Rui Grilo

Aprender mais com os maiores erros

Durante a nossa vida procuramos avidamente razões, motivos e causas. Essa busca instintiva ajuda-nos a perceber o mundo que nos rodeia, mas convence-nos que é através de causas simples que produzimos resultados e leva-nos a pensar erradamente que a sociedade em que vivemos resultou de intenções precisas e de planos bem detalhados. É raro ouvir contar uma história de sucesso como uma sequência feliz de acasos bem aproveitados. Em vez disso, o sucesso é atribuído à visão e à determinação, mascarando a complexidade do que realmente aconteceu com a linearidade de uma história contada em tom heróico. Read More...
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As crises de liderança

As instituições e as grandes empresas costumavam ser um lugar seguro face às ameaças da incerteza, uma garantia de continuidade num mundo volátil. A liderança dessas organizações tinha normalmente ciclos longos, de vários anos ou mesmo décadas, um resultado da estabilidade dos equilíbrios de poder internos. A cara de uma pessoa tornava-se indissociável do papel que desempenhava à frente de um banco, um partido, uma central sindical ou uma associação empresarial. As lealdades eram o resultado firme de um relacionamento sem fim à vista, por isso as deslealdades pagavam-se caro. As rupturas e os encontros tinham o dramatismo de algo definitivo, sem retorno. Os grupos informais dentro das organizações tinham tempo para se organizar, baseados na confiança entre pessoas que fazem a mesma opção de vida. Por isso, mesmo que tudo mudasse, algo permanecia. Read More...
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Não diga, faça!

A linha que separa o discurso empresarial politicamente correcto da mais pura hipocrisia é por vezes muito ténue. Nenhum líder de uma organização assume que não quer colaboradores com mais do que uma determinada idade a trabalhar consigo, mas é fácil coleccionar nomes de organizações nas quais quem tem 50, 45 ou até pouco mais de 40 anos é "delicadamente" considerado velho demais e conduzido até à porta das mais variadas formas... E assim se desperdiça capital humano de grande valor. Nenhum gestor é apanhado em público a protestar pela duração da licença de maternidade das suas colaboradoras que são mães, mas todos conhecemos casos de mulheres cuja carreira foi afectada pela maternidade. Numa altura em que a baixa natalidade é um problema nacional e europeu, o problema das penalizações encobertas da maternidade é tão grande, atingindo operárias, técnicas e mesmo gestoras, que até já motivou iniciativas no nosso parlamento. Read More...
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As tecnologias do poder

Quando falamos de poder, as imagens mentais que nos ocorrem referem-se, frequentemente, a situações de domínio, nas quais uma parte sujeita a outra à sua vontade. "Ter poder" é entendido como sinónimo de ser capaz de controlar. Mas quando se diz "ter poder" estamos a entender o poder como se fosse uma coisa, algo cuja posse se pudesse deter e assim usar. Será esse o caso? A noção convencional de "poder" confunde-se demasiado com autoridade e liderança, e é difícil retirar-lhe o peso das associações aparentemente óbvias a hierarquia, estatuto e controlo. Mas o poder é mais do que isso e pode até ser muito útil entendê-lo de forma radicalmente diferente. Read More...
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Quanto vale a confiança?

A capacidade de auto-organização da espécie humana que tornou possível a sociedade de bem-estar em que vivemos é ainda uma maravilha misteriosa que custamos a compreender. Mas sabemos, pelo menos, que a capacidade de cooperação entre seres humanos é um elemento fundamental do processo que produziu esta rede social na qual todos dependemos, de uma forma ou de outra, uns dos outros. Mas esta rede é frágil e, para que a cooperação aconteça, é preciso confiança entre as partes. É isso mesmo que Francis Fukuyama ilustra nos seus livros "Confiança" e “A Grande Ruptura”, onde demonstra como o declínio da confiança põe em causa as bases da riqueza e do conforto de que gozamos hoje. Read More...
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Basta ouvir...

Há pouco tempo, um amigo meu contou-me como tinha desperdiçado quase um dia de trabalho a fazer uma coisa que sabia ser inútil por não ter conseguido que o chefe dele o ouvisse. “Quando ele acaba a conversa já não há mais argumentos”... Esse episódio, pouco importante em si, fez-me pensar no tempo e no dinheiro que é desperdiçado todos os dias em organizações devido à má gestão das emoções associadas ao poder. Não se trata sequer de fazer uma avaliação moral ou ética dos ataques de fúria de tantos “chefes” espalhados pelo mundo, trata-se de perceber a origem e o impacto da sua agressividade mal contida no trabalho das pessoas que os rodeiam. Read More...
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Quando tudo se quer medir

A gestão é muitas vezes confundida com a simples monitorização de números. Parece fácil de entender como isso acontece. Como têm que apresentar resultados quantitativos, os gestores procuram medir e avaliar, também de forma quantitativa, as acções da sua equipa que podem influenciar esses resultados. Como a evolução tecnológica torna cada vez mais fácil fazer essas medições, traduzindo acções em números, os gestores têm instrumentos cada vez mais sofisticados para gerir. Os sistemas de apoio à gestão oferecem hoje complexos ‘dashboards’ e ‘scorecards’ que prometem melhores resultados e decisões acertadas. Mas será isso que acontece de facto? Read More...
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Cegos visionários

É cada vez mais evidente que a tecnologia está a mudar a nossa vida em aspectos essenciais da nossa cultura. O acesso à informação é a área onde essa evolução se faz sentir de forma mais profunda e mais rápida. A Internet dá-nos uma liberdade sem precedentes para encontrarmos ou mesmo para publicarmos qualquer conteúdo sobre qualquer tema. É a isso que se passou a chamar 'web 2.0', um nome estranho que expressa apenas a simplicidade com que hoje qualquer pessoa pode publicar as suas ideias, os seus vídeos ou as suas fotos, dando expressão às suas opiniões e influenciando redes de pessoas perfeitamente reais. Mas como é esta nova possibilidade de qualquer um poder comunicar para todo o mundo está a alterar o nosso dia-a-dia, a nossa economia e a nossa cultura? Read More...
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“Impecável, sôtor!”

O maior receio de qualquer gestor é falhar, ser confrontado com o insucesso das suas ideias e intenções. É para evitar falhar que todos nos esforçamos por fazer mais, motivar com mais eficácia, dirigir melhor. Mesmo assim, nada é mais comum do que falhar. O falhanço faz parte do nosso dia-a-dia, seja sob a forma de negócios que se perdem, empresas que desaparecem, áreas de negócio que são extintas, gestores que são substituídos ou trabalhadores que são despedidos. Como pode tanta coisa falhar quando tanta gente competente se esforça por evitar isso? Read More...
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O choque tecnológico

No último ano e meio foram publicados dois livros que deixaram marcas profundas porque identificaram novas formas como a tecnologia está a mudar os hábitos de um número cada vez maior de pessoas. Estou da falar de ‘The Search’, de John Battelle, publicado entre nós pela Casa das Letras, e de The Long Tail’, a obra do editor da Wired, Chris Anderson, ainda sem edição portuguesa que eu conheça. Nenhum desses livros se deixa condensar numa frase nem num parágrafo, mas exploram duas faces do mesmo fenómeno: a forma como chegamos à informação que queremos está a mudar. Read More...
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Depois da ‘última linha’

Exigir resultados é um direito natural de qualquer accionista e estabelecer objectivos é um instrumento básico de qualquer gestor. É por isso que muita gente afirma que uma cultura de objectivos e resultados é a base de uma gestão eficaz, capaz de traduzir intenções em acções que produzem os efeitos desejados. É também por isso que se diz, sem grandes reservas, que o que interessa é a ‘bottom line’, a última linha da demonstração de resultados. Há mesmo quem diga que tudo o resto é conversa. De facto, a última linha, aquela onde aparece o valor do lucro ou do prejuízo apurado, é muito importante porque reflecte o desempenho do último período e a viabilidade imediata de uma empresa. Mas será só isso que importa? Read More...
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Os melhores líderes

As nossas escolhas são, quase sempre, mais reveladoras do que poderíamos imaginar. E não pode haver escolhas mais simbólicas do que as polémicas votações para encontrar o melhor e o pior português de sempre. Enquanto se espera a divulgação da lista dos 100 melhores portugueses e dos 10 finalistas para a votação final, podemos surpreender-nos com a votação ‘online’ para as duas categorias do pior português de sempre e pensar no que estas escolhas revelam sobre um inconsciente que, se não é colectivo, é pelo menos partilhado por muita gente. Read More...
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A persuasão do powerpoint

Não me lembro de nenhum tema que tenha apaixonado mais a espécie humana do que encontrar a ligação entre causas e efeitos. Quando ignoramos as causas de alguma coisa, o medo que essa coisa nos provoca é ampliado de forma assustadora. Quando percebemos as causas desse efeito, o medo atenua-se e ganhamos uma sensação de controlo sobre o que está a acontecer. Ao longo da história do Homem foi assim, por exemplo, com o fogo, os relâmpagos e algumas doenças. Da mesma forma, quando procuramos um determinado efeito procuramos gerar causas que nos deixem seguros de que atingiremos esse objectivo. Read More...
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O que não se controla

A vida em diferentes organizações, privadas ou públicas, tem por vezes semelhanças extraordinárias. Tenho ouvido nas últimas semanas várias histórias, contadas por pessoas que trabalham em diferentes empresas e organismos públicos, que partilham um traço comum muito claro: a ansiedade e a sensação de vazio que uma mudança esperada provoca enquanto não se concretiza. O mais curioso nas várias narrativas é que não é a mudança em si que desperta essas emoções difíceis, mas sim a perda de sentido que a espera provoca. E a pergunta que surge é muito simples: “Se tudo vai mudar, que faço eu aqui?” Read More...
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O que não se mede

Quando descobri o mundo fascinante da psicologia, uma das ideias que me impressionou mais foi a noção de que para nos defendermos da ansiedade que alguma situação nos provoca acabamos por criar um problema maior. A ansiedade não é mais do que a reacção à ameaça de uma perda, que pode ser simplesmente o medo de alguma coisa que nos possa fazer perder auto-estima, dinheiro, estatuto, ou qualquer outra coisa que prezemos. O que é irónico é que para nos defendermos de um problema que receamos podemos acabar por criar outros maiores. Read More...
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Confiança, coesão e sucesso

Numa altura em que ainda se digere a derrota nas meias-finais frente à França, vale a pena mesmo assim reflectir sobre o que faz uma equipa de futebol, tal como uma empresa, ter sucesso ou falhar. E a equipa que Scolari construiu, mesmo sem ter chegado à final, dá-nos espaço para algumas analogias interessantes com o mundo empresarial. O mais curioso é que essas analogias dão mesmo vida aos aspectos centrais da nossa vida empresarial que o sociólogo Richard Sennett identifica no seu último livro (‘The Culture of the New Capitalism’, que traduzido à letra será qualquer coisa como ‘A cultura do novo capitalismo’, editado este ano pela Yale University Press e ainda sem publicação entre nós). Read More...
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O paradoxo dos “colaboradores ideais”

A propósito de um dos últimos artigos deste painel, uma leitora enviou-me o endereço de um dos seus blogs preferidos. Segundo ela, estava muito perto da forma como se discutia nesse artigo a liderança das nossas empresas. Fiquei curioso e segui imediatamente o link… Foi assim que descobri o Creating Passionate Users, um excelente blog escrito a oito mãos em http://headrush.typepad.com/. Read More...
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De que liderança precisamos?

A liderança é um aspecto essencial da gestão. Ninguém lidera uma organização sem gerir e é quase impossível gerir sem alguma forma de liderança. Mas liderar é geralmente associado a figuras com uma aura quase mística, gestores carismáticos ou visionários de sucesso. Mas será essa a liderança que faz falta nas nossas empresas? Read More...
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Os enigmas da cultura

A gestão apropriou-se do termo cultura para designar o que o dá identidade a uma organização. Assim, é na cultura de uma empresa que muitas vezes se procuram explicações para as suas dificuldades ou para o seu sucesso. Peters e Waterman contribuíram fortemente para isso quando, no início dos anos 80, publicaram o seu livro “Na Senda da Excelência”. Procurando contrariar a rigidez de gestão dominante na altura, atribuíram o sucesso das empresas “excelentes” à sua cultura mais ágil e humanizada e aos valores partilhados pelos seus colaboradores. A verdade é que, apenas cinco anos depois, dois terços das 43 empresas "excelentes" encontradas por Tom Peters e Robert Waterman estavam em crise. Read More...
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A herança do Sr. Taylor

O mundo da gestão seria muito mais simples se tudo corresse de acordo com o que é planeado, sem surpresas nem imprevistos. Seria um mundo de regras evidentes e instruções claras, perfeitamente “científico”, no qual os gestores se poderiam concentrar em pensar, deixando a outros profissionais a execução segura das suas orientações. Um mundo assim poderia realmente existir? Read More...
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A gestão como ela é

A gestão está a tornar-se cada vez mais importante. Toca-nos a todos, quando trabalhamos numa organização, quando corremos o risco de ser despedidos por causa de misteriosos indicadores financeiros ou quando precisamos das empresas como consumidores dos seus produtos e serviços. Apesar de ser uma actividade tão próxima de cada um de nós, quando procuramos textos sobre gestão de empresas o mais normal é encontrarmos referências a gestores conhecidos, como Jack Welch ou Bill Gates, ou um jargão feito de siglas e conceitos abstractos que estejam na moda... Porque é que isto acontece? Read More...
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