João Vieira da Cunha

Terror ao pequeno almoço

O director da unidade de vendas onde fiz a minha investigação de doutoramento tomava o pequeno-almoço com os chefes das suas oito equipas de vendas todas as quartas-feiras de manhã. O terror que cada um deles transpirava quando se sentava à frente de dois croissants, um pacotinho de manteiga e uma chávena de café era contagiante. Na primeira vez que fui a uma destas reuniões, vi que as mãos de vários deles tremiam – parecia que a delicada faca de cortar croissants era um martelo penumático ligado à corrente. A energia que a alimentava vinha de dentro, do medo do interrogatório que estava para vir. Read More...
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Alternativas ao Homo Economicus

Há um conjunto de trabalhadores em cada empresa que correspondem às expectativas dos economistas. São os homo economicus ou busca-bónus: indivíduos que ajustam o seu comportamento de forma a maximizar o bónus que resulta do atingimento dos objectivos que lhes são propostos. A carreira não é a sua preocupação principal e muitos recusam promoções porque sabem que a sua competência para atingir resultados através do seu próprio esforço pode não se reflectir nas capacidade de os atingir através dos outros. A sua progressão segue uma lógica meramente material. Preocupam-se não com o seu desenvolvimento ou com o nível de desafio das suas tarefas mas sim com as mudanças no valor do seu bónus e no esforço necessário para o atingir. Esta orientação para os resultados pode levar a práticas abusivas de vendas, pequenas e grandes fraudes e outros comportamentos não éticos. Pior – a sua motivação para cumprir objectivos não transborda para as outras áreas da sua relação com a organização. Não partilham conhecimento, não estão interessados aprender com os outros nem contribuem de forma formal ou informal para a sustentabilidade estratégica da empresa. Estão lá apenas para cumprir o que lhes é pedido e ganhar os prémios daí resultantes. Read More...
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Fobias e estratégia

Há momentos na história dos mercados em que os gestores são vítimas de fobias histéricas. Estes episódios tornam oportunidades de reforçar a posição competitiva da empresa em ameaças à sua sobrevivência.

O terror que assola os líderes da indústria de conteúdos é talvez o exemplo mais trágico deste fenómeno na história económica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discográficas e dos estúdios de cinema têm pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espaço virtual é como que uma grande ‘feira da ladra dos pequeninos’ onde crianças e jovens se entretêm a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa facturação de cada uma destas indústrias. Read More...
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Elogio à cegueira

Há poucas modas de gestão mais perigosas do que a visão. Uma empresa que tenha uma daquelas que é mesmo para usar no dia a dia, e não apenas para estar pendurada na parede para satisfazer clientes e fazer as delícias dos académicos, é uma empresa condenada a problemas estratégicos e éticos. Read More...
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Equipas? Não, obrigado!

As equipas estão na moda. Os livrinhos de gestão que se encontram nas tabacarias dos aeroportos não se cansam de elogiar as vantagens de atribuir tarefas a um grupo, em vez de as entregar a um só colaborador. Muitos manuais de recursos humanos têm um capítulo inteiro apenas dedicado a este assunto. Mais surpreendente ainda, um estudo recente sobre os códigos éticos aponta para que 43% das empresas inclua o trabalho em equipa como um princípio orientador. Read More...
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O trabalho invisível dos vendedores

Há políticas de remuneração que são erros óbvios. Por exemplo, como seria avaliado o líder de uma empresa de estudos de mercado que premiasse os seus colaboradores com base nos resultados dos inquéritos aos consumidores? Certamente de forma muito negativa. É pouco inteligente pagar a uma equipa que está a descobrir qual é o sabonete preferido dos Portugueses pelo número de pessoas que respondem Sabonete Silva. É fácil prever o resultado desta avaliação do sector da higiene pessoal: o Sabonete Silva seria a escolha da esmagadora maioria dos inquiridos. Read More...
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Empresas e Coelhinhos

Um dos primeiros livros de gestão que li foi o 'Liberation Management' do Tom Peters. Uma parte do livro deixou-me perturbado – um capítulo inteiro que defendia que os gestores são irrelevantes. O autor citava vários estudos que provavam que a estratégia de qualquer empresa era definida no momento da sua criação e que qualquer esforço para a mudar significativamente mais tarde era infrutífero. Os outros livros que li pareciam ignorar esta investigação, mas isso não foi suficiente para me fazer esquecer o assunto. Read More...
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Actos de Deus

Quando estava nos EUA decidi comprar uma televisão. Li no manual que “a garantia não cobre actos de Deus, como a trovoada e a chuva.” Este aviso revela a teoria do clima que tinha o fabricante da minha televisão: os fenómenos meteorológicos são actos divinos. Há uma explicação que, apesar de parecer pateta para o autor deste manual, não é menos válida: a chuva resulta de processos físicos que ocorrem na atmosfera da Terra. A diferença entre a minha teoria da chuva e a do fabricante da minha televisão tem consequências. Se eu quiser saber que tempo vai estar amanhã tenho que interpretar os níveis de pressão atmosférica e a velocidade do vento. O fabricante da minha televisão têm que ir ao oráculo. Read More...
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O Português na redoma de vidro

A cultura portuguesa é apontada como uma das razões para a falta de competitividade do nosso país. Se assim for, a melhor estratégia para melhorar a nossa economia é enviar cidadãos nacionais para os países que concorrem directamente com o nosso e importar profissionais de locais com uma cultura mais eficaz. Se os valores e hábitos que nos caracterizam enquanto portugueses, em certas condições pode dar resposta a qualquer desafio competitivo, então estamos perante a necessidade de ajustar processos de gestão e liderança. Read More...
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Chá, suor e lágrimas

Trabalhar é apenas uma das muitas coisas que as pessoas fazem nas empresas. Também tomam chá e café, navegam na internet e desabafam as suas pequenas tragédias. Às vezes também choram. Os gestores têm tentado aumentar a produtividade minimizando o tempo desperdiçado com essas distracções. Mas será que estas actividades têm um impacto negativo no desempenho? Read More...
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Os líderes a prazo e o bacalhau

Muitas empresas, como a SONAE ou a GE têm relações estáveis com os seus gestores de topo. No entanto há outras, como a Galp e a HP, em que estes líderes vêm com prazo de validade. Quando chegam, já têm uma data de partida anunciada. A sua carreira depende da capacidade de terem um impacto significativo e muito visível durante a sua estadia. Há que provar que a mudança é para melhor e por isso rapidamente aparecem várias iniciativas para responder aos novos desafios de mercado. Mas muitas vezes estes novos projectos demoram a ser implementados e quando finalmente chegam ao fim, os resultados ficam muito aquém das expectativas. Read More...
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Medir em vez de mentir

A falta de transparência dos indicadores de desempenho de uma empresa tem uma causa fundamental: também são usados para a avaliação dos colaboradores. Se os gestores utilizam a mesma informação para perceber o que se passa na organização e para decidir quanto pagar de bónus, há fortes incentivos para que essa informação seja deturpada. A justificação para manter esta prática, apesar da desconfiança que cria na relação entre gestores e colaboradores, é a objectividade. Read More...
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O ‘jeitinho’

Há empresas grandes e burocráticas que conseguem manter-se competitivas em sectores que estão em mudança constante. São empresas como a Nokia que, apesar de serem pesadas e mudarem lentamente, continuam a ter um lugar no pódio da competitividade. Como o conseguem? Read More...
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Negociação não, persuasão

A negociação é vista como uma competência central dos gestores. No entanto, nas organizações, a persuasão é tão ou mais importante do que a negociação. Por duas razões: Primeiro, os processos formais de persuasão são cada vez mais frequentes nas empresas. Segundo, o sucesso numa negociação depende muitas vezes de um processo informal de persuasão. Read More...
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O Sistema Sombra

A sua empresa tem um sistema de informação sombra. Porque é que este sistema existe e que desafios coloca aos seus gestores? Olhe bem à sua volta. O sistema de informação formal é fácil de descobrir: um computador em cada secretária com um ’software’ de gestão escolhido e implementado pela empresa. O sistema sombra também está à vista: um caderno, uma pilha de papéis e um conjunto de ‘post-its’ ironicamente colocados no ecrã do computador. Read More...
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Montra e janela

Hoje quero provocar os leitores com o seguinte argumento: os sistemas de informação (SIs) não são uma janela, são uma montra. Esta provocação não é um exercício de imaginação académica, é o resultado de 15 meses de investigação numa multinacional que é apresentada como um exemplo de sucesso na implementação de SIs estratégicos. Read More...
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