José Manuel Fonseca
A conversa quando as coisas não correm bem
16/05/2008 19:39
Trata-se de discutir, neste artigo, algumas
curiosidades do processo de formulação de uma
estratégia. Devemos começar pelo negócio em que
realmente estamos. Por exemplo, algumas pessoas podem
presumir que vendem ferramentas de jardinagem, quando
realmente estão no negócio dos ‘hobbies’ de
fim-de-semana ao ar livre e em contacto com a
natureza, competindo com as excursões do Centro
Nacional de Cultura, ou com os passeios pedestres ao
Jardim Botânico, ou com as actividades de prevenção
dos AVC. Uma empresa que transporta crianças de casa
para a escola pode equivocar-se e definir-se como
empresa de transportes, quando o que realmente presta
é um serviço de segurança. Entendido qual é realmente
o negócio em que estamos presentes, podemos então
definir como queremos actuar. Em que segmentos e com
que produtos específicos devemos posicionar-nos,
tendo em conta as acções de outros concorrentes,
fornecedores, regulamentos e demais variáveis que
podem facilitar ou constranger as nossas intenções e
acções. Read
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Estratégia Instantânea (III)
17/03/2008 19:11
Aqui há umas semanas sugeri que uma boa parte das
estratégias clássicas estão em vias de extinção. Por
exemplo, a dicotomia introduzida pelo Porter, a
escolha entre o produzir barato e em massa ou
produzir diferente e desnatar o mercado, foi,
aparentemente, ultrapassada pelo produzir diferença
para o mercado de massas, como se pode constatar nos
casos da Zara e da Decathelom. Depois, brincado um
pouco com a extraordinária e prolixa pós modernidade
na teoria da gestão, sugeri que a sabedoria contida
em os “três porquinhos gestores" e no "síndrome do
macho alfa”, entre outros, poderia não bastar para
substituir o modelo de crescimento do Igor Ansoff,
que ainda me parece muito útil e talvez o melhor
modelo de raciocínio estratégico. Mas, voltemos então
à questão inicial: A estratégia tornou-se como os
tempos, instantânea. Mas quais serão os novos
vectores de posicionamento? Read
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Estratégia Instantânea (II)
25/01/2008 17:40
A estratégia tornou-se como os tempos. Instantânea.
Mas quais serão os novos vectores de posicionamento?
Na última vez que escrevi para o Diário Económico
fiquei por aqui. Com esta pergunta.
Os tempos parecem ter desvalorizado a análise financeira, a análise dos mercados, a gestão de operações e uma razoável regra de cumprir as expectativas geradas às pessoas que connosco compartilham os destinos e desafios das organizações. Read More...
Os tempos parecem ter desvalorizado a análise financeira, a análise dos mercados, a gestão de operações e uma razoável regra de cumprir as expectativas geradas às pessoas que connosco compartilham os destinos e desafios das organizações. Read More...
Estratégia Instantânea (I)
14/12/2007 20:57
Cada época conheceu um problema estratégico
dominante. Na década de sessenta, na senda dos tempos
do baby boom, o autor Igor Ansoff foi o que melhor
percebeu que a questão dominante era o crescimento. O
problema marcante era como aproveitar as
oportunidades de negocio. Ansoff propôs uma matriz
notável para a abordagem das trajectórias lógicas de
desenvolvimento “orgânico”. Partia do primeiro passo,
“vender mais do mesmo aos mesmos”, seguido de
“encontrar novos clientes para os mesmos produtos”,
completava com “mais produtos para si que já confiava
em nós” e finalizava com a aplicação do cash inflow
realizado nas opções anteriores em novos negócios. A
apologia da diversificação talvez tenha ido longe
demais, até aos conglomerados de negócios de “tudo em
todo o lado”, que fizeram a ITT descobrir que gestão
não é apenas racionalidade mais um sistema de
reporting. Read
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Então agora que o íamos promover é que se vai embora?
19/10/2007 18:58
Um dos problemas mais fascinantes da moderna vida
organizacional consiste na determinação do “valor”
dos recursos humanos. Valor do desempenho, valor
potencial do seu desenvolvimento. A forma como
procuramos determinar esses valores é, em si mesma,
outra coisa fascinante. Claro que poderíamos dizer
que os rituais de “avaliação de desempenho” são,
apenas, mais uma forma de protecção que encontrámos
para evitar ter conversas normais e vulgares com os
que nos rodeiam, por forma a estabelecermos
relacionamentos satisfatórios, simples, eficazes e
produtivos. Mas não. Parecemos preferir evitar
completamente enfrentar o “outro”, mormente em
aspectos em que a dissensão pode emergir, com todo o
cortejo de coisas desagradáveis e viscosas, como
emoções, que daí, em geral, advêm. Read
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É a Economia, estúpido
24/08/2007 20:46
Receio bem que estejamos a perder o pé. À realidade
nua e crua do ultra liberalismo chinês respondemos,
na Europa, com a “fabricação” de realidades
fictícias. “Razões de Ganho” era o nome de um
questionário que tive de aplicar recentemente numa
acção de formação dessas com o elevadíssimo
patrocínio da “Europa”. Europa, esse lugar mágico de
fantasias benignas e protectoras, para onde
remetemos, por enquanto, os medos dos perigos que se
escondem em nuvens ameaçadoramente escuras.
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Qualquer cor é boa desde que seja preto
15/06/2007 19:11
O assunto é apaixonante. E, sobre ele, têm opinado
desde caixeiros viajantes a críticos literários,
todos munidos de dados insofismáveis e assentes nas
melhores premissas. Há professores de direito que
afirmam peremptórios que o assunto é grave demais
para ser deixado a engenheiros. Há engenheiros
electrotécnicos que pugnam pela solução ambiental
mais equilibrada. Há políticos que terçam argumentos
baseados em leis da física e teorizam sobre
deslocações de terras e aquíferos. Há economistas
preocupados com corredores de aproximação e ventos
laterais. Read
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Hard Line
18/05/2007 20:20
A concretização do negócio da compra da Chrysler pela
Cerberus parece simbolizar o triunfo da visão “hard
line” em Gestão. Isto é, o abandono do pós modernismo
que atribuía misteriosos good will a empresas cujos
activos cresciam, as despesas explodiam e as vendas
eram pouco mais que anedóticas, mas as acções subiam
de modo consistente e incompreensível para aqueles
que foram formados na escola da análise fundamental e
que nunca tinham sido seduzidos pelos head and
shoulders dos programas tipo MetaStock. O crash da
“economia da bolha” terminou com esses delírios. De
volta ao mundo real, a aterragem da Banca, entre
outros, foi dolorosa. Hoje, a exigência de resultados
palpáveis, i.e. mensuráveis em dinheiro é um must.
Voltámos mesmo à sabedoria mais “ancestral” de um
marketing em que dos quatro pês, só o pê do preço é
que é mágico porque gera cash inflow. Todos os outros
representam dinheiro a sair... Read
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A retórica
23/02/2007 20:16
Hoje em dia, somos bafejados pela afortunada aparição
de produtos que nos oferecem quase tudo o que um
cidadão da pós-modernidade necessita para ser
completamente feliz e integrado na sociedade e nos
seus grupos. Objectos híbridos e minúsculos que nos
permitem telefonar, ver filmes, assistir em directo à
novela das sete, das nove, das dez e, quem sabe,
mesmo e inclusive, a das onze, para além, de
armazenarem as fotos dos casamentos, baptizados,
festas realizadas em todo o hemisfério norte, mais os
vídeos do National Geographic ou de todas as séries
de conselhos práticos do it yourself do
Turquemenistão, mais a nossa agenda com dezoito
níveis de alarmes, para nunca esquecermos o dia em
que se comemora o aniversário da primeira vez que
comprámos uma garrafa de azeite no supermercado com
aquela que viria a ser a nossa mulher (uma coisa que
os homens tem particular tendência a não recordarem e
que está na origem dos divórcios), armazenar os
álbuns de músicas da nossa juventude, ter online os
conselhos úteis para nos relembrarmos do que se
espera de nós numa entrevista de emprego mesmo com
tutorial de ensaio final, ligação automática de hora
a hora ao centro de domótica lá de casa para sabermos
da evolução do stock de alho francês na prateleira da
esquerda do frigorífico, ligação contínua ao GPS
localizado no telemóvel dos nossos filhos e com os
mapas de Azeitão e Ullapool, marcação automática de
consultas de reiki, monitor cardíaco, consulta de
saldos do cartão de débito, planeamento fiscal...
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Boas Intenções
08/09/2006 21:30
Uma das coisas mais perigosas que existem são as
pessoas bem intencionadas. Em geral, estas pessoas
possuem uma visão de como é que o mundo poderia ser
perfeito. E, numa posição de poder, legislam para que
o mundo se aproxime do estado visionado. Há muitos
anos tive ocasião de testemunhar como, através de um
sistema de incentivos denominado RIME, se tentou
produzir por esse pais fora, empresários e
empreendedores a partir de gente que tinha ficado sem
trabalho, e, que no geral possuía qualificações muito
pouco notáveis. Através de um “curso” de gestão muito
rápido e prenhe de swot’s e mix de marketing e meia
dúzia de indicadores de gestão financeira, e da
promessa de incentivos e de um projecto de
investimento sempre com VAL satisfatório e TIR’s
ainda mais bondosas. No final, dados os tradicionais
atrasos nos pagamentos de incentivos, pouca gente se
terá ficado a rir. Conheci bastantes que ficaram
afogados nos leasings, incapazes de gerir os
compromissos financeiros decorrentes da exploração
que nunca correu como os risonhos planos financeiros
dos projectos. Read
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Chamem a Miss Marple
23/06/2006 19:02
Uma notícia, sem grandes parangonas, dava conta de
uma coisa absolutamente desarmante. Aparentemente,
tivemos – parece que ainda temos – uma dúzia de
aviões de combate encaixotados desde há anos. Não há
nada de surpreendente nesta questão. Provavelmente
tenho estado distraído, mas não dei por um singelo
reparo da Oposição. Pelo menos daquela oposição, que
nunca foi governo e portanto, nunca ocupou o lugar de
”guardião” dos caixotes... Read
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O Mercado das Ideias de Gestão
12/05/2006 18:59
Poucos mercados estarão tão fragmentados, contudo,
tão ocupados como o das ideias luminosas para gerir
as empresas. O “sector” está hiper segmentado. Não
obstante, evidencia uma característica saliente e
comum. O Marketing. É que as ideias (produto) são
quase sempre apresentadas como improteláveis,
inelutáveis e inexoráveis, devendo, nós, aplicá-las
imediatamente sob pena da empresa ser arrastada para
um vergonhoso, e facilmente evitável, insucesso.
Bastará ler o capítulo introdutório de qualquer livro
sobre uma qualquer nova buzzword e lá estará, o aviso
e a ameaça velada: “this is a book about the future
that is already here and a book for people who expect
to be part of it”... Bom, e nós, ansiosos por
participar neste ou noutro qualquer futuro,
precipitamo-nos a ler com avidez. Ao fim ao cabo
todos “queremos chegar primeiro ao futuro”, pese
embora o facto de os tipos na Austrália chegarem
sempre com umas largas horas de avanço...
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O Paradoxo das Pessoas Perfeitas
12/04/2006 18:56
Actualmente enfrentamos um contexto de incerteza
crescente. As relações de causa e efeito estáveis,
aqui há umas décadas, parecem ter dado lugar a
verdadeiras cadeias de causalidades circulares que
tornam o mundo, por vezes, pouco compreensível. Desde
os múltiplos factores que “explicam” a subida dos
preços dos combustíveis, à instabilidade política, à
sucessão de coisas mais prosaicas como soluções para
armazenar dados, que perecem em meses. Alguém se
lembra da tecnologia DAT que era oferecida no mercado
com o nome comercial sugestivo de “Jazz”? Às soluções
de conexão de periféricos que mudam de geração em
geração de computadores a ritmo que nos deixa as
gavetas cheias de cabos, com nomes estranhíssimos
como “Scusi”, mas que aparentemente já só interessam
a arqueólogos e antropólogos... Read
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Em que tabuleiro quer jogar?
17/03/2006 20:44
A inovação é apresentada, ultimamente com carácter
obsessivo, como solução para os problemas
empresariais, sectoriais e do país. E, talvez até
pela simpatia do Primeiro Ministro pela Finlândia,
facilmente se torna sinónimo de alta tecnologia, de
avanços na física, de produtos complexíssimos de
engenharia, de curas com base em extraordinários
avanços na genética. Constitui, aparentemente a porta
única para uma economia baseada no conhecimento e na
tecnologia, porta que nos deveremos apressar a
franquear sob pena que se feche para todo o sempre...
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O paradoxo da inovação
17/02/2006 20:53
As empresas criam novidades, sob a forma de produtos
melhores, mais fiáveis, mais atractivos, mais úteis e
de modo crescente híbridos de várias tecnologias.
Como consumidores, ficámos “viciados” nesta espiral
de novidade. Exigimos cada vez mais e mais das
empresas. De facto, já assimilámos palavras como
segunda geração, ‘restyling’, ‘upgrade’,
‘improvment’, como semânticas correntes quando nos
referimos a produtos cuja complexidade não
percebemos, mas que tratamos “por tu” e como objectos
triviais. A maior parte de nós acha perfeitamente
possível que o telemóvel amanhã seja receptor de
televisão, e, porque não, que os óculos de sol sirvam
de telemóvel, ou que as torneiras de alguns
restaurantes deveriam ter ‘ABS’ para evitar alguns
mal entendidos. Read
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