Rui Grilo
Aprender mais com os maiores erros
30/06/2008 19:43
Durante a nossa vida procuramos avidamente razões,
motivos e causas. Essa busca instintiva ajuda-nos a
perceber o mundo que nos rodeia, mas convence-nos que
é através de causas simples que produzimos resultados
e leva-nos a pensar erradamente que a sociedade em
que vivemos resultou de intenções precisas e de
planos bem detalhados. É raro ouvir contar uma
história de sucesso como uma sequência feliz de
acasos bem aproveitados. Em vez disso, o sucesso é
atribuído à visão e à determinação, mascarando a
complexidade do que realmente aconteceu com a
linearidade de uma história contada em tom heróico.
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As crises de liderança
02/05/2008 19:36
As instituições e as grandes empresas costumavam ser
um lugar seguro face às ameaças da incerteza, uma
garantia de continuidade num mundo volátil. A
liderança dessas organizações tinha normalmente
ciclos longos, de vários anos ou mesmo décadas, um
resultado da estabilidade dos equilíbrios de poder
internos. A cara de uma pessoa tornava-se
indissociável do papel que desempenhava à frente de
um banco, um partido, uma central sindical ou uma
associação empresarial. As lealdades eram o resultado
firme de um relacionamento sem fim à vista, por isso
as deslealdades pagavam-se caro. As rupturas e os
encontros tinham o dramatismo de algo definitivo, sem
retorno. Os grupos informais dentro das organizações
tinham tempo para se organizar, baseados na confiança
entre pessoas que fazem a mesma opção de vida. Por
isso, mesmo que tudo mudasse, algo permanecia.
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Não diga, faça!
22/02/2008 19:21
A linha que separa o discurso empresarial
politicamente correcto da mais pura hipocrisia é por
vezes muito ténue. Nenhum líder de uma organização
assume que não quer colaboradores com mais do que uma
determinada idade a trabalhar consigo, mas é fácil
coleccionar nomes de organizações nas quais quem tem
50, 45 ou até pouco mais de 40 anos é "delicadamente"
considerado velho demais e conduzido até à porta das
mais variadas formas... E assim se desperdiça capital
humano de grande valor. Nenhum gestor é apanhado em
público a protestar pela duração da licença de
maternidade das suas colaboradoras que são mães, mas
todos conhecemos casos de mulheres cuja carreira foi
afectada pela maternidade. Numa altura em que a baixa
natalidade é um problema nacional e europeu, o
problema das penalizações encobertas da maternidade é
tão grande, atingindo operárias, técnicas e mesmo
gestoras, que até já motivou iniciativas no nosso
parlamento. Read
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As tecnologias do poder
11/01/2008 20:38
Quando falamos de poder, as imagens mentais que nos
ocorrem referem-se, frequentemente, a situações de
domínio, nas quais uma parte sujeita a outra à sua
vontade. "Ter poder" é entendido como sinónimo de ser
capaz de controlar. Mas quando se diz "ter poder"
estamos a entender o poder como se fosse uma coisa,
algo cuja posse se pudesse deter e assim usar. Será
esse o caso? A noção convencional de "poder"
confunde-se demasiado com autoridade e liderança, e é
difícil retirar-lhe o peso das associações
aparentemente óbvias a hierarquia, estatuto e
controlo. Mas o poder é mais do que isso e pode até
ser muito útil entendê-lo de forma radicalmente
diferente. Read
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Quanto vale a confiança?
16/11/2007 20:26
A capacidade de auto-organização da espécie humana
que tornou possível a sociedade de bem-estar em que
vivemos é ainda uma maravilha misteriosa que custamos
a compreender. Mas sabemos, pelo menos, que a
capacidade de cooperação entre seres humanos é um
elemento fundamental do processo que produziu esta
rede social na qual todos dependemos, de uma forma ou
de outra, uns dos outros. Mas esta rede é frágil e,
para que a cooperação aconteça, é preciso confiança
entre as partes. É isso mesmo que Francis Fukuyama
ilustra nos seus livros "Confiança" e “A Grande
Ruptura”, onde demonstra como o declínio da confiança
põe em causa as bases da riqueza e do conforto de que
gozamos hoje. Read
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Basta ouvir...
21/09/2007 14:00
Há pouco tempo, um amigo meu contou-me como tinha
desperdiçado quase um dia de trabalho a fazer uma
coisa que sabia ser inútil por não ter conseguido que
o chefe dele o ouvisse. “Quando ele acaba a conversa
já não há mais argumentos”... Esse episódio, pouco
importante em si, fez-me pensar no tempo e no
dinheiro que é desperdiçado todos os dias em
organizações devido à má gestão das emoções
associadas ao poder. Não se trata sequer de fazer uma
avaliação moral ou ética dos ataques de fúria de
tantos “chefes” espalhados pelo mundo, trata-se de
perceber a origem e o impacto da sua agressividade
mal contida no trabalho das pessoas que os rodeiam.
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Quando tudo se quer medir
27/07/2007 14:30
A gestão é muitas vezes confundida com a simples
monitorização de números. Parece fácil de entender
como isso acontece. Como têm que apresentar
resultados quantitativos, os gestores procuram medir
e avaliar, também de forma quantitativa, as acções da
sua equipa que podem influenciar esses resultados.
Como a evolução tecnológica torna cada vez mais fácil
fazer essas medições, traduzindo acções em números,
os gestores têm instrumentos cada vez mais
sofisticados para gerir. Os sistemas de apoio à
gestão oferecem hoje complexos ‘dashboards’ e
‘scorecards’ que prometem melhores resultados e
decisões acertadas. Mas será isso que acontece de
facto? Read More...
Cegos visionários
29/06/2007 14:31
É cada vez mais evidente que a tecnologia está a
mudar a nossa vida em aspectos essenciais da nossa
cultura. O acesso à informação é a área onde essa
evolução se faz sentir de forma mais profunda e mais
rápida. A Internet dá-nos uma liberdade sem
precedentes para encontrarmos ou mesmo para
publicarmos qualquer conteúdo sobre qualquer tema. É
a isso que se passou a chamar 'web 2.0', um nome
estranho que expressa apenas a simplicidade com que
hoje qualquer pessoa pode publicar as suas ideias, os
seus vídeos ou as suas fotos, dando expressão às suas
opiniões e influenciando redes de pessoas
perfeitamente reais. Mas como é esta nova
possibilidade de qualquer um poder comunicar para
todo o mundo está a alterar o nosso dia-a-dia, a
nossa economia e a nossa cultura? Read
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“Impecável, sôtor!”
04/05/2007 14:34
O maior receio de qualquer gestor é falhar, ser
confrontado com o insucesso das suas ideias e
intenções. É para evitar falhar que todos nos
esforçamos por fazer mais, motivar com mais eficácia,
dirigir melhor. Mesmo assim, nada é mais comum do que
falhar. O falhanço faz parte do nosso dia-a-dia, seja
sob a forma de negócios que se perdem, empresas que
desaparecem, áreas de negócio que são extintas,
gestores que são substituídos ou trabalhadores que
são despedidos. Como pode tanta coisa falhar quando
tanta gente competente se esforça por evitar isso?
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O choque tecnológico
09/02/2007 20:55
No último ano e meio foram publicados dois livros que
deixaram marcas profundas porque identificaram novas
formas como a tecnologia está a mudar os hábitos de
um número cada vez maior de pessoas. Estou da falar
de ‘The Search’, de John Battelle, publicado entre
nós pela Casa das Letras, e de The Long Tail’, a obra
do editor da Wired, Chris Anderson, ainda sem edição
portuguesa que eu conheça. Nenhum desses livros se
deixa condensar numa frase nem num parágrafo, mas
exploram duas faces do mesmo fenómeno: a forma como
chegamos à informação que queremos está a mudar.
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Depois da ‘última linha’
12/01/2007 20:59
Exigir resultados é um direito natural de qualquer
accionista e estabelecer objectivos é um instrumento
básico de qualquer gestor. É por isso que muita gente
afirma que uma cultura de objectivos e resultados é a
base de uma gestão eficaz, capaz de traduzir
intenções em acções que produzem os efeitos
desejados. É também por isso que se diz, sem grandes
reservas, que o que interessa é a ‘bottom line’, a
última linha da demonstração de resultados. Há mesmo
quem diga que tudo o resto é conversa. De facto, a
última linha, aquela onde aparece o valor do lucro ou
do prejuízo apurado, é muito importante porque
reflecte o desempenho do último período e a
viabilidade imediata de uma empresa. Mas será só isso
que importa? Read
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Os melhores líderes
29/12/2006 20:18
As nossas escolhas são, quase sempre, mais
reveladoras do que poderíamos imaginar. E não pode
haver escolhas mais simbólicas do que as polémicas
votações para encontrar o melhor e o pior português
de sempre. Enquanto se espera a divulgação da lista
dos 100 melhores portugueses e dos 10 finalistas para
a votação final, podemos surpreender-nos com a
votação ‘online’ para as duas categorias do pior
português de sempre e pensar no que estas escolhas
revelam sobre um inconsciente que, se não é
colectivo, é pelo menos partilhado por muita gente.
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A persuasão do powerpoint
03/11/2006 20:51
Não me lembro de nenhum tema que tenha apaixonado
mais a espécie humana do que encontrar a ligação
entre causas e efeitos. Quando ignoramos as causas de
alguma coisa, o medo que essa coisa nos provoca é
ampliado de forma assustadora. Quando percebemos as
causas desse efeito, o medo atenua-se e ganhamos uma
sensação de controlo sobre o que está a acontecer. Ao
longo da história do Homem foi assim, por exemplo,
com o fogo, os relâmpagos e algumas doenças. Da mesma
forma, quando procuramos um determinado efeito
procuramos gerar causas que nos deixem seguros de que
atingiremos esse objectivo. Read
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O que não se controla
06/10/2006 20:32
A vida em diferentes organizações, privadas ou
públicas, tem por vezes semelhanças extraordinárias.
Tenho ouvido nas últimas semanas várias histórias,
contadas por pessoas que trabalham em diferentes
empresas e organismos públicos, que partilham um
traço comum muito claro: a ansiedade e a sensação de
vazio que uma mudança esperada provoca enquanto não
se concretiza. O mais curioso nas várias narrativas é
que não é a mudança em si que desperta essas emoções
difíceis, mas sim a perda de sentido que a espera
provoca. E a pergunta que surge é muito simples: “Se
tudo vai mudar, que faço eu aqui?” Read
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O que não se mede
11/08/2006 20:29
Quando descobri o mundo fascinante da psicologia, uma
das ideias que me impressionou mais foi a noção de
que para nos defendermos da ansiedade que alguma
situação nos provoca acabamos por criar um problema
maior. A ansiedade não é mais do que a reacção à
ameaça de uma perda, que pode ser simplesmente o medo
de alguma coisa que nos possa fazer perder
auto-estima, dinheiro, estatuto, ou qualquer outra
coisa que prezemos. O que é irónico é que para nos
defendermos de um problema que receamos podemos
acabar por criar outros maiores. Read
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Confiança, coesão e sucesso
07/07/2006 20:39
Numa altura em que ainda se digere a derrota nas
meias-finais frente à França, vale a pena mesmo assim
reflectir sobre o que faz uma equipa de futebol, tal
como uma empresa, ter sucesso ou falhar. E a equipa
que Scolari construiu, mesmo sem ter chegado à final,
dá-nos espaço para algumas analogias interessantes
com o mundo empresarial. O mais curioso é que essas
analogias dão mesmo vida aos aspectos centrais da
nossa vida empresarial que o sociólogo Richard
Sennett identifica no seu último livro (‘The Culture
of the New Capitalism’, que traduzido à letra será
qualquer coisa como ‘A cultura do novo capitalismo’,
editado este ano pela Yale University Press e ainda
sem publicação entre nós). Read
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O paradoxo dos “colaboradores ideais”
26/05/2006 21:01
A propósito de um dos últimos artigos deste painel,
uma leitora enviou-me o endereço de um dos seus blogs
preferidos. Segundo ela, estava muito perto da forma
como se discutia nesse artigo a liderança das nossas
empresas. Fiquei curioso e segui imediatamente o
link… Foi assim que descobri o Creating Passionate
Users, um excelente blog escrito a oito mãos em
http://headrush.typepad.com/.
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De que liderança precisamos?
28/04/2006 20:34
A liderança é um aspecto essencial da gestão. Ninguém
lidera uma organização sem gerir e é quase impossível
gerir sem alguma forma de liderança. Mas liderar é
geralmente associado a figuras com uma aura quase
mística, gestores carismáticos ou visionários de
sucesso. Mas será essa a liderança que faz falta nas
nossas empresas?
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Os enigmas da cultura
31/03/2006 21:27
A gestão apropriou-se do termo cultura para designar
o que o dá identidade a uma organização. Assim, é na
cultura de uma empresa que muitas vezes se procuram
explicações para as suas dificuldades ou para o seu
sucesso. Peters e Waterman contribuíram fortemente
para isso quando, no início dos anos 80, publicaram o
seu livro “Na Senda da Excelência”. Procurando
contrariar a rigidez de gestão dominante na altura,
atribuíram o sucesso das empresas “excelentes” à sua
cultura mais ágil e humanizada e aos valores
partilhados pelos seus colaboradores. A verdade é
que, apenas cinco anos depois, dois terços das 43
empresas "excelentes" encontradas por Tom Peters e
Robert Waterman estavam em crise. Read
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A herança do Sr. Taylor
03/03/2006 18:51
O mundo da gestão seria muito mais simples se tudo
corresse de acordo com o que é planeado, sem
surpresas nem imprevistos. Seria um mundo de regras
evidentes e instruções claras, perfeitamente
“científico”, no qual os gestores se poderiam
concentrar em pensar, deixando a outros profissionais
a execução segura das suas orientações. Um mundo
assim poderia realmente existir? Read
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A gestão como ela é
03/02/2006 20:22
A gestão está a tornar-se cada vez mais importante.
Toca-nos a todos, quando trabalhamos numa
organização, quando corremos o risco de ser
despedidos por causa de misteriosos indicadores
financeiros ou quando precisamos das empresas como
consumidores dos seus produtos e serviços. Apesar de
ser uma actividade tão próxima de cada um de nós,
quando procuramos textos sobre gestão de empresas o
mais normal é encontrarmos referências a gestores
conhecidos, como Jack Welch ou Bill Gates, ou um
jargão feito de siglas e conceitos abstractos que
estejam na moda... Porque é que isto acontece?
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