cultura organizacional

Alternativas ao Homo Economicus

Há um conjunto de trabalhadores em cada empresa que correspondem às expectativas dos economistas. São os homo economicus ou busca-bónus: indivíduos que ajustam o seu comportamento de forma a maximizar o bónus que resulta do atingimento dos objectivos que lhes são propostos. A carreira não é a sua preocupação principal e muitos recusam promoções porque sabem que a sua competência para atingir resultados através do seu próprio esforço pode não se reflectir nas capacidade de os atingir através dos outros. A sua progressão segue uma lógica meramente material. Preocupam-se não com o seu desenvolvimento ou com o nível de desafio das suas tarefas mas sim com as mudanças no valor do seu bónus e no esforço necessário para o atingir. Esta orientação para os resultados pode levar a práticas abusivas de vendas, pequenas e grandes fraudes e outros comportamentos não éticos. Pior – a sua motivação para cumprir objectivos não transborda para as outras áreas da sua relação com a organização. Não partilham conhecimento, não estão interessados aprender com os outros nem contribuem de forma formal ou informal para a sustentabilidade estratégica da empresa. Estão lá apenas para cumprir o que lhes é pedido e ganhar os prémios daí resultantes. Read More...
|

Não diga, faça!

A linha que separa o discurso empresarial politicamente correcto da mais pura hipocrisia é por vezes muito ténue. Nenhum líder de uma organização assume que não quer colaboradores com mais do que uma determinada idade a trabalhar consigo, mas é fácil coleccionar nomes de organizações nas quais quem tem 50, 45 ou até pouco mais de 40 anos é "delicadamente" considerado velho demais e conduzido até à porta das mais variadas formas... E assim se desperdiça capital humano de grande valor. Nenhum gestor é apanhado em público a protestar pela duração da licença de maternidade das suas colaboradoras que são mães, mas todos conhecemos casos de mulheres cuja carreira foi afectada pela maternidade. Numa altura em que a baixa natalidade é um problema nacional e europeu, o problema das penalizações encobertas da maternidade é tão grande, atingindo operárias, técnicas e mesmo gestoras, que até já motivou iniciativas no nosso parlamento. Read More...
|

Elogio à cegueira

Há poucas modas de gestão mais perigosas do que a visão. Uma empresa que tenha uma daquelas que é mesmo para usar no dia a dia, e não apenas para estar pendurada na parede para satisfazer clientes e fazer as delícias dos académicos, é uma empresa condenada a problemas estratégicos e éticos. Read More...
|

Quanto vale a confiança?

A capacidade de auto-organização da espécie humana que tornou possível a sociedade de bem-estar em que vivemos é ainda uma maravilha misteriosa que custamos a compreender. Mas sabemos, pelo menos, que a capacidade de cooperação entre seres humanos é um elemento fundamental do processo que produziu esta rede social na qual todos dependemos, de uma forma ou de outra, uns dos outros. Mas esta rede é frágil e, para que a cooperação aconteça, é preciso confiança entre as partes. É isso mesmo que Francis Fukuyama ilustra nos seus livros "Confiança" e “A Grande Ruptura”, onde demonstra como o declínio da confiança põe em causa as bases da riqueza e do conforto de que gozamos hoje. Read More...
|

Empresas e Coelhinhos

Um dos primeiros livros de gestão que li foi o 'Liberation Management' do Tom Peters. Uma parte do livro deixou-me perturbado – um capítulo inteiro que defendia que os gestores são irrelevantes. O autor citava vários estudos que provavam que a estratégia de qualquer empresa era definida no momento da sua criação e que qualquer esforço para a mudar significativamente mais tarde era infrutífero. Os outros livros que li pareciam ignorar esta investigação, mas isso não foi suficiente para me fazer esquecer o assunto. Read More...
|

O Português na redoma de vidro

A cultura portuguesa é apontada como uma das razões para a falta de competitividade do nosso país. Se assim for, a melhor estratégia para melhorar a nossa economia é enviar cidadãos nacionais para os países que concorrem directamente com o nosso e importar profissionais de locais com uma cultura mais eficaz. Se os valores e hábitos que nos caracterizam enquanto portugueses, em certas condições pode dar resposta a qualquer desafio competitivo, então estamos perante a necessidade de ajustar processos de gestão e liderança. Read More...
|

Os líderes a prazo e o bacalhau

Muitas empresas, como a SONAE ou a GE têm relações estáveis com os seus gestores de topo. No entanto há outras, como a Galp e a HP, em que estes líderes vêm com prazo de validade. Quando chegam, já têm uma data de partida anunciada. A sua carreira depende da capacidade de terem um impacto significativo e muito visível durante a sua estadia. Há que provar que a mudança é para melhor e por isso rapidamente aparecem várias iniciativas para responder aos novos desafios de mercado. Mas muitas vezes estes novos projectos demoram a ser implementados e quando finalmente chegam ao fim, os resultados ficam muito aquém das expectativas. Read More...
|

O paradoxo dos “colaboradores ideais”

A propósito de um dos últimos artigos deste painel, uma leitora enviou-me o endereço de um dos seus blogs preferidos. Segundo ela, estava muito perto da forma como se discutia nesse artigo a liderança das nossas empresas. Fiquei curioso e segui imediatamente o link… Foi assim que descobri o Creating Passionate Users, um excelente blog escrito a oito mãos em http://headrush.typepad.com/. Read More...
|

Os enigmas da cultura

A gestão apropriou-se do termo cultura para designar o que o dá identidade a uma organização. Assim, é na cultura de uma empresa que muitas vezes se procuram explicações para as suas dificuldades ou para o seu sucesso. Peters e Waterman contribuíram fortemente para isso quando, no início dos anos 80, publicaram o seu livro “Na Senda da Excelência”. Procurando contrariar a rigidez de gestão dominante na altura, atribuíram o sucesso das empresas “excelentes” à sua cultura mais ágil e humanizada e aos valores partilhados pelos seus colaboradores. A verdade é que, apenas cinco anos depois, dois terços das 43 empresas "excelentes" encontradas por Tom Peters e Robert Waterman estavam em crise. Read More...
|