Redes para quê?
08/08/2008 19:01 Autor: Rui Grilo
As rede sociais ‘online’ já deixaram há algum tempo
de ser brinquedos de ‘geeks’ para entrarem na vida
de cada vez mais pessoas. Os adolescentes adoptaram
o Hi5 para mostrarem a sua personalidade e
partilhar fotos e música com os amigos, revelando
personalidades virtuais muitas vezes desconhecidas
para quem com eles vive. Os “profissionais”
coleccionam ligações no LinkedIn para mostrarem o
seu currículo, a sua reputação e os seus contactos,
talvez à espera que um caça-talentos os recrute
para uma função bem paga no Dubai. O Twitter e os
‘blogs’ servem para dizer (tanto a amigos como a
desconhecidos) o que se vê, o que se pensa e o que
se quer, enquanto muita gente aproveita a frase de
estado do ‘messenger’ para partilhar o que está a
ouvir, a fazer ou a sentir.
É assim que nos encontramos em múltiplas redes e comunidades virtuais, actualizamos perfis, aceitamos ou recusamos ligações, partilhamos fotos, participamos em grupos de discussão ou deixamos comentários (assinados ou anónimos) em ‘blogs’ e jornais. É aquilo a que Tim O’Reilly chamou “web 2.0” que ganha cada vem mais vida e entra definitivamente no nosso dia-a-dia. A avalanche de convites para a pertencer ‘sites’ de comunidade é tanta que é cada vez mais frequente a resposta “para que é que eu devo entrar nisso?” E é essa, de facto, a pergunta. Para que queremos nós tantas redes e tantas ligações virtuais quando o tempo para as ligações reais escasseia cada vez mais?
Cada pessoa encontrará as suas próprias razões. Há quem precise de preencher os tempos mortos em frente ao computador, aparentando trabalhar em vez de ir beber um café ou fumar um cigarro. Há quem se refugie nos mundos virtuais para construir as ligações e relações com outras pessoas que lhe faltam no mundo real. Há muita gente que tem, simplesmente, a vontade de pertencer e (alguns) a necessidade de mostrar que pertence. Seja qual for a razão, já não podemos ignorar o que está a acontecer, sobretudo desde que uma rede virtual portuguesa, o Star Tracker, conseguiu reunir na semana passada perto de 800 pessoas no Campo Pequeno, em Lisboa…
A história do Star Tracker é, aliás, um bom exemplo da força das redes. Apareceu sem qualquer publicidade há perto de um ano: uma rede fechada para encontrar o “talento português no mundo”, onde só se entra por convite, e que foi desenvolvida por iniciativa de uma empresa de ‘executive search’ que queria aplicar num projecto diferente parte dos lucros de um ano particularmente bom. Mas a rede ganhou uma vida própria e, enquanto escrevo este artigo, tinha já 16.382 membros espalhados por todo o mundo, como mostra um impressionante mapa interactivo com as localizações de cada participante. Afinal há talento português por todo o lado!
O Star Tracker mostra como as redes ‘online’ podem ser úteis e começam a ser reconhecidas. Mas nem sempre as empresas estão abertas a esta novidade. Muitas redes empresariais bloqueiam o acesso a esses ‘sites’ e a ferramentas como o ‘messenger’, utilizando a segurança ou a largura de banda como desculpa para negar esse acesso. Soube há pouco tempo que, quando surgiu o LinkedIn, algumas empresas multinacionais proibiram mesmo os seus colaboradores de participar, para que estes não revelassem publicamente a sua rede de contactos comerciais. A atitude de desconfiança parece prevalecer e há poucos exemplos de empresas que estimulem e ensinem os seus colaboradores a utilizar as comunidades virtuais em benefício de si próprios e da empresa.
Sejam um desperdício de tempo ou verdadeiramente uma nova forma de nos ligarmos aos outros, as redes e comunidades ‘online’ parecem ter vindo para ficar, com o que têm de bom e de mau. Tal como um cartão de visita era importante há 20 ou 30 anos, um perfil ‘online’ é hoje, cada vez mais, uma forma de apresentação e de causar uma primeira impressão. E, como alguém disse, não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão…
É assim que nos encontramos em múltiplas redes e comunidades virtuais, actualizamos perfis, aceitamos ou recusamos ligações, partilhamos fotos, participamos em grupos de discussão ou deixamos comentários (assinados ou anónimos) em ‘blogs’ e jornais. É aquilo a que Tim O’Reilly chamou “web 2.0” que ganha cada vem mais vida e entra definitivamente no nosso dia-a-dia. A avalanche de convites para a pertencer ‘sites’ de comunidade é tanta que é cada vez mais frequente a resposta “para que é que eu devo entrar nisso?” E é essa, de facto, a pergunta. Para que queremos nós tantas redes e tantas ligações virtuais quando o tempo para as ligações reais escasseia cada vez mais?
Cada pessoa encontrará as suas próprias razões. Há quem precise de preencher os tempos mortos em frente ao computador, aparentando trabalhar em vez de ir beber um café ou fumar um cigarro. Há quem se refugie nos mundos virtuais para construir as ligações e relações com outras pessoas que lhe faltam no mundo real. Há muita gente que tem, simplesmente, a vontade de pertencer e (alguns) a necessidade de mostrar que pertence. Seja qual for a razão, já não podemos ignorar o que está a acontecer, sobretudo desde que uma rede virtual portuguesa, o Star Tracker, conseguiu reunir na semana passada perto de 800 pessoas no Campo Pequeno, em Lisboa…
A história do Star Tracker é, aliás, um bom exemplo da força das redes. Apareceu sem qualquer publicidade há perto de um ano: uma rede fechada para encontrar o “talento português no mundo”, onde só se entra por convite, e que foi desenvolvida por iniciativa de uma empresa de ‘executive search’ que queria aplicar num projecto diferente parte dos lucros de um ano particularmente bom. Mas a rede ganhou uma vida própria e, enquanto escrevo este artigo, tinha já 16.382 membros espalhados por todo o mundo, como mostra um impressionante mapa interactivo com as localizações de cada participante. Afinal há talento português por todo o lado!
O Star Tracker mostra como as redes ‘online’ podem ser úteis e começam a ser reconhecidas. Mas nem sempre as empresas estão abertas a esta novidade. Muitas redes empresariais bloqueiam o acesso a esses ‘sites’ e a ferramentas como o ‘messenger’, utilizando a segurança ou a largura de banda como desculpa para negar esse acesso. Soube há pouco tempo que, quando surgiu o LinkedIn, algumas empresas multinacionais proibiram mesmo os seus colaboradores de participar, para que estes não revelassem publicamente a sua rede de contactos comerciais. A atitude de desconfiança parece prevalecer e há poucos exemplos de empresas que estimulem e ensinem os seus colaboradores a utilizar as comunidades virtuais em benefício de si próprios e da empresa.
Sejam um desperdício de tempo ou verdadeiramente uma nova forma de nos ligarmos aos outros, as redes e comunidades ‘online’ parecem ter vindo para ficar, com o que têm de bom e de mau. Tal como um cartão de visita era importante há 20 ou 30 anos, um perfil ‘online’ é hoje, cada vez mais, uma forma de apresentação e de causar uma primeira impressão. E, como alguém disse, não há uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão…
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