João Vieira da Cunha
Terror ao pequeno almoço
30/05/2008 11:42
O director da unidade de vendas onde fiz a minha
investigação de doutoramento tomava o pequeno-almoço
com os chefes das suas oito equipas de vendas todas
as quartas-feiras de manhã. O terror que cada um
deles transpirava quando se sentava à frente de dois
croissants, um pacotinho de manteiga e uma chávena de
café era contagiante. Na primeira vez que fui a uma
destas reuniões, vi que as mãos de vários deles
tremiam – parecia que a delicada faca de cortar
croissants era um martelo penumático ligado à
corrente. A energia que a alimentava vinha de dentro,
do medo do interrogatório que estava para vir.
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Alternativas ao Homo Economicus
11/04/2008 19:33
Há um conjunto de trabalhadores em cada empresa que
correspondem às expectativas dos economistas. São os
homo economicus ou busca-bónus: indivíduos que
ajustam o seu comportamento de forma a maximizar o
bónus que resulta do atingimento dos objectivos que
lhes são propostos. A carreira não é a sua
preocupação principal e muitos recusam promoções
porque sabem que a sua competência para atingir
resultados através do seu próprio esforço pode não se
reflectir nas capacidade de os atingir através dos
outros. A sua progressão segue uma lógica meramente
material. Preocupam-se não com o seu desenvolvimento
ou com o nível de desafio das suas tarefas mas sim
com as mudanças no valor do seu bónus e no esforço
necessário para o atingir. Esta orientação para os
resultados pode levar a práticas abusivas de vendas,
pequenas e grandes fraudes e outros comportamentos
não éticos. Pior – a sua motivação para cumprir
objectivos não transborda para as outras áreas da sua
relação com a organização. Não partilham
conhecimento, não estão interessados aprender com os
outros nem contribuem de forma formal ou informal
para a sustentabilidade estratégica da empresa. Estão
lá apenas para cumprir o que lhes é pedido e ganhar
os prémios daí resultantes. Read
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Fobias e estratégia
08/02/2008 19:52
Há momentos na história dos mercados em que os
gestores são vítimas de fobias histéricas. Estes
episódios tornam oportunidades de reforçar a posição
competitiva da empresa em ameaças à sua
sobrevivência.
O terror que assola os líderes da indústria de conteúdos é talvez o exemplo mais trágico deste fenómeno na história económica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discográficas e dos estúdios de cinema têm pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espaço virtual é como que uma grande ‘feira da ladra dos pequeninos’ onde crianças e jovens se entretêm a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa facturação de cada uma destas indústrias. Read More...
O terror que assola os líderes da indústria de conteúdos é talvez o exemplo mais trágico deste fenómeno na história económica recente. Os directores das editoras de livros, das empresas discográficas e dos estúdios de cinema têm pesadelos recorrentes com a Internet. Para eles o espaço virtual é como que uma grande ‘feira da ladra dos pequeninos’ onde crianças e jovens se entretêm a roubar fatias cada vez maiores da apetitosa facturação de cada uma destas indústrias. Read More...
Elogio à cegueira
28/12/2007 19:39
Há poucas modas de gestão mais perigosas do que a
visão. Uma empresa que tenha uma daquelas que é mesmo
para usar no dia a dia, e não apenas para estar
pendurada na parede para satisfazer clientes e fazer
as delícias dos académicos, é uma empresa condenada a
problemas estratégicos e éticos. Read
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Equipas? Não, obrigado!
02/11/2007 19:04
As equipas estão na moda. Os livrinhos de gestão que
se encontram nas tabacarias dos aeroportos não se
cansam de elogiar as vantagens de atribuir tarefas a
um grupo, em vez de as entregar a um só colaborador.
Muitos manuais de recursos humanos têm um capítulo
inteiro apenas dedicado a este assunto. Mais
surpreendente ainda, um estudo recente sobre os
códigos éticos aponta para que 43% das empresas
inclua o trabalho em equipa como um princípio
orientador. Read
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O trabalho invisível dos vendedores
07/09/2007 21:26
Há políticas de remuneração que são erros óbvios. Por
exemplo, como seria avaliado o líder de uma empresa
de estudos de mercado que premiasse os seus
colaboradores com base nos resultados dos inquéritos
aos consumidores? Certamente de forma muito negativa.
É pouco inteligente pagar a uma equipa que está a
descobrir qual é o sabonete preferido dos Portugueses
pelo número de pessoas que respondem Sabonete Silva.
É fácil prever o resultado desta avaliação do sector
da higiene pessoal: o Sabonete Silva seria a escolha
da esmagadora maioria dos inquiridos. Read
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Empresas e Coelhinhos
13/07/2007 21:35
Um dos primeiros livros de gestão que li foi o
'Liberation Management' do Tom Peters. Uma parte do
livro deixou-me perturbado – um capítulo inteiro que
defendia que os gestores são irrelevantes. O autor
citava vários estudos que provavam que a estratégia
de qualquer empresa era definida no momento da sua
criação e que qualquer esforço para a mudar
significativamente mais tarde era infrutífero. Os
outros livros que li pareciam ignorar esta
investigação, mas isso não foi suficiente para me
fazer esquecer o assunto. Read
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Actos de Deus
01/06/2007 19:09
Quando estava nos EUA decidi comprar uma televisão.
Li no manual que “a garantia não cobre actos de Deus,
como a trovoada e a chuva.” Este aviso revela a
teoria do clima que tinha o fabricante da minha
televisão: os fenómenos meteorológicos são actos
divinos. Há uma explicação que, apesar de parecer
pateta para o autor deste manual, não é menos válida:
a chuva resulta de processos físicos que ocorrem na
atmosfera da Terra. A diferença entre a minha teoria
da chuva e a do fabricante da minha televisão tem
consequências. Se eu quiser saber que tempo vai estar
amanhã tenho que interpretar os níveis de pressão
atmosférica e a velocidade do vento. O fabricante da
minha televisão têm que ir ao oráculo. Read
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O Português na redoma de vidro
23/03/2007 21:37
A cultura portuguesa é apontada como uma das razões
para a falta de competitividade do nosso país. Se
assim for, a melhor estratégia para melhorar a nossa
economia é enviar cidadãos nacionais para os países
que concorrem directamente com o nosso e importar
profissionais de locais com uma cultura mais eficaz.
Se os valores e hábitos que nos caracterizam enquanto
portugueses, em certas condições pode dar resposta a
qualquer desafio competitivo, então estamos perante a
necessidade de ajustar processos de gestão e
liderança. Read
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Chá, suor e lágrimas
09/03/2007 21:24
Trabalhar é apenas uma das muitas coisas que as
pessoas fazem nas empresas. Também tomam chá e café,
navegam na internet e desabafam as suas pequenas
tragédias. Às vezes também choram. Os gestores têm
tentado aumentar a produtividade minimizando o tempo
desperdiçado com essas distracções. Mas será que
estas actividades têm um impacto negativo no
desempenho? Read
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Os líderes a prazo e o bacalhau
26/01/2007 20:41
Muitas empresas, como a SONAE ou a GE têm relações
estáveis com os seus gestores de topo. No entanto há
outras, como a Galp e a HP, em que estes líderes vêm
com prazo de validade. Quando chegam, já têm uma data
de partida anunciada. A sua carreira depende da
capacidade de terem um impacto significativo e muito
visível durante a sua estadia. Há que provar que a
mudança é para melhor e por isso rapidamente aparecem
várias iniciativas para responder aos novos desafios
de mercado. Mas muitas vezes estes novos projectos
demoram a ser implementados e quando finalmente
chegam ao fim, os resultados ficam muito aquém das
expectativas. Read
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Medir em vez de mentir
15/12/2006 19:06
A falta de transparência dos indicadores de
desempenho de uma empresa tem uma causa fundamental:
também são usados para a avaliação dos colaboradores.
Se os gestores utilizam a mesma informação para
perceber o que se passa na organização e para decidir
quanto pagar de bónus, há fortes incentivos para que
essa informação seja deturpada. A justificação para
manter esta prática, apesar da desconfiança que cria
na relação entre gestores e colaboradores, é a
objectividade. Read
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O ‘jeitinho’
20/10/2006 20:24
Há empresas grandes e burocráticas que conseguem
manter-se competitivas em sectores que estão em
mudança constante. São empresas como a Nokia que,
apesar de serem pesadas e mudarem lentamente,
continuam a ter um lugar no pódio da competitividade.
Como o conseguem? Read
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Negociação não, persuasão
22/09/2006 20:49
A negociação é vista como uma competência central dos
gestores. No entanto, nas organizações, a persuasão é
tão ou mais importante do que a negociação. Por duas
razões: Primeiro, os processos formais de persuasão
são cada vez mais frequentes nas empresas. Segundo, o
sucesso numa negociação depende muitas vezes de um
processo informal de persuasão. Read
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O Sistema Sombra
25/08/2006 21:29
A sua empresa tem um sistema de informação sombra.
Porque é que este sistema existe e que desafios
coloca aos seus gestores? Olhe bem à sua volta. O
sistema de informação formal é fácil de descobrir: um
computador em cada secretária com um ’software’ de
gestão escolhido e implementado pela empresa. O
sistema sombra também está à vista: um caderno, uma
pilha de papéis e um conjunto de ‘post-its’
ironicamente colocados no ecrã do computador.
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Montra e janela
09/06/2006 20:36
Hoje quero provocar os leitores com o seguinte
argumento: os sistemas de informação (SIs) não são
uma janela, são uma montra. Esta provocação não é um
exercício de imaginação académica, é o resultado de
15 meses de investigação numa multinacional que é
apresentada como um exemplo de sucesso na
implementação de SIs estratégicos. Read
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