos alcan&ccedil;ando e qu&atilde;o distante estamos do que pretendemos. <br /><br />Quando as coisas correm mal, isto &eacute;, os objectivos fixados n&atilde;o foram atingidos, podemos sempre lan&ccedil;ar m&atilde;o do recurso ao processo sovi&eacute;tico de revis&atilde;o da Hist&oacute;ria, dizendo, por exemplo que os 14,5% de EBITDA n&atilde;o foram cumpridos porque as condi&ccedil;&otilde;es de mercado se alteraram drasticamente, ou mesmo houve inten&ccedil;&atilde;o mal&eacute;vola do governo, ou que a autoridade reguladora faz batota, mas em compensa&ccedil;&atilde;o as vendas cresceram 23% acima do esperado e quase 46,3% acima da mediana do sector. Ou ent&atilde;o que conseguimos, numa revis&atilde;o defensiva da nossa estrat&eacute;gia e, em face, da elevada volatilidade evidenciada pela economia a partir do segundo quadrimestre, uma significativa redu&ccedil;&atilde;o dos custos fixos com as opera&ccedil;&otilde;es log&iacute;sticas que nos permitiram uma liberta&ccedil;&atilde;o de meios assinal&aacute;vel mantendo o n&iacute;vel de cria&ccedil;&atilde;o de valor para o accionista dentro das bandas normais na empresa e muito acima do que os nossos concorrentes directos conseguiram. De qualquer modo, os b&oacute;nus parecem assegurados mesmo em face de estrondosos insucessos. <br /><br />Estendendo a l&oacute;gica anterior, e na fronteira da inova&ccedil;&atilde;o radical, encontra-se o meu clube. De futebol, conv&eacute;m salientar para ajudar a posicionar a quest&atilde;o. Que tem acumulado EBITDAS muito apreci&aacute;veis segundo os resultados divulgados. Multiplicado as &ldquo;casas&rdquo;, como extens&otilde;es do &lsquo;supply chain&rsquo; de &lsquo;merchadising&rsquo;. Estabelecido parcerias estrat&eacute;gicas com sete sextos do mundo empresarial inclusive com a (passe a publicidade) Auto Mec&acirc;nica de M&eacute;rtola onde, como s&oacute;cios do clube, temos 10% de desconto. Temos telem&oacute;veis pr&oacute;prios, seguros especiais, descontos em restaurantes de Alferrarede e Marzovelos, fabricantes de tintas desenvolveram cores especialmente para decorarmos a casa no interior e exterior, solu&ccedil;&otilde;es financeiras especiais, descontos em servi&ccedil;os de alarmes e seguran&ccedil;a, e muit&iacute;ssimo mais que o cat&aacute;logo dos benef&iacute;cios por ser s&oacute;cio &eacute; maior que as antigas listas de telefone da cidade do M&eacute;xico. O problema &eacute; o da defini&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio. &Eacute; que, O clube estou convencido, o que os s&oacute;cios deste clube queriam era somente e singelamente ganhar o campeonato. Nada mais. Suspeito mesmo que troc&aacute;vamos o desconto nas lojas de pneus de Estombar e de Arcozelos para evitar o quarto lugar. Mas n&atilde;o deixa de ser interessante o processo, cont&iacute;nuo, de revis&atilde;o de objectivos estrat&eacute;gicos que s&atilde;o periodicamente actualizados com justifica&ccedil;&otilde;es mais que plaus&iacute;veis, mesmo inovadoras e revolucion&aacute;rias.  Eu, ali&aacute;s, posso fornecer, completamente livre de encargos com propriedade intelectual, o sistema de equa&ccedil;&otilde;es diferenciais n&atilde;o lineares de quarto grau que explica o modelo de fixa&ccedil;&atilde;o de objectivos do meu clube, bem como a ret&oacute;rica utilizada para o explicar de modo eloquente e simples. Mas fico com a secreta esperan&ccedil;a que, eventualmente, um dia destes algu&eacute;m consiga entender a verdadeira natureza do neg&oacute;cio.]]></content:encoded></item><item><title>As crises de lideran&#xe7;a</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2008-05-02T19:36:51+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/e03cbc46ac0aaf24144bd4471ce5c269-50.html#unique-entry-id-50</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/e03cbc46ac0aaf24144bd4471ce5c269-50.html#unique-entry-id-50</guid><content:encoded><![CDATA[As institui&ccedil;&otilde;es e as grandes empresas costumavam ser um lugar seguro face &agrave;s amea&ccedil;as da incerteza, uma garantia de continuidade num mundo vol&aacute;til. A lideran&ccedil;a dessas organiza&ccedil;&otilde;es tinha normalmente ciclos longos, de v&aacute;rios anos ou mesmo d&eacute;cadas, um resultado da estabilidade dos equil&iacute;brios de poder internos. A cara de uma pessoa tornava-se indissoci&aacute;vel do papel que desempenhava &agrave; frente de um banco, um partido, uma central sindical ou uma associa&ccedil;&atilde;o empresarial. As lealdades eram o resultado firme de um relacionamento sem fim &agrave; vista, por isso as deslealdades pagavam-se caro. As rupturas e os encontros tinham o dramatismo de algo definitivo, sem retorno. Os grupos informais dentro das organiza&ccedil;&otilde;es tinham tempo para se organizar, baseados na confian&ccedil;a entre pessoas que fazem a mesma op&ccedil;&atilde;o de vida. Por isso, mesmo que tudo mudasse, algo permanecia.<br /><br />J&aacute; n&atilde;o &eacute; esse o mundo em que vivemos. Primeiro, a crise do BCP mostrou como mesmo os equil&iacute;brios de poder mais duradouros podem ruir quando as circunst&acirc;ncias mudam. E esse desmoronar pode ser t&atilde;o abrupto e radical que pouco ou nada permanece da lideran&ccedil;a anterior, deixando uma sensa&ccedil;&atilde;o de perda de identidade colectiva para quem pertence &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. Agora, a crise do PSD veio mostrar como h&aacute; lealdades que se transferem mais rapidamente do que a pr&oacute;pria sombra, n&atilde;o deixando espa&ccedil;o para que equil&iacute;brios de poder transit&oacute;rios se consolidem em lideran&ccedil;as est&aacute;veis.<br /><br />O impacto destas crises de lideran&ccedil;a na vida das organiza&ccedil;&otilde;es pode ser mais profundo do que parece &agrave; primeira vista. Imediatamente, pelas dificuldade que uma transi&ccedil;&atilde;o na lideran&ccedil;a de topo coloca a todos os gestores e respons&aacute;veis interm&eacute;dios. &Eacute; frequente, nestas situa&ccedil;&otilde;es, que a organiza&ccedil;&atilde;o fique paralisada, incapaz de fazer mais do que reagir &agrave;s necessidades mais imediatas. Quando a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa que enfrenta uma concorr&ecirc;ncia feroz, os danos podem custar muito caro. Mas impacto mais dif&iacute;cil de reparar acontece a seguir. Uma nova lideran&ccedil;a precisa de tempo para se afirmar e para ser integrada na no&ccedil;&atilde;o que os membros da organiza&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de si pr&oacute;prios e do seu papel. &Eacute; a identidade do grupo que &eacute; colocada em causa.<br /><br />Mas n&atilde;o se esperar&aacute; demasiado dos l&iacute;deres empresariais e pol&iacute;ticos? Uma organiza&ccedil;&atilde;o obcecada com a figura do l&iacute;der est&aacute; frequentemente a fugir de assumir as pr&oacute;prias responsabilidades, atribuindo-as apenas a um indiv&iacute;duo. A ilus&atilde;o de que o l&iacute;der ser&aacute; capaz de compensar as falhas do grupo &eacute; muitas vezes a sa&iacute;da f&aacute;cil para n&atilde;o assumir responsabilidades pr&oacute;prias ou problemas mais profundos. Os la&ccedil;os de confian&ccedil;a e alguma estabilidade nos equil&iacute;brios de poder internos s&atilde;o essenciais para refor&ccedil;ar a coes&atilde;o de uma empresa, de uma associa&ccedil;&atilde;o ou de um partido. S&oacute; nesse contexto &eacute; que um grupo pode deixar a ilus&atilde;o messi&acirc;nica de que um l&iacute;der o vai salvar para assumir o trabalho conjunto de que precisa para ter sucesso.<br /><br />O fen&oacute;meno da lideran&ccedil;a e do comportamento das pessoas em grupo fascina h&aacute; muito tempo psic&oacute;logos e soci&oacute;logos. Freud temia a loucura irracional das massas, mas foi outro psic&oacute;logo, Wilfred Bion, quem explorou a fun&ccedil;&atilde;o que os l&iacute;deres desempenham para os respectivos grupos. A quest&atilde;o, defende Bion, centra-se naquilo que o grupo v&ecirc; inconscientemente reflectido no l&iacute;der. Se o grupo reconhece no l&iacute;der um reflexo do que tem de &ldquo;bom&rdquo;, idealiza-o com um salvador carism&aacute;tico de quem depende. Se, pelo contr&aacute;rio, o grupo projectar no l&iacute;der o que tem de &ldquo;mau&rdquo;, rapidamente desenvolve um &oacute;dio de rejei&ccedil;&atilde;o que pode dar origem a uma s&eacute;ria crise no grupo.<br /><br />A ansiedade face &agrave; press&atilde;o e &agrave; incerteza acelera estes processos inconscientes e torna-os ainda mais imprevis&iacute;veis. &Eacute; isso que pode estar a acontecer hoje em dia. As din&acirc;micas de grupo tornam-se mais r&aacute;pidas, mais imprevis&iacute;veis e mais implac&aacute;veis. Mas, ao reagir &agrave; ansiedade provocada pelas amea&ccedil;as, o grupo pode tornar-se uma amea&ccedil;a ainda maior para si pr&oacute;prio. Basta olhar para a evolu&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos meses das cota&ccedil;&otilde;es das ac&ccedil;&otilde;es do BCP ou das inten&ccedil;&otilde;es de voto no PSD&hellip;]]></content:encoded></item><item><title>Alternativas ao Homo Economicus</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2008-04-11T19:33:18+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/8fb9cb126cf3fb194b3fb638902d9702-49.html#unique-entry-id-49</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/8fb9cb126cf3fb194b3fb638902d9702-49.html#unique-entry-id-49</guid><content:encoded><![CDATA[H&aacute; um conjunto de trabalhadores em cada empresa que correspondem &agrave;s expectativas dos economistas. S&atilde;o os homo economicus ou busca-b&oacute;nus: indiv&iacute;duos que ajustam o seu comportamento de forma a maximizar o b&oacute;nus que resulta do atingimento dos objectivos que lhes s&atilde;o propostos. A carreira n&atilde;o &eacute; a sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal e muitos recusam promo&ccedil;&otilde;es porque sabem que a sua compet&ecirc;ncia para atingir resultados atrav&eacute;s do seu pr&oacute;prio esfor&ccedil;o pode n&atilde;o se reflectir nas capacidade de os atingir atrav&eacute;s dos outros. A sua progress&atilde;o segue uma l&oacute;gica meramente material. Preocupam-se n&atilde;o com o seu desenvolvimento ou com o n&iacute;vel de desafio das suas tarefas mas sim com as mudan&ccedil;as no valor do seu b&oacute;nus e no esfor&ccedil;o necess&aacute;rio para o atingir. Esta orienta&ccedil;&atilde;o para os resultados pode levar a pr&aacute;ticas abusivas de vendas, pequenas e grandes fraudes e outros comportamentos n&atilde;o &eacute;ticos. Pior &ndash; a sua motiva&ccedil;&atilde;o para cumprir objectivos n&atilde;o transborda para as outras &aacute;reas da sua rela&ccedil;&atilde;o com a organiza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o partilham conhecimento, n&atilde;o est&atilde;o interessados aprender com os outros nem contribuem de forma formal ou informal para a sustentabilidade estrat&eacute;gica da empresa. Est&atilde;o l&aacute; apenas para cumprir o que lhes &eacute; pedido e ganhar os pr&eacute;mios da&iacute; resultantes.<br /><br />H&aacute;, no entanto, outros tipos de pessoas que t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es muito diferentes com o trabalho.<br /><br />Os salta-escadas t&ecirc;m como objectivo subir rapidamente para o lugar do chefe do chefe do chefe do chefe. Ascen&ccedil;&otilde;es vertiginosas deste tipo n&atilde;o se conseguem atingindo os objectivos, trepando a hierarquia a pulso, degrau a degrau. Estes colaboradores n&atilde;o tem paci&ecirc;ncia para carreiras incrementais. Por isso passa a maior parte do seu tempo a diagnosticar e a usar em seu pr&oacute;prio proveito as redes informais de poder. Tipicamente, estas estrelas t&ecirc;m pouco tempo para se dedicar &agrave;s tarefas mundanas necess&aacute;rias ao comprimento dos objectivos que lhes s&atilde;o impostos. O b&oacute;nus que perdem &eacute; um pequeno custo comparado com o sal&aacute;rio que esperam alcan&ccedil;ar quando finalmente conseguirem estabelecer as rela&ccedil;&otilde;es de influ&ecirc;ncia necess&aacute;rias ao seu grande salto na carreira.<br /><br />Os trepa-escadas s&atilde;o mais modestos. Contentam-se com seguir as pisadas de quem os gere. Ocupam as cadeiras que os seus superiores v&atilde;o deixando vazias &agrave; medida que progridem na organiza&ccedil;&atilde;o. Estes seguidores profissionais t&ecirc;m grande prazer em ser os ajudantes dos seus l&iacute;deres. Fazem muitas das tarefas mais administrativas, mais rotineiras e menos gratificantes que integram os deveres e obriga&ccedil;&otilde;es de quem manda. Pouco a pouco aprendem a gerir com mais efici&ecirc;ncia do que efic&aacute;cia. S&atilde;o uma aposta segura. S&atilde;o um s&eacute;quito leal com quem os gestores em ascens&atilde;o podem contar. S&atilde;o os bra&ccedil;os das teias informais que existem em todas as empresas. Acumulam em surdina cr&eacute;ditos de favores que dificilmente ter&atilde;o vontade e oportunidade de cobrar.<br /><br />O ganha-p&atilde;o &eacute; o mais curioso deste esp&eacute;cimes, mas infelizmente para os economistas n&atilde;o &eacute; o mais raro. Os membros desta categoria n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma ambi&ccedil;&atilde;o de carreira nem t&ecirc;m qualquer interesse pelas promessas de b&oacute;nus milion&aacute;rios. S&atilde;o pessoas que constroem a sua identidade fora do local de trabalho. S&atilde;o o campe&atilde;o europeu de cartas do Senhor dos Aneis que vende refrigerantes para pagar o seu hobby, o analista financeiro que &eacute; um dos avatares mais populares do &lsquo;Second Life&rsquo;, ou mesmo o operador de call center que &eacute; um dos fot&oacute;grafos amadores mais promissores da sua gera&ccedil;&atilde;o. A sua liga&ccedil;&atilde;o com a empresa &eacute; muito t&eacute;nue e o trabalho &eacute; apenas um empecilho necess&aacute;rio para sustentar ambi&ccedil;&otilde;es pessoais que t&ecirc;m poucas recompensas econ&oacute;micas. <br /><br />A pergunta crucial &eacute; esta: qual &eacute; o mix de trabalhadores em cada empresa? A resposta dita a n&atilde;o s&oacute; a efic&aacute;cia da vis&atilde;o e dos incentivos mas tamb&eacute;m determina a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas sustentam o desempenho da organiza&ccedil;&atilde;o. Na &uacute;nica empresa onde passei tempo suficiente para descobrir esta informa&ccedil;&atilde;o, apenas 20% das pessoas eram busca-b&oacute;nus. Havia 19% de trepa escadas, 1% de salta-escadas e 56% estavan na categoria ganha-p&atilde;o. Preocupante, n&atilde;o &eacute;?]]></content:encoded></item><item><title>Estrat&#xe9;gia Instant&#xe2;nea (III)</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2008-03-17T19:11:11+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/1b0101ae7c2389a04e6dbed046c1cfad-48.html#unique-entry-id-48</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/1b0101ae7c2389a04e6dbed046c1cfad-48.html#unique-entry-id-48</guid><content:encoded><![CDATA[Aqui h&aacute; umas semanas sugeri que uma boa parte das estrat&eacute;gias cl&aacute;ssicas est&atilde;o em vias de extin&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, a dicotomia introduzida pelo Porter, a escolha entre o produzir barato e em massa ou produzir diferente e desnatar o mercado, foi, aparentemente, ultrapassada pelo produzir diferen&ccedil;a para o mercado de massas, como se pode constatar nos casos da Zara e da Decathelom. Depois, brincado um pouco com a extraordin&aacute;ria e prolixa p&oacute;s modernidade na teoria da gest&atilde;o, sugeri que a sabedoria contida em os  &ldquo;tr&ecirc;s porquinhos gestores" e no "s&iacute;ndrome do macho alfa&rdquo;, entre outros, poderia n&atilde;o bastar para substituir o modelo de crescimento do Igor Ansoff, que ainda me parece muito &uacute;til e talvez o melhor modelo de racioc&iacute;nio estrat&eacute;gico. Mas, voltemos ent&atilde;o &agrave; quest&atilde;o inicial: A estrat&eacute;gia tornou-se como os tempos, instant&acirc;nea. Mas quais ser&atilde;o os novos vectores de posicionamento?<br /><br />Desde logo assistimos &agrave; desmaterializa&ccedil;&atilde;o das actividades antigamente associadas a transforma&ccedil;&atilde;o de materiais. Uma esp&eacute;cie de rotura entre o produto f&iacute;sico e a marca. &ldquo;Brands Not Products&rdquo;. A marca transforma-se num modelo de vida que comporta. O sistema de valores e atitudes que transmite. A experi&ecirc;ncia e a viv&ecirc;ncia que permite. A desmaterializa&ccedil;&atilde;o &eacute; quase total. Trata-se do que o s&iacute;mbolo nos permite sentir, ver, ser visto, e n&atilde;o no produto material que apenas serve de desculpa para a exist&ecirc;ncia da marca. A marca fica assim associada ao conceito de atitude. <br /><br />Estar &ldquo;aqui e agora&rdquo; &eacute; o leitmotiv da estrat&eacute;gia pura e dura. A marca fornece um mecanismo de r&aacute;pida identifica&ccedil;&atilde;o a uma tribo, como (re)nova(da) categoria sociol&oacute;gica. Tal como os hot spots da noite aparecem e desaparecem com velocidade alucinante mas sem causalidade especial, as tribos aglomeram-se e desfazem-se &agrave; luz de conceitos polarizadores que se substituem rapidamente. Os instrumentos da estrat&eacute;gia est&atilde;o, portanto, tamb&eacute;m em extin&ccedil;&atilde;o. J&aacute; s&oacute; nos cursos subsidiados pela uni&atilde;o europeia &eacute; que se apresentam pela duocent&eacute;sima mil&eacute;sima sexag&eacute;sima quinta vez a matriz swot como &uacute;til para o quer que seja...<br /><br />Agora para saber que estrat&eacute;gia &eacute; que est&aacute; na onda para a semana o melhor &eacute; ter undercover agents entre o crowd do people... como faz a Nike ou a Tommy Hilfiger. A separa&ccedil;&atilde;o entre diferenciar e massificar pode estar a ser substitu&iacute;da pelo produto singular e despido de todos os morphs tecnol&oacute;gicos e funcionais como o low cost na avia&ccedil;&atilde;o e os produtos com toda a hibridez do presente como as sapatilhas com leitor de mp3, gps e medidor de batimento card&iacute;aco e dispensador de chewing  gums.<br /><br />Outra dimens&atilde;o emergente como vari&aacute;vel de posicionamento &eacute; o espa&ccedil;o. Os espa&ccedil;os em que existem e agem as pessoas,  numa qualquer megalopolis. Por exemplo, numa farm&aacute;cia atingem-se todos as pessoas do segmento maiores de 55 que habitam numa qualquer zona urbana. A partir desta constata&ccedil;&atilde;o podemos conceber a farm&aacute;cia como entreposto de satisfa&ccedil;&atilde;o de uma pluralidade de necessidades.  Desde o sector de turismo;  com organiza&ccedil;&atilde;o de excurs&otilde;es, da venda de time sharing em termas, na alimenta&ccedil;&atilde;o; produtos de macrobi&oacute;tica, ampolas para a mem&oacute;ria, cal&ccedil;ado ortop&eacute;dico, colch&otilde;es ortop&eacute;dicos, cadeiras anti-escaras...<br /><br />O espa&ccedil;o em que existem pessoas com mais de vinte e menos de quarenta, profissionais, ainda com a expectativa de alcan&ccedil;ar a presid&ecirc;ncia da Cisco ou da Amazon, podemos fornecer nos healt clubs, alem das tradicionais alimenta&ccedil;&otilde;es saud&aacute;veis e bebidas isot&oacute;nicas, viagens de aventura ou de consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica e cultural, viagens de recreio, produtos financeiros, ipods e outros bens da linha castanha como aparelhagens de alta fidelidade de marcas norueguesas, cursos de reiki, cursos de misticismo oriental e ocidental e do sul, cursos de equil&iacute;brio do stress, roupas, m&aacute;quinas de sumos, autom&oacute;veis. Em breve num shopping center poderemos ter consultas m&eacute;dicas, diagn&oacute;sticos m&eacute;dicos, frequentar aulas de forma&ccedil;&atilde;o profissional, colocar o correio, depositar dinheiro, comer, ver cinema, bronzear o corpo, fazer step, nadar, reparar o carro, ouvir palestras, comprar tudo o que necessitamos para nos matermos vivos, limpos, frescos, seguros, com menor ansiedade...<br /><br />Se os leitores analisarem o l&eacute;xico utilizado nas mensagens da comunica&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria ver&atilde;o que em todo o lado h&aacute; um mercado e todo o momento e todo o lado &eacute; um mercado, e n&oacute;s, homo economicus, homo faber, homo sapiens, existimos enquanto consumidores ... nem que para isso tenhamos de criar mais sub primes....]]></content:encoded></item><item><title>N&#xe3;o diga&#x2c; fa&#xe7;a&#x21;</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2008-02-22T19:21:39+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/d78bdd51636975ad4f0bfc13d31f0b07-46.html#unique-entry-id-46</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/d78bdd51636975ad4f0bfc13d31f0b07-46.html#unique-entry-id-46</guid><content:encoded><![CDATA[A linha que separa o discurso empresarial politicamente correcto da mais pura hipocrisia &eacute; por vezes muito t&eacute;nue. Nenhum l&iacute;der de uma organiza&ccedil;&atilde;o assume que n&atilde;o quer colaboradores com mais do que uma determinada idade a trabalhar consigo, mas &eacute; f&aacute;cil coleccionar nomes de organiza&ccedil;&otilde;es nas quais quem tem 50, 45 ou at&eacute; pouco mais de 40 anos &eacute; "delicadamente" considerado velho demais e conduzido at&eacute; &agrave; porta das mais variadas formas... E assim se desperdi&ccedil;a capital humano de grande valor. Nenhum gestor &eacute; apanhado em p&uacute;blico a protestar pela dura&ccedil;&atilde;o da licen&ccedil;a de maternidade das suas colaboradoras que s&atilde;o m&atilde;es, mas todos conhecemos casos de mulheres cuja carreira foi afectada pela maternidade. Numa altura em que a baixa natalidade &eacute; um problema nacional e europeu, o problema das penaliza&ccedil;&otilde;es encobertas da maternidade &eacute; t&atilde;o grande, atingindo oper&aacute;rias, t&eacute;cnicas e mesmo gestoras, que at&eacute; j&aacute; motivou iniciativas no nosso parlamento.<br /><br />O problema essencial que esta disson&acirc;ncia entre discurso e ac&ccedil;&atilde;o revela &eacute; a pouca aten&ccedil;&atilde;o que esses gestores tendem a dar &agrave; verdade na sua comunica&ccedil;&atilde;o. Mas se h&aacute; algo que se democratizou realmente nos dias de hoje &eacute; a informa&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m pode presumir que a pessoa &agrave; sua frente sabe menos e, numa empresa, a informa&ccedil;&atilde;o que interessa n&atilde;o se difunde pelos canais oficiais e formais, chega sobretudo pelo ecos de ac&ccedil;&otilde;es, decis&otilde;es e atitudes. Esses ecos difundem-se junto &agrave; m&aacute;quina de caf&eacute;, na &uacute;nica varanda do edif&iacute;cio onde se pode fumar, por SMS ou por 'messenger', por telefone, telem&oacute;vel ou simplesmente por email. O que n&atilde;o falta s&atilde;o canais para a comunica&ccedil;&atilde;o fluir sem qualquer controlo.<br /><br />N&atilde;o &eacute; preciso nenhum conhecimento especial das organiza&ccedil;&otilde;es para se saber que &eacute; assim que a informa&ccedil;&atilde;o circula no mundo real dos escrit&oacute;rios e das f&aacute;bricas por este mundo fora. Ent&atilde;o porque &eacute; que esta evid&ecirc;ncia &eacute; ignorada de forma t&atilde;o ostensiva? Porque &eacute; que tantos gestores pensam que podem continuar a dizer uma coisa e a fazer outra completamente oposta sem serem desmascarados? A psicologia tem um termo t&eacute;cnico para isso, chama-se nega&ccedil;&atilde;o. Face &agrave; ansiedade que a transpar&ecirc;ncia e a falta de controlo provocam, por vezes a defesa mais f&aacute;cil &eacute; simplesmente negar, ignorar e agir como se n&atilde;o se soubesse. A seguir, as teias de poder que rodeiam as hierarquias asseguram que ningu&eacute;m tem a desfa&ccedil;atez de confrontar um respons&aacute;vel com as suas pr&oacute;prias contradi&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Mas as ac&ccedil;&otilde;es podem mesmo ser a &uacute;nica forma de comunicar quando a audi&ecirc;ncia j&aacute; n&atilde;o acredita em palavras. H&aacute; alguns anos, quando geri uma equipa que tinha sa&iacute;do de v&aacute;rios processos dif&iacute;ceis de reestrutura&ccedil;&atilde;o, as palavras valiam pouco para mobilizar entusiasmos. Nessa altura, a comunica&ccedil;&atilde;o mais preciosa foi ter conseguido que uma das colaboradoras entrasse para o quadro no fim do contrato, em vez de ser dispensada. Esse facto, mais do que quaisquer palavras, teve um efeito profundo na equipa e ajudou a abrir um novo ciclo de trabalho.<br /><br />As nossas escolhas s&atilde;o o espelho fiel do que realmente pensamos. Os nossos crit&eacute;rios para julgar desejos e ac&ccedil;&otilde;es em termos de "certo" e "errado" expressam as normas e os valores que seguimos. &Eacute; importante distinguir os dois conceitos. Uma norma &eacute; uma orienta&ccedil;&atilde;o externa com car&aacute;cter obrigat&oacute;rio. Um valor, por sua vez, d&aacute; voz a uma "compuls&atilde;o volunt&aacute;ria", algo que sentimos que temos que fazer para continuarmos a ser quem somos. Alguns valores tornam-se objecto de culto num grupo, tal como Mead, o fil&oacute;sofo americano, identificou. Nesse momento, esses valores de culto deixam de ser escolhas individuais para se tornarem em requisitos para pertencer a esse grupo.<br /><br />As nossas organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o repletas de valores de culto. O "esp&iacute;rito de grupo", a "dedica&ccedil;&atilde;o", a "efici&ecirc;ncia" ou a "qualidade" s&atilde;o alguns dos mais &oacute;bvios. Ideias que se tornaram em requisitos, escolhas que se transformaram em obriga&ccedil;&otilde;es, perante as quais se avalia constantemente quem "pertence" e quem n&atilde;o "pertence" ao grupo dos que t&ecirc;m poder, estatuto e capacidade para serem ouvidos. Mas essa ades&atilde;o significa pouco. Os valores s&oacute; importam quando nos ajudam a fazer escolhas das quais nos podermos orgulhar...]]></content:encoded></item><item><title>Fobias e estrat&#xe9;gia</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2008-02-08T19:52:27+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/8121416fe40f2991236d9d9f320cebd2-45.html#unique-entry-id-45</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/8121416fe40f2991236d9d9f320cebd2-45.html#unique-entry-id-45</guid><content:encoded><![CDATA[H&aacute; momentos na hist&oacute;ria dos mercados em que os gestores s&atilde;o v&iacute;timas de fobias hist&eacute;ricas. Estes epis&oacute;dios tornam oportunidades de refor&ccedil;ar a posi&ccedil;&atilde;o competitiva da empresa em amea&ccedil;as &agrave; sua sobreviv&ecirc;ncia.<br /><br />O terror que assola os l&iacute;deres da ind&uacute;stria de conte&uacute;dos &eacute; talvez o exemplo mais tr&aacute;gico deste fen&oacute;meno na hist&oacute;ria econ&oacute;mica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discogr&aacute;ficas e dos est&uacute;dios de cinema t&ecirc;m pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espa&ccedil;o virtual &eacute; como que uma grande &lsquo;feira da ladra dos pequeninos&rsquo; onde crian&ccedil;as e jovens se entret&ecirc;m a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa factura&ccedil;&atilde;o de cada uma destas ind&uacute;strias.<br /><br />Tal como animais encurralados, estas empresas reagem atacando violentamente em todas as direc&ccedil;&otilde;es com garras legais bem afiadas. As v&iacute;timas s&atilde;o adolescentes que partilham m&uacute;sica na Internet, como os seus pais faziam. A diferen&ccedil;a &eacute; que enquanto que a mam&atilde; gravava o &aacute;lbum das Bangles para duas ou tr&ecirc;s amigas em cassetes de 90 minutos, os filhos disponibilizam a sua vasta colec&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sica a milh&otilde;es de desconhecidos ligados pela auto-estrada da informa&ccedil;&atilde;o. <br /><br />A viol&ecirc;ncia com que quem vende Garbage, Dan Brown ou Disney imp&otilde;e os seus direitos atrav&eacute;s dos tribunais n&atilde;o deve no entanto ser confundida com uma demonstra&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a &ndash; &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de medo. <br /><br />O terror do pap&atilde;o da Internet tem mantido os l&iacute;deres da ind&uacute;stria dos conte&uacute;dos suficientemente ocupados para permitir a escritores e m&uacute;sicos aproveitar as novas oportunidades deste espa&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o. Estes t&ecirc;m-no feito com uma clarivid&ecirc;ncia e uma criatividade que deveria envergonhar a maioria daqueles que t&ecirc;m a seu cargo a estrat&eacute;gia comercial e competitiva destas empresas.<br /><br />Muitos autores t&ecirc;m usado a partilha gratuita de texto e m&uacute;sica para refor&ccedil;ar a sua posi&ccedil;&atilde;o competitiva. O escritor <a href="http://www.paulocoelho.com/" rel="self">Paulo Coelho</a> atribui o crescimento das vendas dos seus livros na R&uacute;ssia a um ritmo de 1000% ao ano durante os primeiros tr&ecirc;s anos de vendas &agrave; sua ideia de criar um site &ndash; o <a href="http://piratecoelho.wordpress.com/" rel="self">Pirate Coelho</a> &ndash; com links que permitiam fazer o download gratuito dos seus livros em Russo. <br /><br />Alguns v&ecirc;em a Internet como algo mais do que uma forma eficaz de distribuir fotoc&oacute;pias e cassetes pirata. Foi o caso dos Radiohead que colocaram no seu site todas as m&uacute;sicas do seu &aacute;lbum mais recente, o &lsquo;<a href="http://www.inrainbows.com/" rel="self">In Rainbows</a>&rsquo;, tr&ecirc;s meses antes de este ter sido lan&ccedil;ado em CD. No entanto, em vez de oferecer a sua m&uacute;sica de gra&ccedil;a, a banda permitiu aos f&atilde;s pagar o que quisessem, desde 0 at&eacute; 150 euros. Mesmo assim, na sua primeira semana nas lojas, &lsquo;<a href="http://www.inrainbows.com/" rel="self">In Rainbows</a>&rsquo; chegou ao topo das tabelas nos Estados Unidos com 122,323 discos vendidos.<br /><br />S&oacute; depois de v&aacute;rios epis&oacute;dios deste tipo &eacute; que as empresas da ind&uacute;stria de conte&uacute;dos come&ccedil;am a perceber que o seu verdadeiro desafio n&atilde;o &eacute; evitar que uns milhares de adolescentes partilhem m&uacute;sica e filmes online, nem &eacute; procurar as mesmas oportunidades de neg&oacute;cio que os seus autores descobriram. O seu verdadeiro desafio &eacute; olhar para uma mudan&ccedil;a como esta n&atilde;o apenas como uma amea&ccedil;a e uma oportunidade, mas sim como uma descontinuidade na evolu&ccedil;&atilde;o do sector. Os l&iacute;deres das editoras de livros e discos e dos est&uacute;dios de cinema falharam porque deixaram que o medo de uma transi&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel no mercado se apoderasse deles. Agiram em p&acirc;nico contra uma mudan&ccedil;a que deviam ter aproveitado para iniciar um novo percurso estrat&eacute;gico.<br /><br />Numa altura em que muitos sectores passam por s&eacute;rias altera&ccedil;&otilde;es nas suas bases de cria&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o de valor, a fobia que vitimou as empresas de conte&uacute;dos deve servir de exemplo para todos aqueles que se sentem tentados a lutar contra o inevit&aacute;vel. Os gestores, especialmente aqueles com responsabilidades estrat&eacute;gicas devem abra&ccedil;ar estes per&iacute;odos hist&oacute;ricos com entusiasmo. &Eacute; nestas alturas em que os instintos, o conhecimento e a criatividade daqueles que t&ecirc;m o privil&eacute;gio de liderar os outros realmente importam. &Eacute; das fissuras abertas pela incerteza que emergem as grandes ideias que mudam as empresas e a vida daqueles que elas servem.]]></content:encoded></item><item><title>Estrat&#xe9;gia Instant&#xe2;nea (II)</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2008-01-25T17:40:40+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/2e463b920a6992c55acdae9aeaeaa3a1-44.html#unique-entry-id-44</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/2e463b920a6992c55acdae9aeaeaa3a1-44.html#unique-entry-id-44</guid><content:encoded><![CDATA[A estrat&eacute;gia tornou-se como os tempos. Instant&acirc;nea. Mas quais ser&atilde;o os novos vectores de posicionamento? Na &uacute;ltima vez que escrevi para o Di&aacute;rio Econ&oacute;mico fiquei por aqui. Com esta pergunta.<br /><br />Os tempos parecem ter desvalorizado a an&aacute;lise financeira, a an&aacute;lise dos mercados, a gest&atilde;o de opera&ccedil;&otilde;es e uma razo&aacute;vel regra de cumprir as expectativas geradas &agrave;s pessoas que connosco compartilham os destinos e desafios das organiza&ccedil;&otilde;es.<br /><br />Julgo que tenho sido um razo&aacute;vel professor de gest&atilde;o e de comportamento organizacional (nome p&oacute;s moderno para psicologia aplicada ao que se passa dentro das empresas). Nos &uacute;ltimos tempos, contudo, sinto-me siderado pela minha incompet&ecirc;ncia. Numa r&aacute;pida volta pelas livrarias, &agrave; procura de presentes n&atilde;o sei bem para quem, uma vez que uma pessoa at&eacute; se pode sentir insultada quando lhe d&atilde;o um livro, em vez de um frasco que custa no m&aacute;ximo quatrocentos paus dos antigos a produzir, mas que depois, quando se lhe junta um nome assim pr&oacute; Dolce e Gabbana passa a ter de se expender sessenta ou setenta euros... <br /><br />Mas dizia eu numa voltita &agrave;s livrarias fui, inevitavelmente, dar tamb&eacute;m uma vista de olhos pela sec&ccedil;&atilde;o de gest&atilde;o economia e of&iacute;cios correlativos. E, fiquei aterrado. Cuidava eu que saber qualquer coisa de an&aacute;lise financeira, mais de uns pozinhos p&oacute;s modernos de psicologia social sob a forma de "segmenta&ccedil;&atilde;o de mercados" e os p&ecirc;s do posicionamento, mais umas contas de estat&iacute;stica e investiga&ccedil;&atilde;o operacional, mais dois dedos de conversa sobre motiva&ccedil;&atilde;o humana e a coisa safava-se.<br /><br />Apanhei logo com "o que podemos aprender com os gansos". Os gansos? mas logo ao lado l&aacute; estavam eles, "os tr&ecirc;s porquinhos gestores" e o "s&iacute;ndrome do macho alfa". Presumi eu que era tudo pelas analogias do reino animal, quando vi "o peixe que n&atilde;o quis evoluir" e, sem tempo para me recompor descobria "o que podem ensinar os elefantes&rdquo;. Claro est&aacute;, "um pav&atilde;o na terra dos pinguins" j&aacute; fazia sentido e tudo, quem sabe, inclu&iacute;do na "selva empresarial". <br /><br />Passei &agrave; sec&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o m&iacute;stica e secreta. Com "o poder de uma hora" (o que faremos com duas?), seguidas d&rsquo;"a magia da estrat&eacute;gia", atrav&eacute;s d&rsquo;"os oito h&aacute;bitos", incluindo "os sete poderes", sem esquecer a "estrat&eacute;gia oceano azul", o indispens&aacute;vel "re-imagine", uma das v&aacute;rias "a chave do sucesso", necessariamente "como ser brilhante" , eventualmente com "10 segredos simples". Seguia-se o menos hom&eacute;rico "Qualquer um consegue" e a necessidade de "gestores n&atilde;o mba's" escondidos na "a caixa dos tesouros"? Fiquei a saber que "talento n&atilde;o &eacute; tudo", que h&aacute; tamb&eacute;m uma "intelig&ecirc;ncia moral", disseminadas n' "as leis n&atilde;o escritas"? pelo "o economista disfar&ccedil;ado"... que vai "de bom a excelente" e logo sem precisar de tomar balan&ccedil;o avan&ccedil;a "de excelente a lider". Estive tentado com o "invista e fique rico", uma vez que investir e ficar pobre parece ser o caminho dos bancos ultimamente...  Desconfiei fortemente do "winners never cheat" e desisti n'"o kama sutra dos neg&oacute;cios"...<br /><br />Fiquei seriamente consternado e preocupado. Nada disto consta nas aulas que dou sobre estrat&eacute;gia, desconfio mesmo, que n&atilde;o conste de nenhum programa de Bolonha. Portanto ser&aacute; necess&aacute;rio um curso inteiro de gest&atilde;o e mais dois ou tr&ecirc;s anos a ler estes estimulantes livros para efectivamente triunfar. Nem tudo &eacute; preocupante, pelo menos fiquei a saber que ainda h&aacute; vagas na sec&ccedil;&atilde;o do que podemos aprender com as salamandras, com o rinoceronte e, quem sabe, com o coliforme fecal, entre outros.]]></content:encoded></item><item><title>As tecnologias do poder</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2008-01-11T20:38:02+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/84f7448cc733185aadeb6fb398e3d967-43.html#unique-entry-id-43</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/84f7448cc733185aadeb6fb398e3d967-43.html#unique-entry-id-43</guid><content:encoded><![CDATA[Quando falamos de poder, as imagens mentais que nos ocorrem referem-se, frequentemente, a situa&ccedil;&otilde;es de dom&iacute;nio, nas quais uma parte sujeita a outra &agrave; sua vontade. "Ter poder" &eacute; entendido como sin&oacute;nimo de ser capaz de controlar. Mas quando se diz "ter poder" estamos a entender o poder como se fosse uma coisa, algo cuja posse se pudesse deter e assim usar. Ser&aacute; esse o caso? A no&ccedil;&atilde;o convencional de "poder" confunde-se demasiado com autoridade e lideran&ccedil;a, e &eacute; dif&iacute;cil retirar-lhe o peso das associa&ccedil;&otilde;es aparentemente &oacute;bvias a hierarquia, estatuto e controlo. Mas o poder &eacute; mais do que isso e pode at&eacute; ser muito &uacute;til entend&ecirc;-lo de forma radicalmente diferente.<br /><br />Mesmo que n&atilde;o tenhamos consci&ecirc;ncia disso, o poder faz parte da nossa experi&ecirc;ncia de vida todos os dias. Em todas as nossas rela&ccedil;&otilde;es existe um v&iacute;nculo que resulta da nossa interac&ccedil;&atilde;o com os outros. As nossas ac&ccedil;&otilde;es e vontades influenciam e condicionam os que est&atilde;o &agrave; nossa volta, tal como as suas ac&ccedil;&otilde;es e vontades nos condicionam a n&oacute;s. &Eacute; nessa interac&ccedil;&atilde;o que consiste, afinal, o poder. N&atilde;o como uma for&ccedil;a que vem de fora e nos imp&otilde;e um caminho, mas sim como um la&ccedil;o que nos une aos outros e nos dificulta algumas ac&ccedil;&otilde;es e facilita outras. O poder resulta assim de algo muito simples: em maior ou menor grau, todos dependemos uns dos outros.<br /><br />&Eacute; &oacute;bvio que isto n&atilde;o significa que o poder esteja distribu&iacute;do de forma uniforme ou equilibrada. Cada pessoa tem possibilidades diferentes de influenciar e condicionar o que se passa &agrave; sua volta. &Eacute; por isso que em cada rela&ccedil;&atilde;o se estabelece alguma forma de equil&iacute;brio de poder, inst&aacute;vel ou relativamente est&aacute;vel. Foi o soci&oacute;logo Norbert Elias quem primeiro prop&ocirc;s de forma mais convincente esta no&ccedil;&atilde;o relacional do poder, explicando como ele est&aacute; presente quer no processo civilizacional que nos conduziu at&eacute; &agrave; sociedade em que vivemos hoje, quer na "luta" por estatuto entre quaisquer dois grupos de seres humanos ou mesmo dentro desses grupos.<br /><br />&Eacute; essa luta pela capacidade de influenciar (e pelo estatuto associado a essa influ&ecirc;ncia) que transporta a no&ccedil;&atilde;o de poder para as organiza&ccedil;&otilde;es. Uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais do que um grupo de pessoas que partilha interesses comuns ou interdependentes e que, por isso, se mant&eacute;m coeso. E numa organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o h&aacute;, sejamos francos, nenhum tema mais importante do que o poder. Em qualquer empresa se sente o peso do equil&iacute;brio de poder, das rela&ccedil;&otilde;es que o mant&ecirc;m e dos acontecimentos que provocam ou refor&ccedil;am a sua instabilidade e a sua altera&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se fala abertamente em poder (aparentemente, a palavra assusta), mas a verdade &eacute; que esse &eacute; o tema quando se assiste &agrave; ascens&atilde;o e queda tanto de gestores e como de pol&iacute;ticos.<br /><br />Apesar de n&atilde;o ser discutido como tal, &eacute; o poder a motiva&ccedil;&atilde;o consciente ou inconsciente de muitos processos dados como adquiridos na vida empresarial. Desde os pactos sociais e as obriga&ccedil;&otilde;es de prestar contas, at&eacute; aos c&oacute;digos de conduta nas reuni&otilde;es formais dos &oacute;rg&atilde;os de gest&atilde;o de uma empresa, tudo se conjuga para um fim. O fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Michel Foucault chamou a esses processos "tecnologias de poder", ou seja, tentativas de manter um certo equil&iacute;brio de poder. Mas ele pr&oacute;prio apontou para a forma como essas "tecnologias" provocam uma reac&ccedil;&atilde;o que leva frequentemente a efeitos imprevistos. Por mais "blindados" que estejam uns estatutos, basta a eros&atilde;o do equil&iacute;brio de poder que lhes deu origem para que essa "blindagem" seja ultrapassada. Pelo contr&aacute;rio, se esse equil&iacute;brio se mantiver, os obst&aacute;culos formais tornam-se puramente redundantes, como exemplos recentes da nossa vida empresarial demonstram de forma clara.<br /><br />As "tecnologias de poder" n&atilde;o se encontram apenas nos instrumentos de governo de uma sociedade. S&atilde;o transportados para a experi&ecirc;ncia corrente por pr&aacute;ticas t&atilde;o comuns como a gest&atilde;o de projectos, com os seus procedimentos de controlo e vigil&acirc;ncia. Dizer que algo serve manter um certo equil&iacute;brio de poder n&atilde;o &eacute; necessariamente negativo. &Eacute; preciso &eacute; que estejamos mais conscientes da forma como o poder est&aacute; presente em quase tudo e como &eacute; constantemente negociado e recriado.]]></content:encoded></item><item><title>Elogio &#xe0; cegueira</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2007-12-28T19:39:43+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/cegueira.html#unique-entry-id-42</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/cegueira.html#unique-entry-id-42</guid><content:encoded><![CDATA[H&aacute; poucas modas de gest&atilde;o mais perigosas do que a vis&atilde;o. Uma empresa que tenha uma daquelas que &eacute; mesmo para usar no dia a dia, e n&atilde;o apenas para estar pendurada na parede para satisfazer clientes e fazer as del&iacute;cias dos acad&eacute;micos, &eacute; uma empresa condenada a problemas estrat&eacute;gicos e &eacute;ticos.<br /><br />A vis&atilde;o &eacute; um objectivo a longo prazo. No princ&iacute;pio do s&eacute;culo passado a Ford queria &ldquo;democratizar o autom&oacute;vel.&rdquo; Nos anos 60, a Nike queria &ldquo;esmagar a Adidas&rdquo;. Na d&eacute;cada de 90, a GE queria &ldquo;ser n&uacute;mero um ou n&uacute;mero dois em todos os mercados&rdquo; em que estava presente. Estas metas s&atilde;o eficazes quando s&atilde;o usadas pelos colaboradores para definir a sua tarefa na organiza&ccedil;&atilde;o. O exemplo cl&aacute;ssico dos livros de gest&atilde;o que se vendem nos aeroportos &eacute; o da empregada de limpeza da NASA. No auge da corrida espacial entre os EUA e a ent&atilde;o URSS algu&eacute;m perguntou a uma senhora que varria os corredores da ag&ecirc;ncia espacial americana em que consistia o seu trabalho. A resposta foi: &ldquo;estou a p&ocirc;r um homem na Lua.&rdquo; Por oposi&ccedil;&atilde;o, uma das frazes mais frequentes das declara&ccedil;&otilde;es de vis&atilde;o &ndash; &ldquo;criar valor para o accionista&rdquo; &ndash; dificilmente servir&aacute; de resposta quando esta pergunta for feita a quem serve caf&eacute;s nas reuni&otilde;es da administra&ccedil;&atilde;o de um banco ou at&eacute; quando os interrogados s&atilde;o os gestores de topo da institui&ccedil;&atilde;o.<br /><br />O programa espacial americano que teve uma vis&atilde;o que ainda hoje &eacute; usada como exemplo de boas pr&aacute;ticas de lideran&ccedil;a j&aacute; viu melhores dias. Muitas das empresas cujo derradeiro objectivo dificilmente motiva os seus colaboradores mais altru&iacute;stas j&aacute; viram dias muito piores. Uma meta pouco inspiradora &eacute; especialmente importante para a sustentabilidade competitiva e &eacute;tica de uma empresa.<br /><br />Do ponto de vista estrat&eacute;gico, uma vis&atilde;o forte &eacute; perigosa porque orienta o esfor&ccedil;o de todos no mesmo sentido. Ter todos os colaboradores a trabalhar para os mesmos fins &eacute; &oacute;ptimo enquanto o objectivos definidos para a empresa sejam compat&iacute;veis com a forma como os seus clientes se comportam. A desvantagem &eacute; que se o mercado muda, os gestores e colaboradores mudar&atilde;o muito mais lentamente, se mudarem de todo. Como disse Ralph Larsen quando era CEO da Johnson & Johnson, quando uma empresa t&ecirc;m uma vis&atilde;o forte &eacute; porque &eacute; capaz de manter os seus objectivos e princ&iacute;pios mesmo que estes lhe tragam desvantagem competitiva.<br /><br />Se os objectivos da empresa forem confusos ou se n&atilde;o forem conhecidos fora do c&iacute;rculo de privilegiados que os definiram, &eacute; muito mais f&aacute;cil reorientar a proposta de valor da empresa porque &eacute; apenas necess&aacute;rio mudar estart&eacute;gias. N&atilde;o h&aacute; grandes metas nem princ&iacute;pios orientadores a limitar a flexibilidade de ac&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Do ponto de vista &eacute;tico, uma vis&atilde;o forte &eacute; perigosa porque pode criar uma cultura em que os fins justificam os meios. Este contexto parece &agrave; primeira vista extremamente positivo porque potencia o compromisso com os objectivos estrat&eacute;gicos gerando inova&ccedil;&atilde;o nos processos de trabalho. No entanto, como provam os casos da Enron, da Worldcom e do Banco Barings, esta flexibilidade pode alargar-se rapidamente a comportamentos n&atilde;o &eacute;ticos. <br /><br />O lema da Enron &ndash; &ldquo;pergunte porqu&ecirc;&rdquo; &ndash; esteve na base de muitas das inova&ccedil;&otilde;es que a tornaram numa das empresas mais admiradas dos EUA durante v&aacute;rios anos. No entanto esteve tamb&eacute;m na base de uma abordagem em que as regras de mercado, os princ&iacute;pios b&aacute;sicos de deontologia dos neg&oacute;cios e at&eacute; as leis eram questionadas a favor dos ganhos que podiam ser obtidos se estas normas fossem ignoradas ou ultrapassadas.<br /><br />Uma vis&atilde;o menos inspiradora n&atilde;o gera a motiva&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para deixar de lado os princ&iacute;pios pessoais que regem o comportamento individual em nome de uma meta colectiva. <br /><br />&Eacute; importante ter uma estrat&eacute;gia clara e conhecida por todos os gestores e colaboradores. Transform&aacute;-la num conto de fadas com um final feliz e c&ocirc;r-de-rosa para os accionistas, os clientes, os colaboradores e o planeta Terra n&atilde;o &eacute; s&oacute; caro e in&uacute;til mas tamb&eacute;m perigoso para a sustentabilidade competitiva e &eacute;tica da empresa.]]></content:encoded></item><item><title>Empresas e Coelhinhos</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2007-07-13T21:35:26+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/8e8d4837a75b413e6f639c201a8eeca2-41.html#unique-entry-id-41</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/8e8d4837a75b413e6f639c201a8eeca2-41.html#unique-entry-id-41</guid><content:encoded><![CDATA[Um dos primeiros livros de gest&atilde;o que li foi o 'Liberation Management' do Tom Peters. Uma parte do livro deixou-me perturbado &ndash; um cap&iacute;tulo inteiro que defendia que os gestores s&atilde;o irrelevantes. O autor citava v&aacute;rios estudos que provavam que a estrat&eacute;gia de qualquer empresa era definida no momento da sua cria&ccedil;&atilde;o e que qualquer esfor&ccedil;o para a mudar significativamente mais tarde era infrut&iacute;fero. Os outros livros que li pareciam ignorar esta investiga&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o foi suficiente para me fazer esquecer o assunto. <br /><br />A teoria em causa &eacute; a da ecologia organizacional. Para esta abordagem as empresas s&atilde;o como coelhinhos e o mercado &eacute; um ecossistema com raposas e cenouras. O pressuposto &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es, quando s&atilde;o criadas, t&ecirc;m caracter&iacute;sticas &uacute;nicas que dependem da cultura, dos valores e da vontade dos seus fundadores. Alguns destes tra&ccedil;os permitem-lhes maior vantagem competitiva do que outros, obtendo mais recursos e suportando melhor as incurs&otilde;es dos concorrentes. &Eacute; como dizer que todos os coelhinhos s&atilde;o diferentes e que de vez em quando h&aacute; um que nasce com seis pernas e que por isso &eacute; mais r&aacute;pido que os outros. <br /><br />De acordo com o processo de evolu&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies de Darwin, os coelhinhos com seis pernas conseguem fugir das raposas mais vezes do que os que s&oacute; t&ecirc;m quatro pernas. Isto significa que v&atilde;o sobreviver mais coelhinhos de seis pernas que v&atilde;o ter filhos com duas pernas extra passando a popula&ccedil;&atilde;o destes animaizinhos a ser constitu&iacute;da por cada vez mais membros de  seis pernas &agrave; medida que v&atilde;o sobrevivendo menos coelhinhos de quatro pernas para se reproduzirem. <br /><br />No mundo das empresas isto significa que estas, no momento da sua cria&ccedil;&atilde;o imitam outras que s&atilde;o bem sucedidas, espalhando um conjunto de estrat&eacute;gias e estruturas por toda uma popula&ccedil;&atilde;o.  Tal como os coelhinhos n&atilde;o conseguem acrescentar duas pernas depois de terem nascido, esta aplica&ccedil;&atilde;o da teoria da evolu&ccedil;&atilde;o de Darwin &agrave; gest&atilde;o diz que todos os gestores que sucedam ao fundador n&atilde;o conseguem alterar a estrutura ou estrat&eacute;gia da organiza&ccedil;&atilde;o em profundidade. <br /><br />A primeira vista este argumento parece disparatado, mas todos aqueles que j&aacute; tiveram uma experi&ecirc;ncia de mudan&ccedil;a organizacional sabem que &eacute; extremamente dif&iacute;cil fazer mudan&ccedil;as que sejam mais do que superficiais. De facto, este &eacute; um dos t&oacute;picos de investiga&ccedil;&atilde;o mais populares e com resultados mais robustos. H&aacute; um departamento inteiro em Stanford que faz pouco mais do que alargar este modelo a um n&uacute;mero cada vez maior de sectores de actividade. A Sloan School of Management do MIT tem tamb&eacute;m vindo a aumentar o peso deste tipo de estudos na investiga&ccedil;&atilde;o levada a cabo pelos professores da escola. Quando fiz o doutoramento havia uma cadeira que era quase exclusivamente dedicada a ensinar como fazer este tipo de investiga&ccedil;&atilde;o. &Eacute; dif&iacute;cil argumentar contra uma abordagem t&atilde;o enraizada e com resultados t&atilde;o s&oacute;lidos.<br /><br />O que fazer ent&atilde;o? Para os empreendedores a mensagem &eacute; clara. A estrutura, estrat&eacute;gia e cultura que escolhem para a sua empresa no princ&iacute;pio de vida &eacute; uma decis&atilde;o que tem consequ&ecirc;ncias para toda a vida da organiza&ccedil;&atilde;o. H&aacute; por isso que olhar para estas decis&otilde;es com consci&ecirc;ncia da sua longevidade e desenhar a organiza&ccedil;&atilde;o para que seja bem sucedida, n&atilde;o s&oacute; nos seus primeiros anos de vida como tamb&eacute;m quando atinja a maturidade. <br /><br />Para os gestores de empresas j&aacute; existentes, esta abordagem coloca dois desafios. O primeiro &eacute; levar a s&eacute;rio a tarefa de diagnosticar qual &eacute; a estrutura, estrat&eacute;gia e cultura que est&atilde;o latentes na sua organiza&ccedil;&atilde;o. Esta heran&ccedil;a dos fundadores &eacute; um elemento fundamental para perceber quais s&atilde;o as for&ccedil;as e fraquezas da organiza&ccedil;&atilde;o. O segundo &eacute; considerar a cria&ccedil;&atilde;o de spin-offs e organiza&ccedil;&otilde;es colaterais como uma op&ccedil;&atilde;o cada vez mais necess&aacute;ria. O sucesso do IBM AS/400 &eacute; muitas vezes atribu&iacute;do a este computador ter sido desenvolvido fora dos laborat&oacute;rios de pesquisa e desenvolvimento da IBM. Ver as organiza&ccedil;&otilde;es como coelhinhos n&atilde;o diminui o papel dos l&iacute;deres, apenas o torna mais desafiante.]]></content:encoded></item><item><title>Boas Inten&#xe7;&#xf5;es</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2006-09-08T21:30:58+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/90c8e1e319aa19fff470443643e85b67-39.html#unique-entry-id-39</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/90c8e1e319aa19fff470443643e85b67-39.html#unique-entry-id-39</guid><content:encoded><![CDATA[Uma das coisas mais perigosas que existem s&atilde;o as pessoas bem intencionadas. Em geral, estas pessoas possuem uma vis&atilde;o de como &eacute; que o mundo poderia ser perfeito. E, numa posi&ccedil;&atilde;o de poder, legislam para que o mundo se aproxime do estado visionado. H&aacute; muitos anos tive ocasi&atilde;o de testemunhar como, atrav&eacute;s de um sistema de incentivos denominado RIME, se tentou produzir por esse pais fora, empres&aacute;rios e empreendedores a partir de gente que tinha ficado sem trabalho, e, que no geral possu&iacute;a qualifica&ccedil;&otilde;es muito pouco not&aacute;veis. Atrav&eacute;s de um &ldquo;curso&rdquo; de gest&atilde;o muito r&aacute;pido e prenhe de swot&rsquo;s e mix de marketing e meia d&uacute;zia de indicadores de gest&atilde;o financeira, e da promessa de incentivos e de um projecto de investimento sempre com VAL satisfat&oacute;rio e TIR&rsquo;s ainda mais bondosas. No final, dados os tradicionais atrasos nos pagamentos de incentivos, pouca gente se ter&aacute; ficado a rir. Conheci bastantes que ficaram afogados nos leasings, incapazes de gerir os compromissos financeiros decorrentes da explora&ccedil;&atilde;o que nunca correu como os risonhos planos financeiros dos projectos.<br /><br />Mas, a inten&ccedil;&atilde;o era muito boa. Por todo o lado, floresceriam, como rosas, pequenas iniciativas empresariais  e o mundo seria promissor para gente que ainda nem um ano atr&aacute;s estava a tentar lidar com a frustra&ccedil;&atilde;o de perder um emprego. Infelizmente, a realidade &eacute; mais cruel, e a engenharia de produ&ccedil;&atilde;o de empres&aacute;rios/as a partir de gente que tinha sido bordadeira ou ajudante de pedreiro ainda n&atilde;o est&aacute; suficientemente afinada. Depois, claro est&aacute;, muita desta gente que tinha investido as parcas economias e as magras indemniza&ccedil;&otilde;es ficou ainda com d&iacute;vidas e projectos falidos.<br /><br />Agora, de novo, temos mais uma boa vaga de inten&ccedil;&otilde;es. Votada, segundo percebi, por unanimidade pelo parlamento e j&aacute; promulgada pelo Presidente da Rep&uacute;blica est&aacute; uma lei que visa acabar ou pelo menos combater a descrimina&ccedil;&atilde;o de pessoa que "sofra de qualquer patologia que determine uma altera&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica ou funcional irrevers&iacute;vel, de longa dura&ccedil;&atilde;o ou evolutiva, potencialmente incapacitante, sem perspectiva de remiss&atilde;o completa e que altere a qualidade de vida do portador a n&iacute;vel f&iacute;sico mental emocional e econ&oacute;mico e seja causa potencial de invalidez precoce ou de significativa redu&ccedil;&atilde;o de esperan&ccedil;a de vida".<br /><br />&Agrave; partida, ningu&eacute;m pode obstar nada. Finalmente, e &agrave; semelhan&ccedil;a de pa&iacute;ses n&oacute;rdicos, seremos uma sociedade de igualdade de oportunidades. Por exemplo, os &ldquo;malandros&rdquo; dos seguros de vida, ter&atilde;o, agora, de concretizar um seguro de vida a qualquer cidad&atilde;o que tenha tido j&aacute; sete acidentes vasculares cerebrais, tenha mais de seiscentos de colesterol, mais de duzentos de diabetes, beba seis litros de caf&eacute; por dia, s&oacute; coma enchidos de Barrancos. E mais, o pre&ccedil;o do seguro ter&aacute; de ser id&ecirc;ntico ao pre&ccedil;o cobrado &agrave;quele outro cidad&atilde;o que tem fisiologia e biologia de campe&atilde;o ol&iacute;mpico de nata&ccedil;&atilde;o.  Suponho, que existir&aacute; uma excep&ccedil;&atilde;o. Os &ldquo;criminosos&rdquo; dos fumadores ser&atilde;o os &uacute;nicos a poder ser discriminados negativamente. Sendo as coisas como s&atilde;o, os pre&ccedil;os dos seguros de vida v&atilde;o subir em flecha, para todos. Ou ent&atilde;o a actividade vai pura e simplesmente cessar, e o &ldquo;Estado&rdquo;, ou seja n&oacute;s, vai criar uma empresa de seguros de vida, e vamos todos pagar &ldquo;sinistros&rdquo;, porque n&atilde;o estou a ver as seguradoras a alterarem a miss&atilde;o empresarial. De neg&oacute;cio que era leg&iacute;timo, embora por vezes question&aacute;vel, como de resto qualquer outro, para actividade substituta do euro-milh&otilde;es e da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia.  Uma coisa &eacute; certa, este ano j&aacute; com a reforma de Bolonha a cadeira de c&aacute;lculo actuarial vai desaparecer. &Eacute; no m&iacute;nimo uma cadeira promotora de discrimina&ccedil;&atilde;o.]]></content:encoded></item><item><title>O Sistema Sombra</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2006-08-25T21:29:14+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/328792c5c90b9ae3457c8e85332b3cda-38.html#unique-entry-id-38</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/328792c5c90b9ae3457c8e85332b3cda-38.html#unique-entry-id-38</guid><content:encoded><![CDATA[A sua empresa tem um sistema de informa&ccedil;&atilde;o sombra. Porque &eacute; que este sistema existe e que desafios coloca aos seus gestores? Olhe bem &agrave; sua volta. O sistema de informa&ccedil;&atilde;o formal &eacute; f&aacute;cil de descobrir: um computador em cada secret&aacute;ria com um &rsquo;software&rsquo; de gest&atilde;o escolhido e implementado pela empresa. O sistema  sombra tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; vista: um caderno, uma pilha de pap&eacute;is e um conjunto de &lsquo;post-its&rsquo; ironicamente colocados no ecr&atilde; do computador.<br /><br />Os gestores utilizam o sistema de informa&ccedil;&atilde;o formal para mostrar sucesso aos seus superiores e para avaliar o desempenho dos seus colaboradores. Este sistema &eacute; um palco onde o trabalho de cada um &eacute; exposto porque pode ser visto por quem quiser e a qualquer momento.<br /><br />Ningu&eacute;m gosta de trabalhar num palco. Por um lado, expor o trabalho prescrito torna os erros vis&iacute;veis e por isso envergonha. Por outro lado, realizar o trabalho n&atilde;o prescrito (o que vem dos imprevistos di&aacute;rios) &agrave; vista de todos torna p&uacute;blicos as improvisa&ccedil;&otilde;es e os desvios &agrave;s regras. Por mais importante que estas sejam, faz&ecirc;-las num palco gera uma percep&ccedil;&atilde;o de incompet&ecirc;ncia e inconsist&ecirc;ncia &ndash; duas amea&ccedil;as &agrave; imagem profissional. O sistema formal &eacute; assim uma ferramenta de trabalho desadequada, em especial para as tarefas n&atilde;o prescritas.<br /><br />No entanto, este trabalho precisa de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o. O c&eacute;rebro tem uma capacidade limitada para guardar e processar informa&ccedil;&atilde;o sem recorrer &agrave; ajuda do mundo material. Uma lista de compras em papel &eacute; um exemplo de um objecto usado para guardar informa&ccedil;&atilde;o. Usar papel e l&aacute;pis para fazer contas &eacute; um exemplo de usar o mundo material para processar informa&ccedil;&atilde;o. Se estes sistemas de informa&ccedil;&atilde;o  s&atilde;o necess&aacute;rios no dia a dia, tamb&eacute;m o s&atilde;o no trabalho, onde a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; em maior quantidade e &eacute; mais complexa. Como o sistema de informa&ccedil;&atilde;o formal &eacute; um palco em que &eacute; imprudente trabalhar (em especial de forma n&atilde;o prescrita), como lidar com a necessidade de um suporte material para a mem&oacute;ria e pensamento? Utilizando um sistema sombra.<br /><br />Os &lsquo;post-its&rsquo; e as pilhas de pap&eacute;is que adornam as mesas de trabalho das empresas s&atilde;o um sistema n&atilde;o prescrito para armazenar e processar informa&ccedil;&atilde;o. A sua vantagem &eacute; que &eacute; invis&iacute;vel a todos menos ao seu utilizador. Permite errar, procrastinar e improvisar sem que isso seja vis&iacute;vel, mesmo para o seu supervisor directo. Estes sistemas s&atilde;o &lsquo;folhas de rascunho&rsquo; para o trabalho de todos os dias, que s&atilde;o depois &lsquo;passadas a limpo&rsquo; para o sistema de informa&ccedil;&atilde;o formal. &Eacute; por isso improv&aacute;vel que os colaboradores reportem no sistema formal os processos n&atilde;o prescritos que utilizam para reponder a desafios inesperados. No entanto os gestores precisam de ter acesso a este trabalho n&atilde;o prescrito para terem uma vis&atilde;o transparente do seu mercado e da sua empresa.<br /><br />Os sistemas sombra colocam assim um desafio aos gestores: o de tornar o trabalho n&atilde;o prescrito vis&iacute;vel. Responder a este desafio implica criar um clima de partilha de conhecimento e confian&ccedil;a, deixando o sistema de informa&ccedil;&atilde;o emergir das improvisa&ccedil;&otilde;es dos colaboradores. Neste contexto a informa&ccedil;&atilde;o sobre o mercado e a organiza&ccedil;&atilde;o chegam aos gestores por dois caminhos. Um &eacute; o das rela&ccedil;&otilde;es informais baseadas nos la&ccedil;os de influ&ecirc;ncia e partilha de conhecimento dentro da empresa. O outro s&atilde;o os f&oacute;runs de discuss&atilde;o formais em que o di&aacute;logo e a pratilha de conhecimento se sobreponham &agrave; vigil&acirc;ncia e controlo. As ferramentas necess&aacute;rias para o trabalho prescrito e n&atilde;o prescrito dos colaboradores s&atilde;o deixadas &agrave; sua iniciativa. S&atilde;o eles que decidem qual &eacute; o &lsquo;mix&rsquo; de meios f&iacute;sicos (&rsquo;post-its&rsquo;) e electr&oacute;nicos (correio electr&oacute;nico, Excel, Word) que constitui o sistema de informa&ccedil;&atilde;o de que necessitam para responder aos desafios do seu trabalho quotidiano.<br /><br />Para ultrapassar este desafio com sucesso &eacute; necess&aacute;rio uma mudan&ccedil;a no papel dos gestores. Deixam de centrar-se em implementar os processos de trabalho prescritos para centrar-se em partilhar a aprendizagem resultante dos processos de trabalho n&atilde;o prescritos.]]></content:encoded></item><item><title>Os enigmas da cultura</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2006-03-31T21:27:32+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/7d580c48c235bfd61d0b14e98a211718-37.html#unique-entry-id-37</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/7d580c48c235bfd61d0b14e98a211718-37.html#unique-entry-id-37</guid><content:encoded><![CDATA[A gest&atilde;o apropriou-se do termo cultura para designar o que o d&aacute; identidade a uma organiza&ccedil;&atilde;o. Assim, &eacute; na cultura de uma empresa que muitas vezes se procuram explica&ccedil;&otilde;es para as suas dificuldades ou para o seu sucesso. Peters e Waterman contribu&iacute;ram fortemente para isso quando, no in&iacute;cio dos anos 80, publicaram o seu livro &ldquo;Na Senda da Excel&ecirc;ncia&rdquo;. Procurando contrariar a rigidez de gest&atilde;o dominante na altura, atribu&iacute;ram o sucesso das empresas &ldquo;excelentes&rdquo; &agrave; sua cultura mais &aacute;gil e humanizada e aos valores partilhados pelos seus colaboradores. A verdade &eacute; que, apenas cinco anos depois, dois ter&ccedil;os das 43 empresas "excelentes" encontradas por Tom Peters e Robert Waterman estavam em crise.<br /><br />Mas, quando falamos de cultura, a que nos estamos a referir exactamente? A resposta mais comum &eacute; a que foi dada por Edgar Schein, um dos te&oacute;ricos mais influentes sobre o tema, que definiu cultura como um padr&atilde;o de pressupostos b&aacute;sicos que uma organiza&ccedil;&atilde;o desenvolveu ao resolver os seus problemas de adapta&ccedil;&atilde;o interna e externa. Como esses pressupostos funcionaram suficientemente bem para serem considerados v&aacute;lidos, passaram a ser ensinados aos novos membros da organiza&ccedil;&atilde;o como a forma correcta de perceber, pensar e sentir em rela&ccedil;&atilde;o a esses problemas de adapta&ccedil;&atilde;o. A cultura seria assim a express&atilde;o dos valores, normas, princ&iacute;pios e expectativas que caracterizam uma organiza&ccedil;&atilde;o.<br /><br />Curiosamente, o que muitas empresas fizeram com esta no&ccedil;&atilde;o de cultura foi aproveit&aacute;-la como instrumento de comunica&ccedil;&atilde;o e de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Foi assim que a IBM se definiu como uma empresa de profissionais dedicados ao servi&ccedil;o ao cliente e a HP como uma empresa na qual os valores perduram em tempos de mudan&ccedil;a. At&eacute; a Apple se descreveu como um grupo de empregados contra o &lsquo;establishment&rsquo; dedicados a inovar quebrando as regras. Qualquer uma destas descri&ccedil;&otilde;es diz-nos pouco sobre a forma como realmente se trabalha dentro dessas empresas e apenas nos revela a forma como cada uma delas se quer mostrar ao mercado e aos seus pr&oacute;prios colaboradores.<br /><br />A cultura de uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o precisa destas frases sonantes para se definir. Qualquer trabalhador de uma empresa sente-a todos os dias em cada conversa, nas hist&oacute;rias que se partilham, nos aspectos positivos e negativos que surgem repetidamente no trabalho conjunto. &Eacute; desse fervilhar de interac&ccedil;&atilde;o no dia-a-dia de uma organiza&ccedil;&atilde;o que a cultura emerge e se transforma como padr&otilde;es de comportamento e relacionamento que definem para cada colaborador o que &eacute; fazer parte dessa organiza&ccedil;&atilde;o. A cultura traduz-se assim em caracter&iacute;sticas muito simples, como a confian&ccedil;a que se tem nos compromissos que s&atilde;o assumidos por um colega de trabalho ou a pontualidade e produtividade que se esperam quando se marca uma reuni&atilde;o.<br /><br />Ainda assim, continua a ser tentador para muitos gestores tentar mudar por decreto a cultura da sua empresa, incutindo de cima para baixo novos valores e novas formas de estar, confundindo muitas vezes motiva&ccedil;&atilde;o e sentimento de perten&ccedil;a com cultura. Acredito que esses esfor&ccedil;os, na grande maioria dos casos, se limitam a produzir mensagens bem intencionadas mas longe da realidade, cujo impacto se perde em pouco tempo. Isso n&atilde;o quer dizer que a cultura n&atilde;o mude, mas apenas que &eacute; extremamente dif&iacute;cil influenciar deliberadamente os padr&otilde;es que caracterizam a forma como os membros de um grupo grande de pessoas se relaciona entre si.<br /><br />N&atilde;o acredito, por tudo isto, que a cultura seja um instrumento eficaz de propaganda organizacional e n&atilde;o tenho pretens&otilde;es de oferecer uma solu&ccedil;&atilde;o para enfrentar os enigmas da cultura. Mas esses enigmas convidam-nos a dedicar um pouco mais de reflex&atilde;o &agrave; forma como contribu&iacute;mos, no nosso grupo de trabalho, para manter ou para mudar o que gostamos e o que n&atilde;o gostamos na cultura da nossa organiza&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s dessa reflex&atilde;o, cada um de n&oacute;s encontrar&aacute; certamente formas concretas de participar na constru&ccedil;&atilde;o do seu ambiente de trabalho. &Eacute; no dia-a-dia que a ideia de cultura numa empresa ganha vida e n&atilde;o como uma mera ideia abstracta para explicar dificuldades ou sucessos alheios.]]></content:encoded></item><item><title>O trabalho invis&#xed;vel dos vendedores</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2007-09-07T21:26:09+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/dfabc9db454152c08fb9ebe2c182f742-36.html#unique-entry-id-36</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/dfabc9db454152c08fb9ebe2c182f742-36.html#unique-entry-id-36</guid><content:encoded><![CDATA[H&aacute; pol&iacute;ticas de remunera&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o erros &oacute;bvios. Por exemplo, como seria avaliado o l&iacute;der de uma empresa de estudos de mercado que premiasse os seus colaboradores com base nos resultados dos inqu&eacute;ritos aos consumidores? Certamente de forma muito negativa. &Eacute; pouco inteligente pagar a uma equipa que est&aacute; a descobrir qual &eacute; o sabonete preferido dos Portugueses pelo n&uacute;mero de pessoas que respondem Sabonete Silva. &Eacute; f&aacute;cil prever o resultado desta avalia&ccedil;&atilde;o do sector da higiene pessoal: o Sabonete Silva seria a escolha da esmagadora maioria dos inquiridos.<br /><br />Por menos inteligente que esta pol&iacute;tica de remunera&ccedil;&otilde;es pare&ccedil;a, esta &eacute; a pr&aacute;tica habitual em muitas empresas, talvez com a excep&ccedil;&atilde;o das que fazem estudos de mercado.<br /><br />A informa&ccedil;&atilde;o das vendas &eacute; uma das principais bases de defini&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia. Saber que produtos &eacute; que t&ecirc;m mais aceita&ccedil;&atilde;o no mercado, como &eacute; que os h&aacute;bitos de compra mudam e como &eacute; que os clientes est&atilde;o a reagir a mudan&ccedil;as nos produtos, no seu posicionamento e nos pre&ccedil;os &ndash; tudo isto s&atilde;o dados que s&atilde;o retirados dos resultados comerciais. A implica&ccedil;&atilde;o &eacute; simples mas importante: as equipas de vendas n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; quem traz a factura&ccedil;&atilde;o que a empresa precisa para sobreviver. S&atilde;o tamb&eacute;m quem traz a informa&ccedil;&atilde;o de que necessita para melhorar a posi&ccedil;&atilde;o competitiva da organiza&ccedil;&atilde;o. Como os vendedores s&atilde;o pagos por objectivos comerciais repartidos por produtos, do ponto de vista da obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica isto &eacute; o mesmo que a premiar inquiridores pelo n&uacute;mero de entrevistados que escolhem o sab&atilde;o Silva.<br /><br />A consequ&ecirc;ncia &eacute; obvia &ndash; os departamentos de vendas mais competentes em gerar factura&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m aqueles que trazem para a empresa informa&ccedil;&atilde;o de pior qualidade. Cumprir os objectivos de vendas &eacute; lutar contra o mercado, insistir no sab&atilde;o azul quando o mercado quer mesmo &eacute; sabonete liquido. Claro que este efeito pode ser atenuado por um l&iacute;der que tenha intui&ccedil;&atilde;o para a evolu&ccedil;&atilde;o do sector e para o comportamento dos consumidores, mas um director comercial assim s&oacute; garante que a empresa segue as varia&ccedil;&otilde;es do mercado. A informa&ccedil;&atilde;o sobre tend&ecirc;ncias futuras continua escondida. <br /><br />Quanto mais exigentes forem o incentivos menor &eacute; a aprendizagem. Os comerciais inventam t&aacute;cticas que lhes permitam atingir os objectivos que lhe s&atilde;o impostos sem que os seus clientes comprem o suficiente para tal. &Eacute; pr&aacute;tica habitual entre os vendedores de refrigerantes de algumas empresas l&iacute;deres do sector a n&iacute;vel nacional e internacional comprar do seu pr&oacute;prio bolso a quantidade de bebidas em falta para atingir o seu objectivo mensal. Do ponto de comercial isto at&eacute; pode ser pouco relevante. A empresa factura na mesma. No entanto, do ponto de vista da informa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, isto &eacute; desastroso. As flutua&ccedil;&otilde;es de mercado s&oacute; s&atilde;o vis&iacute;veis quando s&atilde;o de dimens&atilde;o consider&aacute;vel, numa altura em que j&aacute; &eacute; demasiado tarde para implementar medidas preventivas e por isso em que tem que se tomar decis&otilde;es em modo de crise. Isto j&aacute; para n&atilde;o falar no conhecimento que a organiza&ccedil;&atilde;o perde em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tend&ecirc;ncias futuras do mercado.<br /><br />H&aacute; uma solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil para este desafio: deixar de remunerar os comerciais com base no cumprimento de objectivos. Pode parecer blasf&eacute;mia, mas continuar a pagar-lhes desta forma &eacute; prescindir de informa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica de qualidade. A verdade &eacute; que os vendedores n&atilde;o s&atilde;o recrutados numa tribo de uma ilha remota isolada da civiliza&ccedil;&atilde;o. T&ecirc;m a mesma origem de todos os outros trabalhadores. Tal como no caso de um contabilista ou de um financeiro, uma lideran&ccedil;a motivadora que tenha a credibilidade para determinar de forma subjectiva o pr&eacute;mio que cada um dos seus colaboradores dever&aacute; receber &eacute; mais do que suficiente para assegurar o empenho dos vendedores no aumento da factura&ccedil;&atilde;o e na conquista de novos mercados. Nessa altura, aqueles que s&atilde;o respons&aacute;veis por decis&otilde;es estrat&eacute;gicas v&atilde;o descobrir um mercado vivo e din&acirc;mico que dificilmente reconhecer&atilde;o, habituados que est&atilde;o a verem os seus planos de vendas a tornarem-se profecias auto realizadoras ano ap&oacute;s ano.]]></content:encoded></item><item><title>Ch&#xe1;&#x2c; suor e l&#xe1;grimas</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2007-03-09T21:24:35+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/bd21653b02ba7ae3f4ebd87007cb9762-35.html#unique-entry-id-35</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/bd21653b02ba7ae3f4ebd87007cb9762-35.html#unique-entry-id-35</guid><content:encoded><![CDATA[Trabalhar &eacute; apenas uma das muitas coisas que as pessoas fazem nas empresas. Tamb&eacute;m tomam ch&aacute; e caf&eacute;, navegam na internet e desabafam as suas pequenas trag&eacute;dias. &Agrave;s vezes tamb&eacute;m choram. Os gestores t&ecirc;m tentado aumentar a produtividade minimizando o tempo desperdi&ccedil;ado com essas distrac&ccedil;&otilde;es. Mas ser&aacute; que estas actividades t&ecirc;m um impacto negativo no desempenho?<br /><br />Comecemos pelas bebidas quentes. Um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o que estou a coordenar descobriu que estas s&atilde;o fundamentais para a economia do conhecimento. Uma auditora confessou que fazia mais de vinte ch&aacute;venas de ch&aacute; por dia, apesar de s&oacute; beber tr&ecirc;s. Explicou que, &ldquo;sempre que preciso de espairecer, fa&ccedil;o uma caneca, nem que seja para a deixar a arrefecer na minha mesa&rdquo;. Para ela, espairecer &eacute; &ldquo;fazer um reset mental&rdquo;. Quando as tarefas que um colaborador tem em m&atilde;os s&atilde;o de grande exig&ecirc;ncia intelectual, as interrup&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias para manter n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o durante per&iacute;odos prolongados de trabalho. O processo de aquecer a &aacute;gua e preparar uma infus&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma conquista de um trabalhador pregui&ccedil;oso que aproveita todas as oportunidades para fugir &agrave;s suas obriga&ccedil;&otilde;es. &Eacute; uma t&eacute;cnica a que as pessoas altamente motivadas recorrem para sustentar ritmos elevados de esfor&ccedil;o cerebral.<br /><br />Navegar na Internet pode ter o mesmo efeito, mas o mundo on-line tamb&eacute;m &eacute; um bom s&iacute;tio para chorar. Os empregados de uma das principais empresas p&uacute;blicas de Portugal sabem-no por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria. Entre 1998 e 2002 passaram por um ambicioso projecto de mudan&ccedil;a. Foram sujeitos a altera&ccedil;&otilde;es profundas na sua cultura e a avalia&ccedil;&otilde;es de desempenho que serviram para realizar despedimentos em grande escala, muitas vezes disfar&ccedil;ados de rescis&otilde;es volunt&aacute;rias. Estas pessoas sentiram-se maltratadas e usaram um f&oacute;rum virtual para carpir as m&aacute;goas trazidas por um processo que viam como amea&ccedil;ador &agrave; sua identidade profissional. Sentiam-se humilhadas e diminu&iacute;das e diziam-no abertamente. Colocavam mensagens, que podiam ser lidas pelos colegas e pelos seus superiores num espa&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o criado na rede inform&aacute;tica interna. Este local de discuss&atilde;o tinha inicialmente sido criado para a troca de ideias e sugest&otilde;es para aumentar a produtividade e a competitividade de todos os departamentos. No entanto acabou por ser utilizado para desabafar, com muita emo&ccedil;&atilde;o &agrave; mistura, a experi&ecirc;ncia de passar por uma sucess&atilde;o de momentos dif&iacute;ceis. Quando entrevistei os gestores e os trabalhadores desta empresa ouvi sempre o mesmo coment&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o ao efeito daquilo que os membros destes dois grupos classificavam como uma &ldquo;v&aacute;lvula de escape&rdquo;: tinha tido um impacto muito positivo no projecto de mudan&ccedil;a. Ironicamente (ou talvez n&atilde;o) os n&iacute;veis de resist&ecirc;ncia foram dos mais baixos de sempre e os indicadores de efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia deste processo deixariam orgulhoso qualquer l&iacute;der. A explica&ccedil;&atilde;o &eacute; simples. Ao colocar as mensagens no f&oacute;rum on-line os colaboradores estavam como que a bater numa almofada em vez de bater no chefe. Chorar em conjunto as altera&ccedil;&otilde;es internas que a empresa sofreu, ainda que num espa&ccedil;o virtual, serviu para dissipar a energia que de outra forma seria canalizada para as bloquear e sabotar. <br /><br />As entrevistas realizadas no &acirc;mbito do estudo que estou a coordenar revelam que h&aacute; muitas l&aacute;grimas e desabafos quotidianos que s&oacute; s&atilde;o testemunhados pelos amigos mais pr&oacute;ximos. Estes momentos servem para lidar com os pequenoS dramas do dia a dia. &Eacute; nas casas de banho e nos corredores que os colaboradores, especialmente aqueles que est&atilde;o no in&iacute;cio de carreira, lidam com as cr&iacute;ticas negativas. Apesar de serem oportunidades de aprendizagem, as aprecia&ccedil;&otilde;es desfavor&aacute;veis do esfor&ccedil;o de cada um s&atilde;o sempre dif&iacute;ceis de ouvir. Extravasar a m&aacute;goa que estes coment&aacute;rios causam permite que os colaboradores consigam manter-se produtivos depois de ouvir que os resultados atingidos n&atilde;o correspondem &agrave;s expectativas. <br /><br />A mensagem &eacute; clara: em vez de lutar contra os momentos de &lsquo;n&atilde;o-trabalho&rsquo;, os l&iacute;deres devem us&aacute;-los como uma ferramenta de gest&atilde;o.]]></content:encoded></item><item><title>O paradoxo dos &#x201c;colaboradores ideais&#x201d;</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2006-05-26T21:01:00+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/0b2ef14cbf7f1d1951e77a6a0cae16b0-34.html#unique-entry-id-34</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/0b2ef14cbf7f1d1951e77a6a0cae16b0-34.html#unique-entry-id-34</guid><content:encoded><![CDATA[A prop&oacute;sito de um dos &uacute;ltimos artigos deste painel, uma leitora enviou-me o endere&ccedil;o de um dos seus blogs preferidos. Segundo ela, estava muito perto da forma como se discutia nesse artigo a lideran&ccedil;a das nossas empresas. Fiquei curioso e segui imediatamente o link&hellip; Foi assim que descobri o Creating Passionate Users, um excelente blog escrito a oito m&atilde;os em  <a href="http://headrush.typepad.com/" rel="self">http://headrush.typepad.com/</a>.<br /><br />Apesar de n&atilde;o ser especificamente sobre gest&atilde;o (os autores escrevem livros sobre programa&ccedil;&atilde;o), muitos dos artigos s&atilde;o sobre a vida nas empresas.  <a href="http://headrush.typepad.com/creating_passionate_users/2006/05/top_management_.html" rel="self">Um deles</a>, aquele que motivou a leitora a enviar-me o link, descrevia com bastante humor o contraste entre o que os gestores dizem o que realmente pensam. O argumento &eacute; f&aacute;cil de sintetizar. Ningu&eacute;m diz que quer contratar &ldquo;yes men&rdquo;, mas sim colaboradores criativos, assertivos e frontais. O problema &eacute; que aqueles que correspondem a este perfil &ldquo;ideal&rdquo; que todos dizem querer raramente s&atilde;o recompensados e muitas vezes s&atilde;o mesmo penalizados precisamente por causa dessas caracter&iacute;sticas. Porque &eacute; que as organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m tanta dificuldade em viver com os colaboradores que parecem desejar t&atilde;o ardentemente?<br /><br />O estudo sobre o &ldquo;ADN organizacional&rdquo; que a Booz Allen Hamilton realizou entre Dezembro de 2003 e Janeiro de 2005 pode ajudar perceber este paradoxo dos &ldquo;colaboradores ideais&rdquo;. O objectivo do estudo era tra&ccedil;ar o perfil cultural do maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de organiza&ccedil;&otilde;es, vistas anonimamente pelos seus colaboradores. Para isso, realizaram 8.000 inqu&eacute;ritos presenciais e obtiveram mais de 30.000 respostas a um question&aacute;rio online no site onde agora tamb&eacute;m podemos encontrar os resultados finais (<a href="http://www.orgdna.com" rel="self">www.orgdna.com</a>). Mesmo com todas as d&uacute;vidas que nos possa despertar um perfil cultural obtido atrav&eacute;s um question&aacute;rio com 19 perguntas de escolha m&uacute;ltipla, n&atilde;o se podem ignorar duas conclus&otilde;es muito reveladoras.<br /><br />A primeira conclus&atilde;o &eacute; que as empresas com culturas organizacionais problem&aacute;ticas s&atilde;o muito mais comuns do que as empresas com culturas &ldquo;saud&aacute;veis&rdquo;, numa propor&ccedil;&atilde;o de quase dois para um. Como a cultura problem&aacute;tica de longe mais frequente &eacute; a &ldquo;passiva-agressiva&rdquo;, caracterizada por situa&ccedil;&otilde;es em que todos parecem concordar mas nada muda, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil imaginar como os &ldquo;yes men&rdquo; prosperam e os colaboradores assertivos e frontais desesperam. O que &eacute; dif&iacute;cil &eacute; imaginar como essas organiza&ccedil;&otilde;es conseguir&atilde;o sair desse padr&atilde;o quando acabam por rejeitar e afastar precisamente os colaboradores com o perfil necess&aacute;rio para mudarem&hellip;<br /><br />A segunda conclus&atilde;o revela que quando mais elevada &eacute; a posi&ccedil;&atilde;o de algu&eacute;m dentro da empresa, mais optimista essa pessoa &eacute; quanto &agrave; cultura da sua organiza&ccedil;&atilde;o. Esse fen&oacute;meno &eacute; especialmente vis&iacute;vel nos gestores de topo das organiza&ccedil;&otilde;es, os quais, segundo este estudo, t&ecirc;m uma imagem radicalmente diferente daquela que todos os outros t&ecirc;m sobre a empresa. Assim, pode n&atilde;o ser por cinismo que tantos CEOs dizem desejar colaboradores assertivos, criativos e frontais. Talvez eles os desejem mesmo atrair para a sua organiza&ccedil;&atilde;o mas os gestores interm&eacute;dios acabem por preferir e recompensar nas suas escolhas os &ldquo;bons soldados&rdquo; e os &ldquo;carregadores de piano&rdquo; que n&atilde;o constituem amea&ccedil;a nem levantam problemas inc&oacute;modos. &Eacute; assim que o paradoxo dos colaboradores ideais se transforma numa armadilha, quando as organiza&ccedil;&otilde;es recrutam pessoas que a quem depois dificultam a vida at&eacute; ao ponto em que estes s&atilde;o for&ccedil;ados a sair.<br /><br />Mas essa n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica armadilha deste paradoxo. Trabalhar com pessoas que questionam as nossas op&ccedil;&otilde;es &eacute; mais exigente do que trabalhar com quem as aceita passivamente. H&aacute; pouco tempo, numa reuni&atilde;o de projecto, confrontei-me com a minha impaci&ecirc;ncia quando tive que argumentar e sustentar escolhas que me pareciam acertadas mas que levantavam d&uacute;vidas &agrave; equipa que trabalha comigo. Seria uma discuss&atilde;o in&uacute;til? N&atilde;o foi. Algumas escolhas n&atilde;o passaram no teste e o resultado do nosso trabalho ficou francamente melhor depois daquela discuss&atilde;o. O paradoxo dos &ldquo;colaboradores ideais&rdquo; &eacute; um produto da tenta&ccedil;&atilde;o de seguir o caminho mais f&aacute;cil. Mas os caminhos mais exigentes podem conduzir a destinos mais interessantes&hellip;]]></content:encoded></item><item><title>Depois da &#x2018;&#xfa;ltima linha&#x2019;</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2007-01-12T20:59:13+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/1322d3107c2d53f45500fd6117ff7026-33.html#unique-entry-id-33</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/1322d3107c2d53f45500fd6117ff7026-33.html#unique-entry-id-33</guid><content:encoded><![CDATA[Exigir resultados &eacute; um direito natural de qualquer accionista e estabelecer objectivos &eacute; um instrumento b&aacute;sico de qualquer gestor. &Eacute; por isso que muita gente afirma que uma cultura de objectivos e resultados &eacute; a base de uma gest&atilde;o eficaz, capaz de traduzir inten&ccedil;&otilde;es em ac&ccedil;&otilde;es que produzem os efeitos desejados. &Eacute; tamb&eacute;m por isso que se diz, sem grandes reservas, que o que interessa &eacute; a &lsquo;bottom line&rsquo;, a &uacute;ltima linha da demonstra&ccedil;&atilde;o de resultados. H&aacute; mesmo quem diga que tudo o resto &eacute; conversa. De facto, a &uacute;ltima linha, aquela onde aparece o valor do lucro ou do preju&iacute;zo apurado, &eacute; muito importante porque reflecte o desempenho do &uacute;ltimo per&iacute;odo e a viabilidade imediata de uma empresa. Mas ser&aacute; s&oacute; isso que importa?<br /><br />A chamada &lsquo;cultura de objectivos e resultados&rsquo; &eacute; traduzida na vida concreta das organiza&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de uma s&eacute;rie de instrumentos e t&eacute;cnicas de gest&atilde;o cujo objectivo &eacute; definir ac&ccedil;&otilde;es, controlar a sua execu&ccedil;&atilde;o e avaliar os seus resultados. Estes instrumentos de controlo s&atilde;o simples e amplamente usados. S&atilde;o a base da defini&ccedil;&atilde;o de objectivos em cascata nas empresas, bem como da maior parte dos sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho dos seus colaboradores. As regras para definir bons objectivos s&atilde;o igualmente triviais, porque um objectivo que n&atilde;o seja poss&iacute;vel de alcan&ccedil;ar ou que n&atilde;o se possa medir dificilmente pode gerar os comportamentos pretendidos.<br /><br />A pr&oacute;pria popularidade da gest&atilde;o de projectos pode ser explicada pela forma evidente como traduz inten&ccedil;&otilde;es em ac&ccedil;&otilde;es e resultados concretos. Abordar um problema ou um objectivo dividindo-o em tarefas sucessivas ou paralelas, fixando datas para a conclus&atilde;o de cada uma e pontos de controlo interm&eacute;dios, tra&ccedil;a um caminho que pode ser seguido de forma aparentemente simples. Mas, se todas estas t&eacute;cnicas s&atilde;o t&atilde;o evidentes e amplamente utilizadas, o que &eacute; que falha? Porque &eacute; que empresas poderosas e sectores que eram pr&oacute;speros se afundam apesar da sua forte cultura de objectivos e resultados?<br /><br />Quando um gestor est&aacute; totalmente focado nos seus resultados imediatos, na &uacute;ltima linha da pr&oacute;xima demonstra&ccedil;&atilde;o de resultados, espera que todos os seus colaboradores partilhem esse objectivo imediato. Os comportamentos que s&atilde;o premiados s&atilde;o os que contribuem para esses resultados e que se traduzem depressa no aumento de receitas ou na redu&ccedil;&atilde;o de custos. A din&acirc;mica de relacionamento que pode resultar deste foco pode degenerar numa cultura conservadora, avessa aos riscos e &agrave; inova&ccedil;&atilde;o e cujo horizonte n&atilde;o v&aacute; al&eacute;m da pr&oacute;xima &lsquo;&uacute;ltima linha&rsquo;.<br /><br />Muito naturalmente, nenhum neg&oacute;cio se sustenta indefinidamente. O mercado muda, os consumidores alteram as suas prefer&ecirc;ncias e a tecnologia abre continuamente novas possibilidade que abalam at&eacute; os neg&oacute;cios que se consideravam mais s&oacute;lidos. &Eacute; por isso que o foco nos objectivos imediatos n&atilde;o pode eliminar o espa&ccedil;o, o tempo e os recursos necess&aacute;rios para explorar a criatividade e gerar inova&ccedil;&otilde;es. Se a viabilidade imediata de uma organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; expressa pelos seus resultados, a sua sustentabilidade futura resulta da sua capacidade de inovar, explorando novas formas de criar valor que substituam as que se v&atilde;o tornando invi&aacute;veis ou obsoletas. A necessidade de ir para al&eacute;m dos objectivos imediatos sente-se especialmente em sectores que est&atilde;o em mudan&ccedil;a constante, como os tecnol&oacute;gicos. Nos exemplos de sucesso desses sectores n&atilde;o falta espa&ccedil;o para explorar novas possibilidades, mesmo que estas n&atilde;o produzam resultados imediatos.<br /><br />A conclus&atilde;o l&oacute;gica &eacute; que a cultura de objectivos e resultados &eacute; importante mas n&atilde;o chega, porque garante sobretudo a viabilidade imediata da organiza&ccedil;&atilde;o. A sua sustentabilidade depende da capacidade de encontrar uma sinergia entre os resultados imediatos, que libertam recursos, e a capacidade de inova&ccedil;&atilde;o, que gera o valor futuro. Isso implica contrariar os fundamentalismos do controlo demasiado apertado, garantindo o espa&ccedil;o necess&aacute;rio para a criatividade surgir e para as boas ideias poderem ser exploradas. A inova&ccedil;&atilde;o &eacute; isso mesmo, a capacidade de criar algo novo, uma tecnologia, uma forma de vender ou simplesmente um processo de trabalho diferente, que d&ecirc; &agrave; empresa uma vantagem competitiva que a sustente. E a criatividade n&atilde;o &eacute; algo que se possa exigir, &eacute; preciso dar-lhe espa&ccedil;o para que ela surja.]]></content:encoded></item><item><title>Estrat&#xe9;gia Instant&#xe2;nea (I)</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2007-12-14T20:57:30+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/23f84e8ec506730a45b4edbb66c83c49-32.html#unique-entry-id-32</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/23f84e8ec506730a45b4edbb66c83c49-32.html#unique-entry-id-32</guid><content:encoded><![CDATA[Cada &eacute;poca conheceu um problema estrat&eacute;gico dominante. Na d&eacute;cada de sessenta, na senda dos tempos do baby boom,  o autor Igor Ansoff foi o que melhor percebeu que a quest&atilde;o dominante era o crescimento. O problema marcante era como aproveitar as oportunidades de negocio.  Ansoff prop&ocirc;s uma matriz not&aacute;vel para a abordagem das traject&oacute;rias l&oacute;gicas de desenvolvimento &ldquo;org&acirc;nico&rdquo;. Partia do primeiro passo, &ldquo;vender mais do mesmo aos mesmos&rdquo;, seguido de &ldquo;encontrar novos clientes para os mesmos produtos&rdquo;, completava com &ldquo;mais produtos para si que j&aacute; confiava em n&oacute;s&rdquo; e finalizava com a aplica&ccedil;&atilde;o do cash inflow realizado nas op&ccedil;&otilde;es anteriores em novos neg&oacute;cios. A apologia da diversifica&ccedil;&atilde;o talvez tenha ido longe demais, at&eacute; aos conglomerados de neg&oacute;cios de &ldquo;tudo em todo o lado&rdquo;, que fizeram a ITT descobrir que gest&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas racionalidade mais um sistema de reporting. <br /><br />Na d&eacute;cada de 70 e 80, e na ressaca dos choques petrol&iacute;feros, descobriu-se que o custo era um elemento essencial da gest&atilde;o para alem do crescimento das vendas... <br /><br />Porter emergiu, ent&atilde;o, como o autor mais importante. Quer o custo de produ&ccedil;&atilde;o quer a concorr&ecirc;ncia, esse desagrad&aacute;vel sen&atilde;o dos neg&oacute;cios em mercado aberto, constitu&iacute;ram preocupa&ccedil;&otilde;es centrais na origem da dicotomia da escolha entre o produzir one size fits all ou segmentar o mercado. A simplicidade da quest&atilde;o estrat&eacute;gica, analis&aacute;vel pelo ROI (Return on Investment) da Dupont com o seu r&aacute;cio combinado de Lucro/Vendas x Vendas/Activos, ou seja euro ganho por euro vendido e euro vendido por euro investido, est&aacute; na origem do poder do modelo do Michael Porter. Aparentemente devemos posicionarmo-nos num ou noutro espectro da equa&ccedil;&atilde;o. <br /><br />Nos anos 90 em face da inexor&aacute;vel desmaterializa&ccedil;&atilde;o da economia, cada vez mais constitu&iacute;da de produtos e servi&ccedil;os em que o conhecimento &eacute; mat&eacute;ria prima, m&eacute;todo de produ&ccedil;&atilde;o e produto final, come&ccedil;aram a proliferar heur&iacute;sticas de solu&ccedil;&atilde;o para os problemas da incomensurabilidade desta economia. Se para a transforma&ccedil;&atilde;o de materiais e energias acumulamos escalas e equa&ccedil;&otilde;es lineares que nos permitem explicar e prever o comportamento da economia, para esta nova dimens&atilde;o imaterial da actividade humana parece ser mais dif&iacute;cil. Modelos de compet&ecirc;ncias, de clusters, de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, de inova&ccedil;&atilde;o, de flexibiliza&ccedil;&atilde;o, de reconfigura&ccedil;&atilde;o, de poder sobre o mercado em dimens&atilde;o ou em fileira, de ciclos de vida abundam como solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se sabe, &agrave;s vezes, bem para que problema. <br /><br />Uma boa parte das estrat&eacute;gias cl&aacute;ssicas est&atilde;o em vias de extin&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; ainda comiss&atilde;o de salva&ccedil;&atilde;o das esp&eacute;cies estrat&eacute;gicas em extin&ccedil;&atilde;o, mas a seu tempo algum fundo comunit&aacute;rio, provavelmente, se encarregar&aacute; de financiar o museu. <br /><br />A escolha entre o produzir barato e em massa ou produzir diferente e desnatar o mercado, patrocinadas pelo Porter, foram ultrapassadas pelo produzir diferen&ccedil;a para o mercado de massas, como se pode ver na Zara e na Decathelom. Em parte, a Internet, e a sua divulga&ccedil;&atilde;o horizontal de informa&ccedil;&atilde;o, &eacute; respons&aacute;vel por isto. Qualquer empregada dom&eacute;stica da Malveira pode agora, merc&ecirc; da banda larga barata e dos computadores a 100 euros, consultar o &ldquo;conceito est&eacute;tico do Armani&rdquo; e ficar a saber do des&iacute;gnio de uma moda andr&oacute;gina. <br /><br />Por outro lado, a denominada estrat&eacute;gia de &ldquo;internacionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; s&oacute; existe na cabe&ccedil;a daqueles que v&ecirc;m a transposi&ccedil;&atilde;o da fronteira em Badajoz como um desafio incomensur&aacute;vel para o provincianismo de quem se escandaliza com o facto de j&aacute; existirem universidade em que as aulas de licenciatura s&atilde;o quase todas em ingl&ecirc;s. <br /><br />Os clusters &ldquo;estrat&eacute;gicos&rdquo;, dado o seu car&aacute;cter emergente e n&atilde;o comandando a partir de nenhum centro de decis&atilde;o ou planeamento, n&atilde;o s&atilde;o uma op&ccedil;&atilde;o para as empresas, pouco preocupadas com &ldquo;inten&ccedil;&otilde;es&rdquo; de programadores do planeamento sovi&eacute;tico cuja ra&ccedil;a abunda em qualquer minist&eacute;rio da economia ou da ind&uacute;stria ou de comiss&atilde;o europeia. A inova&ccedil;&atilde;o, que parece ser inadi&aacute;vel, n&atilde;o passa de um chav&atilde;o sob o qual &eacute; poss&iacute;vel, em &uacute;ltima an&aacute;lise, decifrar qualquer ac&ccedil;&atilde;o empresarial. Hoje, at&eacute; a venda de faqueiros na banca de retalho pode ser considerada uma inova&ccedil;&atilde;o. De t&atilde;o vulgarizada a palavra torna-se in&oacute;cua. <br /><br />A estrat&eacute;gia tornou-se como os tempos. Instant&acirc;nea. Mas quais ser&atilde;o os novos vectores de posicionamento?]]></content:encoded></item><item><title>O choque tecnol&#xf3;gico</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2007-02-09T20:55:18+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/be7d1d062a595871be91971d0691bf9c-31.html#unique-entry-id-31</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/be7d1d062a595871be91971d0691bf9c-31.html#unique-entry-id-31</guid><content:encoded><![CDATA[No &uacute;ltimo ano e meio foram publicados dois livros que deixaram marcas profundas porque identificaram novas formas como a tecnologia est&aacute; a mudar os h&aacute;bitos de um n&uacute;mero cada vez maior de pessoas. Estou da falar de &lsquo;The Search&rsquo;, de John Battelle, publicado entre n&oacute;s pela Casa das Letras, e de The Long Tail&rsquo;, a obra do editor da Wired, Chris Anderson, ainda sem edi&ccedil;&atilde;o portuguesa que eu conhe&ccedil;a. Nenhum desses livros se deixa condensar numa frase nem num par&aacute;grafo, mas exploram duas faces do mesmo fen&oacute;meno: a forma como chegamos &agrave; informa&ccedil;&atilde;o que queremos est&aacute; a mudar.<br /><br />Battelle pegou no tema pelo lado da pesquisa e demonstrou como procurar na Internet se tornou na forma mais &oacute;bvia para chegarmos a alguma coisa que desejamos, seja informa&ccedil;&atilde;o, entretenimento, produtos ou servi&ccedil;os. Mais do que isso, o registo das palavras pesquisadas no Google e nos outros motores de pesquisa constitui uma preciosa &lsquo;base de dados de inten&ccedil;&otilde;es&rsquo;, capaz de revelar os desejos e os interesses da uma parte significativa da nossa sociedade.<br /><br />Chris Anderson, pelo seu lado, percebeu como essas mudan&ccedil;as est&atilde;o a mudar o equil&iacute;brio entre a oferta e a procura. Num mundo onde a possibilidade de escolha &eacute; cada vez maior, n&atilde;o estamos limitados aos filmes de sucesso garantido que passam nos cinemas perto de casa, nem nos temos que resignar &agrave; escolha limitada de livros, discos ou DVDs que encontramos nas lojas locais. A grande inova&ccedil;&atilde;o da Amazon, da eBay ou da iTunes foi dar-nos acesso a um cat&aacute;logo quase infinito de escolhas. No fim do ano passado, eu tinha duas objectivas antigas Leica para vender. Depois de enviar um email a bastantes amigos, percebi que n&atilde;o havia procura local para aqueles bens usados e relativamente caros. Coloquei-as &agrave; venda na eBay, onde foram vistas por centenas de interessados, acabando por ser vendidas uma para a Su&eacute;cia e a outra para o Jap&atilde;o. O com&eacute;rcio global ficou ao alcance de qualquer um.<br /><br />Mas esta mudan&ccedil;a no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se limita ao mundo da Internet, est&aacute; bem presente no nosso dia-a-dia numa organiza&ccedil;&atilde;o. Naturalmente que essa mudan&ccedil;a n&atilde;o se sente em f&aacute;bricas ou em empresas mais pequenas, mas &eacute; cada vez mais evidente em todos os escrit&oacute;rios nos quais ter um computador ligado &agrave; Internet se tornou comum e indispens&aacute;vel. Nesse ambiente, as regras da gest&atilde;o est&atilde;o a mudar. A informa&ccedil;&atilde;o sobre o que se passa na empresa deixou de ser control&aacute;vel a partir do topo, cada colaborador tem ao seu dispor cada vez mais fontes alternativas ao discurso oficial. Por SMS, trocando mensagens instant&acirc;neas num &lsquo;messenger&rsquo; ou usando simplesmente o email, as redes de contacto escapam a qualquer controlo.<br /><br />Eu vivi um pequeno epis&oacute;dio h&aacute; algum tempo que ilustra perfeitamente este fen&oacute;meno. Ao assumir a direc&ccedil;&atilde;o de um departamento numa empresa do sector tecnol&oacute;gico, o director-geral convocou uma reuni&atilde;o geral ao in&iacute;cio do dia para me apresentar. A reuni&atilde;o foi curta e silenciosamente tensa, sem perguntas. Cada pessoa voltou &agrave; sua secret&aacute;ria e o amplo &lsquo;open-space&rsquo; onde todos trabalhavam ficou silencioso. S&oacute; mais tarde percebi o que aconteceu realmente. Como todos usavam uma aplica&ccedil;&atilde;o de &lsquo;messenger&rsquo;, assim que cada um voltou ao seu computador come&ccedil;ou a falar electronicamente com os colegas. As perguntas reais surgiram a&iacute;. Quem &eacute; este tipo? O que vai acontecer ao anterior director? O que &eacute; que esta mudan&ccedil;a significa? Com as respostas que obtiveram, mais um par de pesquisas na Internet pelo meu nome, ao fim da manh&atilde; cada um tinha toda a informa&ccedil;&atilde;o que queria. Discretamente, mas de forma eficaz.<br /><br />Esta mudan&ccedil;a real &eacute; facilmente ignorada pelos gestores. Todos parecem agir como se controlassem o que &eacute; dito no interior da empresa. Mas as empresas est&atilde;o cada vez mais vivas, porque as pessoas que as comp&otilde;em t&ecirc;m cada vez mais formas de interagir entre si. Isso significa que o que cada um faz localmente pode ser rapidamente do conhecimento de todos numa grande organiza&ccedil;&atilde;o. A &lsquo;conversa de corredor&rsquo; j&aacute; n&atilde;o est&aacute; limitada aos corredores f&iacute;sicos, porque toda a empresa se tornou num grande &lsquo;corredor virtual&rsquo;. Que podem os gestores fazer em rela&ccedil;&atilde;o a isto? Simplesmente, aceitar esta mudan&ccedil;a, dando mais import&acirc;ncia ao fazem e menos import&acirc;ncia ao que dizem. Paradoxalmente, a tecnologia torna mais importantes as ac&ccedil;&otilde;es e as rela&ccedil;&otilde;es. Afinal, &eacute; a&iacute; que tudo se decide.]]></content:encoded></item><item><title>O paradoxo da inova&#xe7;&#xe3;o</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jos&#xe9; Manuel Fonseca</category><dc:date>2006-02-17T20:53:06+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/b7963a51162c269fe2e71327e02201a3-30.html#unique-entry-id-30</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/b7963a51162c269fe2e71327e02201a3-30.html#unique-entry-id-30</guid><content:encoded><![CDATA[As empresas criam novidades, sob a forma de produtos melhores, mais fi&aacute;veis, mais atractivos, mais &uacute;teis e de modo crescente h&iacute;bridos de v&aacute;rias tecnologias. Como consumidores, fic&aacute;mos &ldquo;viciados&rdquo; nesta espiral de novidade. Exigimos cada vez mais e mais das empresas. De facto, j&aacute; assimil&aacute;mos palavras como segunda gera&ccedil;&atilde;o, &lsquo;restyling&rsquo;, &lsquo;upgrade&rsquo;, &lsquo;improvment&rsquo;, como sem&acirc;nticas correntes quando nos referimos a produtos cuja complexidade n&atilde;o percebemos, mas que tratamos &ldquo;por tu&rdquo; e como objectos triviais. A maior parte de n&oacute;s acha perfeitamente poss&iacute;vel que o telem&oacute;vel amanh&atilde; seja receptor de televis&atilde;o, e, porque n&atilde;o, que os &oacute;culos de sol sirvam de telem&oacute;vel, ou que as torneiras de alguns restaurantes deveriam ter &lsquo;ABS&rsquo; para evitar alguns mal entendidos.<br /><br />Aqui h&aacute; uns anos, um engenheiro japon&ecirc;s para explicar o conceito de Qualidade e de melhorias cont&iacute;nuas, falava de expectativas dos clientes e, dividia conceptualmente a coisa em tr&ecirc;s n&iacute;veis. O primeiro, seria o que esperamos como um dado adquirido. Por exemplo, os carros terem cinco velocidades, hoje em dia, j&aacute; nem sequer &eacute; motivo de argumento comunicacional em publicidade. O segundo factor, &eacute; o que esperamos como factor de distin&ccedil;&atilde;o. Esta diferencia&ccedil;&atilde;o rapidamente se tornar&aacute; usual. Por exemplo, os m&uacute;ltiplos &lsquo;air bags&rsquo;, que alegadamente o meu carro possui e, que sinceramente, espero nunca verificar se de facto os tem instalados. E, falava o engenheiro, do factor del&iacute;cia.<br /><br />Aquilo que n&atilde;o ocorre a ningu&eacute;m pedir, nem esperar e que, por vezes, &eacute; um mero detalhe sem express&atilde;o nos custos de fabrico do produto, mas que deixa o cliente espantado e agradado. Por exemplo, a bolsinha que a Volvo colocava no p&aacute;ra brisas para que fosse poss&iacute;vel guardar os recibos de parqueamento. (Para quem j&aacute; estacionou o carro em Estocolmo, ou pior, para quem j&aacute; perdeu um &lsquo;ticket&rsquo; de estacionamento em Estocolmo, esta pequena inova&ccedil;&atilde;o era extraordin&aacute;ria...). As empresas, contudo, parecem ser as primeiras &ldquo;v&iacute;timas&rdquo; desta sua cria&ccedil;&atilde;o. Uma qualquer empresa, quando inova, f&aacute;-lo para ganhar uma margem competitiva sobre os seus concorrentes. Na esperan&ccedil;a, por vezes irrealista, de conseguir um pequeno, e nas mais das vezes ef&eacute;mero, nicho de mercado, onde possa levar uma vida mais tranquila sem a press&atilde;o dos concorrentes. Onde possa portanto, beneficiar de uma certa clem&ecirc;ncia e estabilidade.<br /><br />Buscam, pois, as empresas alguma forma de ordem e de controlo, nestes dias de globaliza&ccedil;&atilde;o inexor&aacute;vel e &ldquo;impiedosa&rdquo;. Tentando criar v&iacute;nculos de lealdade e consumidores fi&eacute;is, seduzidos pela devo&ccedil;&atilde;o com que as empresas se esfor&ccedil;aram para os agradar e surpreender. Apenas para descobrir que os consumidores s&atilde;o amantes vol&aacute;teis e vol&uacute;veis. Contudo, quanto mais as empresas, procuram construir estes nichos de mercado que permitam ambientes mais indulgentes, paradoxalmente, mais contribuem para um estado geral de cria&ccedil;&atilde;o de instabilidade nos mercados e para que os consumidores ainda exijam mais e mais inova&ccedil;&atilde;o e novidade. E, parece, que de facto, esta constitui a &uacute;nica resposta &agrave;s exig&ecirc;ncias de consumidores mais educados, mais reivindicativos e &agrave;s opini&otilde;es p&uacute;blicas mais influenciadas por discursos pol&iacute;ticos que parecem ter adoptado, em un&iacute;ssono, a inova&ccedil;&atilde;o como uma esp&eacute;cie de t&aacute;bua de salva&ccedil;&atilde;o ou de panaceia universal e geral. As empresas ficam, deste modo, prisioneiras do paradoxo da inova&ccedil;&atilde;o: ao tentarem, individualmente, criar novidades para encontrarem alguma certeza apenas produzem, colectivamente, mais incerteza.<br /><br />A quest&atilde;o que se coloca &eacute;: poder&atilde;o as empresas escapar a este paradoxo?]]></content:encoded></item><item><title>A persuas&#xe3;o do powerpoint</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Rui Grilo</category><dc:date>2006-11-03T20:51:25+00:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/e7fee522354f4a4b3b0405dd2806a260-29.html#unique-entry-id-29</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/e7fee522354f4a4b3b0405dd2806a260-29.html#unique-entry-id-29</guid><content:encoded><![CDATA[N&atilde;o me lembro de nenhum tema que tenha apaixonado mais a esp&eacute;cie humana do que encontrar a liga&ccedil;&atilde;o entre causas e efeitos. Quando ignoramos as causas de alguma coisa, o medo que essa coisa nos provoca &eacute; ampliado de forma assustadora. Quando percebemos as causas desse efeito, o medo atenua-se e ganhamos uma sensa&ccedil;&atilde;o de controlo sobre o que est&aacute; a acontecer. Ao longo da hist&oacute;ria do Homem foi assim, por exemplo, com o fogo, os rel&acirc;mpagos e algumas doen&ccedil;as. Da mesma forma, quando procuramos um determinado efeito procuramos gerar causas que nos deixem seguros de que atingiremos esse objectivo.<br /><br />Esta busca da rela&ccedil;&atilde;o directa entre causas e efeitos foi um motor poderoso para a evolu&ccedil;&atilde;o do nosso conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico e atingiu um sucesso suficientemente grande para nos proporcionar o conforto de que gozamos actualmente no mundo desenvolvido. Esse sucesso foi t&atilde;o grande que se tornou comum a convic&ccedil;&atilde;o que Pierre Laplace expressou no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, de que seria poss&iacute;vel encontrar uma f&oacute;rmula tal que seria capaz de prever os movimentos de todos os corpos do Universo, dos maiores planetas at&eacute; ao menor dos &aacute;tomos, eliminando assim toda a incerteza.<br /><br />Foi a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia que destruiu esse sonho, ao demonstrar que h&aacute; muitos fen&oacute;menos no nosso mundo que escapam a esta rela&ccedil;&atilde;o linear entre causas e efeitos. Sempre que o mais importante &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o e a interdepend&ecirc;ncia entre os elementos que constituem esses fen&oacute;menos, mais dif&iacute;cil &eacute; encontrar as rela&ccedil;&otilde;es entre causas e efeitos. H&aacute; muitos casos em que &eacute; mesmo imposs&iacute;vel determinar as causas certas para atingir um determinado efeito que pretendemos atingir. Foi isso que descobriram os pioneiros das ci&ecirc;ncias da complexidade, que ganharam notoriedade nos &uacute;ltimos anos com o nome redutor de &ldquo;teoria do caos&rdquo;. Apesar desse r&oacute;tulo, a mensagem mais importante que Lorenz, Mandelbrot ou Prigogyne nos deixam &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; fen&oacute;menos para os quais procurar a liga&ccedil;&atilde;o directa entre causas e efeitos &eacute; uma quimera.<br /><br />A gest&atilde;o de empresas tamb&eacute;m tem evolu&iacute;do na busca das liga&ccedil;&otilde;es entre causas e efeitos. Cada gestor procura formas de atingir os resultados que deseja, tentando avaliar todas as consequ&ecirc;ncias das suas ac&ccedil;&otilde;es. Mas o caminho entre causas e efeitos numa organiza&ccedil;&atilde;o passa pela interac&ccedil;&atilde;o entre tantas pessoas que o resultado &eacute; tudo menos linear. Para al&eacute;m do n&uacute;mero de pessoas que t&ecirc;m que interagir para atingir esse resultado, cada colaborador, cliente ou fornecedor tem a sua agenda e os seus interesses pr&oacute;prios a defender e pelos quais negoceia e persuade. Se a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma empresa cotada em bolsa, as interac&ccedil;&otilde;es que influenciam o seu valor s&atilde;o ainda mais complexas, envolvendo investidores, corretores e analistas, cada um com o seu objectivo, a interagir num mercado aberto.<br /><br />Paradoxalmente, foi neste mundo complexo das empresas que se instalou de forma mais persistente a &ldquo;ditadura&rdquo; do powerpoint, como &uacute;nica forma de propor e fundamentar uma decis&atilde;o. N&atilde;o lhe dou esse nome porque o programa da Microsoft precise de publicidade (h&aacute; v&aacute;rias alternativas de qualidade, mas nenhuma se lhe compara em popularidade), mas sim porque &eacute; a forma mais clara de descrever os documentos em formato horizontal nos quais se demonstra passo a passo, de forma indutiva, a bondade de uma determinada proposta. Esse formato &eacute; especialmente popular no mundo da consultoria e evoluiu em torno de um conjunto de regras muito simples: apresentar uma ideia por slide, demonstrando-a atrav&eacute;s de uma fundamenta&ccedil;&atilde;o clara, exibida de forma gr&aacute;fica, e expressa em texto atrav&eacute;s de uma caixa de conclus&otilde;es, o chamado &ldquo;so what?&rdquo;.<br /><br />Atrevo-me a dizer, como um amigo meu j&aacute; escreveu, que hoje em dia nenhuma ideia &eacute; aceite se n&atilde;o puder ser expressa num powerpoint. Eu pr&oacute;prio me viciei nesse formato h&aacute; bastante tempo. O problema &eacute; que essa forma extremamente persuasiva de apresentar um argumento nos conduz a pensar de forma linear, apresentando-nos as ac&ccedil;&otilde;es e os resultados para que ningu&eacute;m duvide da liga&ccedil;&atilde;o directa entre causas e efeitos. O problema &eacute; que isso nos convida a n&atilde;o pensar na complexidade e na incerteza que qualquer proposta envolve e desvia a nossa aten&ccedil;&atilde;o dos impactos que foram omitidos, por vezes de forma deliberada. Uma boa ideia &eacute; por isso muito mais do que o powerpoint que a apresenta. N&atilde;o deixa de ser curioso, contudo, que nalguns casos quem n&atilde;o encontra argumentos contra uma ideia diga, de forma depreciativa, que &eacute; apenas um powerpoint&hellip;]]></content:encoded></item><item><title>Negocia&#xe7;&#xe3;o n&#xe3;o&#x2c; persuas&#xe3;o</title><dc:creator>rui.grilo@mail.telepac.pt</dc:creator><category>Jo&#xe3;o Vieira da Cunha</category><dc:date>2006-09-22T20:49:29+01:00</dc:date><link>http://ideiasemserie.net/gestao/files/dea30443e5b279836f9661c5f950a0b0-28.html#unique-entry-id-28</link><guid isPermaLink="true">http://ideiasemserie.net/gestao/files/dea30443e5b279836f9661c5f950a0b0-28.html#unique-entry-id-28</guid><content:encoded><![CDATA[A negocia&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como uma compet&ecirc;ncia central dos gestores. No entanto, nas organiza&ccedil;&otilde;es, a persuas&atilde;o &eacute; t&atilde;o ou mais importante do que a negocia&ccedil;&atilde;o. Por duas raz&otilde;es: Primeiro, os processos formais de persuas&atilde;o s&atilde;o cada vez mais frequentes nas empresas. Segundo, o sucesso numa negocia&ccedil;&atilde;o depende muitas vezes de um processo informal de persuas&atilde;o.<br /><br />A negocia&ccedil;&atilde;o &eacute; uma actividade essencial nas organiza&ccedil;&otilde;es. Elementos t&atilde;o importantes como sal&aacute;rios e pre&ccedil;os s&atilde;o resultado de negocia&ccedil;&otilde;es que exigem prepara&ccedil;&atilde;o e capacidade de encontrar solu&ccedil;&otilde;es para problemas dif&iacute;ceis. No entanto, uma negocia&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e um interesse comum na sua realiza&ccedil;&atilde;o. A negocia&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios implica interesse m&uacute;tuo na rela&ccedil;&atilde;o entre a organiza&ccedil;&atilde;o e os seus membros e negociar pre&ccedil;os implica interesse m&uacute;tuo num neg&oacute;cio. Mas existem situa&ccedil;&otilde;es em que o interesse &eacute; apenas de uma das partes. Para um presidente executivo &eacute; mais c&oacute;modo manter uma estrat&eacute;gia que tem dado bons resultados do que apostar numa nova oportunidade de mercado proposta por um gestor interm&eacute;dio. Para uma empresa, &eacute; mais f&aacute;cil continuar a usar relat&oacute;rios produzidos em Excel do que comprar o &uacute;ltimo grito em sistemas de informa&ccedil;&atilde;o a um vendedor. Aqui, negociar os recursos para alocar a uma nova oportunidade ou o pre&ccedil;o de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o &eacute; algo que tem que ser conquistado atrav&eacute;s da persuas&atilde;o.<br /><br />Nestes casos, a persuas&atilde;o difere da negocia&ccedil;&atilde;o na medida em que a persuas&atilde;o &eacute; uma apresenta&ccedil;&atilde;o, muitas vezes feita com slides em PowerPoint, enquanto que a negocia&ccedil;&atilde;o &eacute; uma conversa. A persuas&atilde;o requer, por isso, um conjunto de compet&ecirc;ncias que pouco t&ecirc;m em comum com as que s&atilde;o necess&aacute;rias para a negocia&ccedil;&atilde;o. Na negocia&ccedil;&atilde;o, o processo em si &eacute; revelador. &Agrave; medida que v&atilde;o sendo trocadas informa&ccedil;&otilde;es e propostas, as partes v&atilde;o revelando uma &agrave; outra os seus interesses, interpreta&ccedil;&otilde;es e alternativas. Numa apresenta&ccedil;&atilde;o em que o objectivo &eacute; persuadir, os sinais transmitidos pelo interlocutor s&atilde;o mais subtis e dif&iacute;ceis de ler. A pouca comunica&ccedil;&atilde;o da parte a ser persuadida limita-se predominantemente a cr&iacute;ticas e a uma ou outra pergunta. A avalia&ccedil;&atilde;o de interesse e de alternativas &eacute; por isso mais dif&iacute;cil. Al&eacute;m disso, a difus&atilde;o do PowerPoint como ferramenta de persuas&atilde;o, for&ccedil;a a prepara&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via da apresenta&cce