Aprender mais com os maiores erros

Durante a nossa vida procuramos avidamente razões, motivos e causas. Essa busca instintiva ajuda-nos a perceber o mundo que nos rodeia, mas convence-nos que é através de causas simples que produzimos resultados e leva-nos a pensar erradamente que a sociedade em que vivemos resultou de intenções precisas e de planos bem detalhados. É raro ouvir contar uma história de sucesso como uma sequência feliz de acasos bem aproveitados. Em vez disso, o sucesso é atribuído à visão e à determinação, mascarando a complexidade do que realmente aconteceu com a linearidade de uma história contada em tom heróico. Read More...
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Estratégia Instantânea (III)

Aqui há umas semanas sugeri que uma boa parte das estratégias clássicas estão em vias de extinção. Por exemplo, a dicotomia introduzida pelo Porter, a escolha entre o produzir barato e em massa ou produzir diferente e desnatar o mercado, foi, aparentemente, ultrapassada pelo produzir diferença para o mercado de massas, como se pode constatar nos casos da Zara e da Decathelom. Depois, brincado um pouco com a extraordinária e prolixa pós modernidade na teoria da gestão, sugeri que a sabedoria contida em os “três porquinhos gestores" e no "síndrome do macho alfa”, entre outros, poderia não bastar para substituir o modelo de crescimento do Igor Ansoff, que ainda me parece muito útil e talvez o melhor modelo de raciocínio estratégico. Mas, voltemos então à questão inicial: A estratégia tornou-se como os tempos, instantânea. Mas quais serão os novos vectores de posicionamento? Read More...
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As tecnologias do poder

Quando falamos de poder, as imagens mentais que nos ocorrem referem-se, frequentemente, a situações de domínio, nas quais uma parte sujeita a outra à sua vontade. "Ter poder" é entendido como sinónimo de ser capaz de controlar. Mas quando se diz "ter poder" estamos a entender o poder como se fosse uma coisa, algo cuja posse se pudesse deter e assim usar. Será esse o caso? A noção convencional de "poder" confunde-se demasiado com autoridade e liderança, e é difícil retirar-lhe o peso das associações aparentemente óbvias a hierarquia, estatuto e controlo. Mas o poder é mais do que isso e pode até ser muito útil entendê-lo de forma radicalmente diferente. Read More...
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Estratégia Instantânea (I)

Cada época conheceu um problema estratégico dominante. Na década de sessenta, na senda dos tempos do baby boom, o autor Igor Ansoff foi o que melhor percebeu que a questão dominante era o crescimento. O problema marcante era como aproveitar as oportunidades de negocio. Ansoff propôs uma matriz notável para a abordagem das trajectórias lógicas de desenvolvimento “orgânico”. Partia do primeiro passo, “vender mais do mesmo aos mesmos”, seguido de “encontrar novos clientes para os mesmos produtos”, completava com “mais produtos para si que já confiava em nós” e finalizava com a aplicação do cash inflow realizado nas opções anteriores em novos negócios. A apologia da diversificação talvez tenha ido longe demais, até aos conglomerados de negócios de “tudo em todo o lado”, que fizeram a ITT descobrir que gestão não é apenas racionalidade mais um sistema de reporting. Read More...
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Basta ouvir...

Há pouco tempo, um amigo meu contou-me como tinha desperdiçado quase um dia de trabalho a fazer uma coisa que sabia ser inútil por não ter conseguido que o chefe dele o ouvisse. “Quando ele acaba a conversa já não há mais argumentos”... Esse episódio, pouco importante em si, fez-me pensar no tempo e no dinheiro que é desperdiçado todos os dias em organizações devido à má gestão das emoções associadas ao poder. Não se trata sequer de fazer uma avaliação moral ou ética dos ataques de fúria de tantos “chefes” espalhados pelo mundo, trata-se de perceber a origem e o impacto da sua agressividade mal contida no trabalho das pessoas que os rodeiam. Read More...
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O trabalho invisível dos vendedores

Há políticas de remuneração que são erros óbvios. Por exemplo, como seria avaliado o líder de uma empresa de estudos de mercado que premiasse os seus colaboradores com base nos resultados dos inquéritos aos consumidores? Certamente de forma muito negativa. É pouco inteligente pagar a uma equipa que está a descobrir qual é o sabonete preferido dos Portugueses pelo número de pessoas que respondem Sabonete Silva. É fácil prever o resultado desta avaliação do sector da higiene pessoal: o Sabonete Silva seria a escolha da esmagadora maioria dos inquiridos. Read More...
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É a Economia, estúpido

Receio bem que estejamos a perder o pé. À realidade nua e crua do ultra liberalismo chinês respondemos, na Europa, com a “fabricação” de realidades fictícias. “Razões de Ganho” era o nome de um questionário que tive de aplicar recentemente numa acção de formação dessas com o elevadíssimo patrocínio da “Europa”. Europa, esse lugar mágico de fantasias benignas e protectoras, para onde remetemos, por enquanto, os medos dos perigos que se escondem em nuvens ameaçadoramente escuras. Read More...
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Quando tudo se quer medir

A gestão é muitas vezes confundida com a simples monitorização de números. Parece fácil de entender como isso acontece. Como têm que apresentar resultados quantitativos, os gestores procuram medir e avaliar, também de forma quantitativa, as acções da sua equipa que podem influenciar esses resultados. Como a evolução tecnológica torna cada vez mais fácil fazer essas medições, traduzindo acções em números, os gestores têm instrumentos cada vez mais sofisticados para gerir. Os sistemas de apoio à gestão oferecem hoje complexos ‘dashboards’ e ‘scorecards’ que prometem melhores resultados e decisões acertadas. Mas será isso que acontece de facto? Read More...
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“Impecável, sôtor!”

O maior receio de qualquer gestor é falhar, ser confrontado com o insucesso das suas ideias e intenções. É para evitar falhar que todos nos esforçamos por fazer mais, motivar com mais eficácia, dirigir melhor. Mesmo assim, nada é mais comum do que falhar. O falhanço faz parte do nosso dia-a-dia, seja sob a forma de negócios que se perdem, empresas que desaparecem, áreas de negócio que são extintas, gestores que são substituídos ou trabalhadores que são despedidos. Como pode tanta coisa falhar quando tanta gente competente se esforça por evitar isso? Read More...
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Depois da ‘última linha’

Exigir resultados é um direito natural de qualquer accionista e estabelecer objectivos é um instrumento básico de qualquer gestor. É por isso que muita gente afirma que uma cultura de objectivos e resultados é a base de uma gestão eficaz, capaz de traduzir intenções em acções que produzem os efeitos desejados. É também por isso que se diz, sem grandes reservas, que o que interessa é a ‘bottom line’, a última linha da demonstração de resultados. Há mesmo quem diga que tudo o resto é conversa. De facto, a última linha, aquela onde aparece o valor do lucro ou do prejuízo apurado, é muito importante porque reflecte o desempenho do último período e a viabilidade imediata de uma empresa. Mas será só isso que importa? Read More...
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Medir em vez de mentir

A falta de transparência dos indicadores de desempenho de uma empresa tem uma causa fundamental: também são usados para a avaliação dos colaboradores. Se os gestores utilizam a mesma informação para perceber o que se passa na organização e para decidir quanto pagar de bónus, há fortes incentivos para que essa informação seja deturpada. A justificação para manter esta prática, apesar da desconfiança que cria na relação entre gestores e colaboradores, é a objectividade. Read More...
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A persuasão do powerpoint

Não me lembro de nenhum tema que tenha apaixonado mais a espécie humana do que encontrar a ligação entre causas e efeitos. Quando ignoramos as causas de alguma coisa, o medo que essa coisa nos provoca é ampliado de forma assustadora. Quando percebemos as causas desse efeito, o medo atenua-se e ganhamos uma sensação de controlo sobre o que está a acontecer. Ao longo da história do Homem foi assim, por exemplo, com o fogo, os relâmpagos e algumas doenças. Da mesma forma, quando procuramos um determinado efeito procuramos gerar causas que nos deixem seguros de que atingiremos esse objectivo. Read More...
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O ‘jeitinho’

Há empresas grandes e burocráticas que conseguem manter-se competitivas em sectores que estão em mudança constante. São empresas como a Nokia que, apesar de serem pesadas e mudarem lentamente, continuam a ter um lugar no pódio da competitividade. Como o conseguem? Read More...
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O que não se controla

A vida em diferentes organizações, privadas ou públicas, tem por vezes semelhanças extraordinárias. Tenho ouvido nas últimas semanas várias histórias, contadas por pessoas que trabalham em diferentes empresas e organismos públicos, que partilham um traço comum muito claro: a ansiedade e a sensação de vazio que uma mudança esperada provoca enquanto não se concretiza. O mais curioso nas várias narrativas é que não é a mudança em si que desperta essas emoções difíceis, mas sim a perda de sentido que a espera provoca. E a pergunta que surge é muito simples: “Se tudo vai mudar, que faço eu aqui?” Read More...
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O Sistema Sombra

A sua empresa tem um sistema de informação sombra. Porque é que este sistema existe e que desafios coloca aos seus gestores? Olhe bem à sua volta. O sistema de informação formal é fácil de descobrir: um computador em cada secretária com um ’software’ de gestão escolhido e implementado pela empresa. O sistema sombra também está à vista: um caderno, uma pilha de papéis e um conjunto de ‘post-its’ ironicamente colocados no ecrã do computador. Read More...
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O que não se mede

Quando descobri o mundo fascinante da psicologia, uma das ideias que me impressionou mais foi a noção de que para nos defendermos da ansiedade que alguma situação nos provoca acabamos por criar um problema maior. A ansiedade não é mais do que a reacção à ameaça de uma perda, que pode ser simplesmente o medo de alguma coisa que nos possa fazer perder auto-estima, dinheiro, estatuto, ou qualquer outra coisa que prezemos. O que é irónico é que para nos defendermos de um problema que receamos podemos acabar por criar outros maiores. Read More...
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De que liderança precisamos?

A liderança é um aspecto essencial da gestão. Ninguém lidera uma organização sem gerir e é quase impossível gerir sem alguma forma de liderança. Mas liderar é geralmente associado a figuras com uma aura quase mística, gestores carismáticos ou visionários de sucesso. Mas será essa a liderança que faz falta nas nossas empresas? Read More...
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A herança do Sr. Taylor

O mundo da gestão seria muito mais simples se tudo corresse de acordo com o que é planeado, sem surpresas nem imprevistos. Seria um mundo de regras evidentes e instruções claras, perfeitamente “científico”, no qual os gestores se poderiam concentrar em pensar, deixando a outros profissionais a execução segura das suas orientações. Um mundo assim poderia realmente existir? Read More...
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