comportamentos defensivos

As crises de liderança

As instituições e as grandes empresas costumavam ser um lugar seguro face às ameaças da incerteza, uma garantia de continuidade num mundo volátil. A liderança dessas organizações tinha normalmente ciclos longos, de vários anos ou mesmo décadas, um resultado da estabilidade dos equilíbrios de poder internos. A cara de uma pessoa tornava-se indissociável do papel que desempenhava à frente de um banco, um partido, uma central sindical ou uma associação empresarial. As lealdades eram o resultado firme de um relacionamento sem fim à vista, por isso as deslealdades pagavam-se caro. As rupturas e os encontros tinham o dramatismo de algo definitivo, sem retorno. Os grupos informais dentro das organizações tinham tempo para se organizar, baseados na confiança entre pessoas que fazem a mesma opção de vida. Por isso, mesmo que tudo mudasse, algo permanecia. Read More...
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Quanto vale a confiança?

A capacidade de auto-organização da espécie humana que tornou possível a sociedade de bem-estar em que vivemos é ainda uma maravilha misteriosa que custamos a compreender. Mas sabemos, pelo menos, que a capacidade de cooperação entre seres humanos é um elemento fundamental do processo que produziu esta rede social na qual todos dependemos, de uma forma ou de outra, uns dos outros. Mas esta rede é frágil e, para que a cooperação aconteça, é preciso confiança entre as partes. É isso mesmo que Francis Fukuyama ilustra nos seus livros "Confiança" e “A Grande Ruptura”, onde demonstra como o declínio da confiança põe em causa as bases da riqueza e do conforto de que gozamos hoje. Read More...
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O trabalho invisível dos vendedores

Há políticas de remuneração que são erros óbvios. Por exemplo, como seria avaliado o líder de uma empresa de estudos de mercado que premiasse os seus colaboradores com base nos resultados dos inquéritos aos consumidores? Certamente de forma muito negativa. É pouco inteligente pagar a uma equipa que está a descobrir qual é o sabonete preferido dos Portugueses pelo número de pessoas que respondem Sabonete Silva. É fácil prever o resultado desta avaliação do sector da higiene pessoal: o Sabonete Silva seria a escolha da esmagadora maioria dos inquiridos. Read More...
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Hard Line

A concretização do negócio da compra da Chrysler pela Cerberus parece simbolizar o triunfo da visão “hard line” em Gestão. Isto é, o abandono do pós modernismo que atribuía misteriosos good will a empresas cujos activos cresciam, as despesas explodiam e as vendas eram pouco mais que anedóticas, mas as acções subiam de modo consistente e incompreensível para aqueles que foram formados na escola da análise fundamental e que nunca tinham sido seduzidos pelos head and shoulders dos programas tipo MetaStock. O crash da “economia da bolha” terminou com esses delírios. De volta ao mundo real, a aterragem da Banca, entre outros, foi dolorosa. Hoje, a exigência de resultados palpáveis, i.e. mensuráveis em dinheiro é um must. Voltámos mesmo à sabedoria mais “ancestral” de um marketing em que dos quatro pês, só o pê do preço é que é mágico porque gera cash inflow. Todos os outros representam dinheiro a sair... Read More...
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Os líderes a prazo e o bacalhau

Muitas empresas, como a SONAE ou a GE têm relações estáveis com os seus gestores de topo. No entanto há outras, como a Galp e a HP, em que estes líderes vêm com prazo de validade. Quando chegam, já têm uma data de partida anunciada. A sua carreira depende da capacidade de terem um impacto significativo e muito visível durante a sua estadia. Há que provar que a mudança é para melhor e por isso rapidamente aparecem várias iniciativas para responder aos novos desafios de mercado. Mas muitas vezes estes novos projectos demoram a ser implementados e quando finalmente chegam ao fim, os resultados ficam muito aquém das expectativas. Read More...
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O que não se mede

Quando descobri o mundo fascinante da psicologia, uma das ideias que me impressionou mais foi a noção de que para nos defendermos da ansiedade que alguma situação nos provoca acabamos por criar um problema maior. A ansiedade não é mais do que a reacção à ameaça de uma perda, que pode ser simplesmente o medo de alguma coisa que nos possa fazer perder auto-estima, dinheiro, estatuto, ou qualquer outra coisa que prezemos. O que é irónico é que para nos defendermos de um problema que receamos podemos acabar por criar outros maiores. Read More...
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Os enigmas da cultura

A gestão apropriou-se do termo cultura para designar o que o dá identidade a uma organização. Assim, é na cultura de uma empresa que muitas vezes se procuram explicações para as suas dificuldades ou para o seu sucesso. Peters e Waterman contribuíram fortemente para isso quando, no início dos anos 80, publicaram o seu livro “Na Senda da Excelência”. Procurando contrariar a rigidez de gestão dominante na altura, atribuíram o sucesso das empresas “excelentes” à sua cultura mais ágil e humanizada e aos valores partilhados pelos seus colaboradores. A verdade é que, apenas cinco anos depois, dois terços das 43 empresas "excelentes" encontradas por Tom Peters e Robert Waterman estavam em crise. Read More...
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