incerteza

Então agora que o íamos promover é que se vai embora?

Um dos problemas mais fascinantes da moderna vida organizacional consiste na determinação do “valor” dos recursos humanos. Valor do desempenho, valor potencial do seu desenvolvimento. A forma como procuramos determinar esses valores é, em si mesma, outra coisa fascinante. Claro que poderíamos dizer que os rituais de “avaliação de desempenho” são, apenas, mais uma forma de protecção que encontrámos para evitar ter conversas normais e vulgares com os que nos rodeiam, por forma a estabelecermos relacionamentos satisfatórios, simples, eficazes e produtivos. Mas não. Parecemos preferir evitar completamente enfrentar o “outro”, mormente em aspectos em que a dissensão pode emergir, com todo o cortejo de coisas desagradáveis e viscosas, como emoções, que daí, em geral, advêm. Read More...
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Actos de Deus

Quando estava nos EUA decidi comprar uma televisão. Li no manual que “a garantia não cobre actos de Deus, como a trovoada e a chuva.” Este aviso revela a teoria do clima que tinha o fabricante da minha televisão: os fenómenos meteorológicos são actos divinos. Há uma explicação que, apesar de parecer pateta para o autor deste manual, não é menos válida: a chuva resulta de processos físicos que ocorrem na atmosfera da Terra. A diferença entre a minha teoria da chuva e a do fabricante da minha televisão tem consequências. Se eu quiser saber que tempo vai estar amanhã tenho que interpretar os níveis de pressão atmosférica e a velocidade do vento. O fabricante da minha televisão têm que ir ao oráculo. Read More...
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O Português na redoma de vidro

A cultura portuguesa é apontada como uma das razões para a falta de competitividade do nosso país. Se assim for, a melhor estratégia para melhorar a nossa economia é enviar cidadãos nacionais para os países que concorrem directamente com o nosso e importar profissionais de locais com uma cultura mais eficaz. Se os valores e hábitos que nos caracterizam enquanto portugueses, em certas condições pode dar resposta a qualquer desafio competitivo, então estamos perante a necessidade de ajustar processos de gestão e liderança. Read More...
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O que não se controla

A vida em diferentes organizações, privadas ou públicas, tem por vezes semelhanças extraordinárias. Tenho ouvido nas últimas semanas várias histórias, contadas por pessoas que trabalham em diferentes empresas e organismos públicos, que partilham um traço comum muito claro: a ansiedade e a sensação de vazio que uma mudança esperada provoca enquanto não se concretiza. O mais curioso nas várias narrativas é que não é a mudança em si que desperta essas emoções difíceis, mas sim a perda de sentido que a espera provoca. E a pergunta que surge é muito simples: “Se tudo vai mudar, que faço eu aqui?” Read More...
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Boas Intenções

Uma das coisas mais perigosas que existem são as pessoas bem intencionadas. Em geral, estas pessoas possuem uma visão de como é que o mundo poderia ser perfeito. E, numa posição de poder, legislam para que o mundo se aproxime do estado visionado. Há muitos anos tive ocasião de testemunhar como, através de um sistema de incentivos denominado RIME, se tentou produzir por esse pais fora, empresários e empreendedores a partir de gente que tinha ficado sem trabalho, e, que no geral possuía qualificações muito pouco notáveis. Através de um “curso” de gestão muito rápido e prenhe de swot’s e mix de marketing e meia dúzia de indicadores de gestão financeira, e da promessa de incentivos e de um projecto de investimento sempre com VAL satisfatório e TIR’s ainda mais bondosas. No final, dados os tradicionais atrasos nos pagamentos de incentivos, pouca gente se terá ficado a rir. Conheci bastantes que ficaram afogados nos leasings, incapazes de gerir os compromissos financeiros decorrentes da exploração que nunca correu como os risonhos planos financeiros dos projectos. Read More...
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O que não se mede

Quando descobri o mundo fascinante da psicologia, uma das ideias que me impressionou mais foi a noção de que para nos defendermos da ansiedade que alguma situação nos provoca acabamos por criar um problema maior. A ansiedade não é mais do que a reacção à ameaça de uma perda, que pode ser simplesmente o medo de alguma coisa que nos possa fazer perder auto-estima, dinheiro, estatuto, ou qualquer outra coisa que prezemos. O que é irónico é que para nos defendermos de um problema que receamos podemos acabar por criar outros maiores. Read More...
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Confiança, coesão e sucesso

Numa altura em que ainda se digere a derrota nas meias-finais frente à França, vale a pena mesmo assim reflectir sobre o que faz uma equipa de futebol, tal como uma empresa, ter sucesso ou falhar. E a equipa que Scolari construiu, mesmo sem ter chegado à final, dá-nos espaço para algumas analogias interessantes com o mundo empresarial. O mais curioso é que essas analogias dão mesmo vida aos aspectos centrais da nossa vida empresarial que o sociólogo Richard Sennett identifica no seu último livro (‘The Culture of the New Capitalism’, que traduzido à letra será qualquer coisa como ‘A cultura do novo capitalismo’, editado este ano pela Yale University Press e ainda sem publicação entre nós). Read More...
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O Paradoxo das Pessoas Perfeitas

Actualmente enfrentamos um contexto de incerteza crescente. As relações de causa e efeito estáveis, aqui há umas décadas, parecem ter dado lugar a verdadeiras cadeias de causalidades circulares que tornam o mundo, por vezes, pouco compreensível. Desde os múltiplos factores que “explicam” a subida dos preços dos combustíveis, à instabilidade política, à sucessão de coisas mais prosaicas como soluções para armazenar dados, que perecem em meses. Alguém se lembra da tecnologia DAT que era oferecida no mercado com o nome comercial sugestivo de “Jazz”? Às soluções de conexão de periféricos que mudam de geração em geração de computadores a ritmo que nos deixa as gavetas cheias de cabos, com nomes estranhíssimos como “Scusi”, mas que aparentemente já só interessam a arqueólogos e antropólogos... Read More...
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O paradoxo da inovação

As empresas criam novidades, sob a forma de produtos melhores, mais fiáveis, mais atractivos, mais úteis e de modo crescente híbridos de várias tecnologias. Como consumidores, ficámos “viciados” nesta espiral de novidade. Exigimos cada vez mais e mais das empresas. De facto, já assimilámos palavras como segunda geração, ‘restyling’, ‘upgrade’, ‘improvment’, como semânticas correntes quando nos referimos a produtos cuja complexidade não percebemos, mas que tratamos “por tu” e como objectos triviais. A maior parte de nós acha perfeitamente possível que o telemóvel amanhã seja receptor de televisão, e, porque não, que os óculos de sol sirvam de telemóvel, ou que as torneiras de alguns restaurantes deveriam ter ‘ABS’ para evitar alguns mal entendidos. Read More...
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