Choque de Gerações
02/12/2008 18:23 Autor: Rui Grilo
Para a geração entre os 20 e os 30 e poucos anos,
encontrar instantaneamente aquilo que procura é tão
natural como respirar. Para eles, a tecnologia é
transparente como o ar. O seu círculo de amigos
pode estar espalhado por qualquer parte do mundo e
a tecnologia é apenas um meio para se manterem em
contacto permanente, seja através de simples SMS,
do ‘messenger’, do Hi5 ou do Facebook. As
capacidades desta geração para colaborar,
interagir, descobrir e criar não têm precedentes e
a tecnologia permite-lhes chegar ao mundo inteiro.
Há 15 anos, uma Maria Antonia Sampaio Rosa teria
ficado contente por partilhar com os seus amigos
mais próximos a música que fazia. Hoje, pode
adoptar o nome artístico de Mia Rose e chegar a
milhões de pessoas através do YouTube, aparecer na
Rolling Stone, no The Sun e na televisão portuguesa
e assinar um contrato invejável para gravar o
primeiro disco. O mundo mudou.
E esta geração de “nativos digitais” já está nas nossas empresas e organizações, a tentar encaixar-se num jogo que lhe é estranho. Tal como a geração anterior ia beber um café ou buscar um copo de água para falar com os colegas, esta geração tentar actualizar o seu estado no Facebook ou no Hi5. Mas, em vez de o conseguir fazer com naturalidade, descobre que a administração de redes da sua empresa decidiu bloquear o acesso a esses sites, tal como ao YouTube e a muitos outros recursos que assim lhe ficam vedados. Com a desculpa da produtividade, do tráfego de dados e da largura de banda (como se esta não duplicasse a cada 12 meses), a decisão até parece aparentemente razoável. Mas será mesmo?
John Seely Brown, ‘co-chairman’ do ‘Deloitte Center for Edge Innovation’ e ‘Chief Scientist’ da Xerox durante quase duas décadas, pensa que não. O que estas decisões revelam é um profundo desconhecimento do potencial de trabalho e criatividade desta nova geração e uma noção errada de que a capacidade de aprender e resolver problemas é algo linear, previsível e controlável. Pelo contrário, o que a investigação de Seely Brown demonstra é que a aprendizagem é um processo social, para o qual as redes são fundamentais. O que os espaços virtuais permitem é alargar as nossas redes para além dos limites físicos convencionais.
Don Tapscott vai mais longe. No seu último livro, ‘Grown Up Digital’, publicado este mês, ele defende que esta geração, a ‘Net Generation’, tem capacidades de relacionamento e colaboração sem precedentes na evolução humana. Mais do que isso, a utilização intensa da tecnologia levou ao desenvolvimento de capacidades cognitivas diferentes que lhes permitem alternar mais facilmente entre múltiplos meios, misturando trabalho e entretenimento. É por isso que é tão normal hoje para um adolescente estudar com a televisão ligada, música de fundo, um par de conversas a decorrer no ‘messenger’ e meia dúzia de pesquisas online.
Segundo Tapscott, a utilização da tecnologia é apenas um dos elementos do que tornam esta geração diferente. Ele resumiu o que está a mudar em oito normas que caracterizam a ‘Net Generation’: liberdade, customização, escrutínio, integridade, colaboração, entretenimento, velocidade e inovação. Em resumo, esta é uma geração que dá valor à liberdade de escolher e tornar seus os instrumentos que utiliza, que é capaz de “separar o trigo do joio” valorizando a verdade e a ética e que é capaz de se relacionar e trabalhar de forma inovadora. Serão as nossas organizações capazes de aproveitar as suas capacidades?
Dificilmente, se não mudarem a sua atitude. Esta geração não choca apenas com as políticas de gestão do acesso à Internet na maior parte das organizações. Muita gente continua a olhar para os “nativos digitais” com uma desconfiança muito mal disfarçada. Ainda esta semana, num debate na Fundação das Comunicações, ouvi uma professora universitária queixar-se da “desorganização mental” e da “infodependência” dos seus novos alunos. E se esta geração já representa uma mudança profunda, esperem pelo impacto da chegada ao mercado de trabalho da “Geração Magalhães” que recebe este ano, aos seis anos de idade, o seu primeiro computador.
E esta geração de “nativos digitais” já está nas nossas empresas e organizações, a tentar encaixar-se num jogo que lhe é estranho. Tal como a geração anterior ia beber um café ou buscar um copo de água para falar com os colegas, esta geração tentar actualizar o seu estado no Facebook ou no Hi5. Mas, em vez de o conseguir fazer com naturalidade, descobre que a administração de redes da sua empresa decidiu bloquear o acesso a esses sites, tal como ao YouTube e a muitos outros recursos que assim lhe ficam vedados. Com a desculpa da produtividade, do tráfego de dados e da largura de banda (como se esta não duplicasse a cada 12 meses), a decisão até parece aparentemente razoável. Mas será mesmo?
John Seely Brown, ‘co-chairman’ do ‘Deloitte Center for Edge Innovation’ e ‘Chief Scientist’ da Xerox durante quase duas décadas, pensa que não. O que estas decisões revelam é um profundo desconhecimento do potencial de trabalho e criatividade desta nova geração e uma noção errada de que a capacidade de aprender e resolver problemas é algo linear, previsível e controlável. Pelo contrário, o que a investigação de Seely Brown demonstra é que a aprendizagem é um processo social, para o qual as redes são fundamentais. O que os espaços virtuais permitem é alargar as nossas redes para além dos limites físicos convencionais.
Don Tapscott vai mais longe. No seu último livro, ‘Grown Up Digital’, publicado este mês, ele defende que esta geração, a ‘Net Generation’, tem capacidades de relacionamento e colaboração sem precedentes na evolução humana. Mais do que isso, a utilização intensa da tecnologia levou ao desenvolvimento de capacidades cognitivas diferentes que lhes permitem alternar mais facilmente entre múltiplos meios, misturando trabalho e entretenimento. É por isso que é tão normal hoje para um adolescente estudar com a televisão ligada, música de fundo, um par de conversas a decorrer no ‘messenger’ e meia dúzia de pesquisas online.
Segundo Tapscott, a utilização da tecnologia é apenas um dos elementos do que tornam esta geração diferente. Ele resumiu o que está a mudar em oito normas que caracterizam a ‘Net Generation’: liberdade, customização, escrutínio, integridade, colaboração, entretenimento, velocidade e inovação. Em resumo, esta é uma geração que dá valor à liberdade de escolher e tornar seus os instrumentos que utiliza, que é capaz de “separar o trigo do joio” valorizando a verdade e a ética e que é capaz de se relacionar e trabalhar de forma inovadora. Serão as nossas organizações capazes de aproveitar as suas capacidades?
Dificilmente, se não mudarem a sua atitude. Esta geração não choca apenas com as políticas de gestão do acesso à Internet na maior parte das organizações. Muita gente continua a olhar para os “nativos digitais” com uma desconfiança muito mal disfarçada. Ainda esta semana, num debate na Fundação das Comunicações, ouvi uma professora universitária queixar-se da “desorganização mental” e da “infodependência” dos seus novos alunos. E se esta geração já representa uma mudança profunda, esperem pelo impacto da chegada ao mercado de trabalho da “Geração Magalhães” que recebe este ano, aos seis anos de idade, o seu primeiro computador.
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